A Hyundai mostrou o Concept THREE lá no Salão de Munique (Alemanha) e esse carro-conceito me lembrou muito um modelo que teve uma breve, mas bem movimentada, passagem pelo mercado automotivo brasileiro. Estou falando do Hyundai Veloster
Há quem diga que brasileiro não gosta de carro. No máximo, quer um automóvel novinho e chamativo para projetar para o mundo que é alguém que "chegou lá". E dentro desse contexto, o Veloster parecia o carro perfeito.
O Veloster foi lançado no início de 2011 na Coreia do Sul e chegou ao Brasil em junho de 2012. Com porte de hatch médio, o modelo da Hyundai estava longe de ser barato: custava a partir de R$ 75.700.
Com esse preço, era mais caro do que modelos como o Fiat Bravo T-Jet e o Peugeot 308 Feline, e custava pouco menos que o topo de linha Chevrolet Cruze Sport6 LTZ. Mas muita gente nem se importava com isso. Justamente porque o Veloster era muito diferente do convencional.
Era um hatch com alma e visual de cupê e se diferenciava dos concorrentes diretos justamente por ter somente uma porta traseira, posicionada na lateral direita. Espaço interno era um problema. Mas quem ligava para isso levava um i30. O Hyundai Veloster era para chamar a atenção.
Mas embora vendesse uma imagem ousada e esportiva, o Veloster tinha um problema. No material de divulgação do modelo, o motor 1.6 16V aparecia com 140 cv de potência. Mas essa era a potência do carro equipado com injeção direta de combustível. Como os exemplares vendidos no Brasil tinham injeção multiponto, a potência real era de 128 cv.
Numericamente falando, embora não fosse tão menos potente que os concorrentes na mesma faixa de preço, o desempenho real do Hyundai Veloster ficava atrás do exibido pelos oponentes diretos e muito abaixo do que sugeriam as linhas bem arrojadas e esportivas do modelo.
Tanto que o Veloster acabou ganhando apelidos jocosos como "Lentoster" ou "Moloster", numa alusão à performance do modelo. E ai, já era! Rolou até processo judicial de clientes insatisfeitos com o "erro" na ficha técnica. O Veloster virou infame e disse adeus ao mercado brasileiro já no início de 2014.
rior Na versão esportiva N, o Veloster de segunda geração era equipado com um motor de 275 cv de potênciaLá fora, não houve polêmica envolvendo o Veloster. Além de versões mais interessantes e até com motor turbo, o hatch com alma de cupê teve uma vida bem mais longa do que por aqui. Ganhou uma segunda geração em 2018 e só saiu de cena em 2022. Na época, a versão esportiva N esbanjava saúde com os seus 275 cv de potência.
Respondendo à pergunta do título, no final das contas, a trajetória do Hyundai Veloster no Brasil acabou virando as duas coisas: injustiçado - já que tinha um belíssimo potencial, pois bastava um motor mais potente - e promessa não cumprida, justamente por entregar desempenho inferior ao que o visual sugeria.
Embora tenha durado pouco tempo por aqui, o Hyundai Veloster pode ser uma opção interessante no mercado de usados. Aqui na Webmotors, você encontra vários exemplares do modelo na faixa entre R$ 55 mil e R$ 70 mil. Mais barato que um subcompacto zero-quilômetro.
E não estou falando apenas do visual exótico e que ainda chama bastante atenção mesmo depois de tanto tempo. Mas do motor 1.6 16V, que é um parente bem próximo do propulsor do HB20 e é um motor confiável e de fácil manutenção. Algo fundamental em um carro com mais de uma década de estrada.
A dor de cabeça virá apenas na hora de um possível acidente, já que as peças de lataria e acabamento do Veloster são caras e não necessariamente fáceis de achar. Mas esse é um problema comum a outros automóveis importados mais antigos.