Impressões: Grande Panda é o C3 ou o 208 da Fiat?

Testamos na Itália o Fiat Grande Panda, hatch compacto que dará origem ao substituto do Argo e que chegará aqui em 2026

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Evandro Enoshita
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Já é 2026 na Europa. Pelo menos quando o assunto é carro. Desde janeiro deste ano os europeus já podem comprar o Fiat Grande Panda. O modelo já está confirmado para suceder o Argo no Brasil, e estreará em no nosso mercado no ano que vem.

Mas qual será a desse hatch compacto altinho e feito sobre a plataforma modular CMP - ou Smart Car, como prefere agora a Stellantis - como os primos Peugeot 208 e Citroën C3? Será que teremos um C3 italiano ou um 208 tricolore? Fomos até o campo de provas de Balocco, na Itália, para ter um primeiro contato ao volante do Grande Panda.

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O Fiat Grande Panda tem porte de Citroën C3, mas com estilo externo mais ousado e sofisticado
Crédito: Divulgação
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Grande Panda: novo Uno ou novo Argo?

O Grande Panda será produzido em Betim (MG) e dará origem, inicialmente, ao substituto do Argo. Isso embora a Stellantis planeje que o novato sirva de base para uma renovação completa da gama nacional da Fiat. Será um ritmo frenético, já que a promessa é de um novo modelo por ano até o final de 2030.

Isso já está definido. O que ainda está em aberto é qual será o nome do Grande Panda no Brasil. A Stellantis ainda não confirma se deve manter o nome original do hatch - menos provável -, reaproveitar um nome da gama atual ou do icônico Uno, ou partir para uma terceira via com um batismo completamente novo.

Mas vamos falar do carro. Com 3,99 metros de comprimento, 1,59 metro de altura, 1,76 metro de largura e 2,54 metro de entre-eixos, o Grande Panda não só parece ser uma espécie de Citroën C3 da Fiat. Também repete praticamente as mesmas dimensões externas do "primo" da marca francesa.

O grande diferencial em relação ao "nosso" C3 é no visual externo muito mais ousado e sofisticado. Com linhas retas e elementos estéticos como os conjuntos óticos dianteiro e traseiro com um estilo pixelizado e os nomes do carro e da marca literalmente estampados na lataria, o Grande Panda está bem longe de parecer um modelo de entrada.

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    O Grande Panda exibe linhas ousadas, mas tem foco na funcionalidade
    Crédito: Divulgação
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    Obviamente que vão haverá algumas mudanças estéticas no Grande Panda que será feito no Brasil em relação ao carro europeu. Mas a ideia da marca é preservar ao máximo a estética do modelo original.

    Eu, particularmente, eliminaria no carro brasileiro o nome "Panda" estampado nas portas laterais. Não pelo batismo em si. Mas porque esse tipo de coisa encarece a produção e os custos de reparo em caso de colisão. Além de não ser esteticamente tão agradável quando visto de perto.

    Festa no Grande Panda

    O mesmo "clima festeiro" visto no exterior também está na cabine do Grand Panda. Motorista e passageiros são recebidos por painel, laterais das portas e até bancos coloridos e com linhas bem joviais.

    Embora os plásticos rígidos estejam por toda parte, há até aplique de tecido na parte superior do painel, que tem um quadro de instrumentos digital de 10 polegadas - de visual bem agradável e diferenciado em relação ao layout da atual gama brasileira -, e uma multimídia com tela de 10,25 polegadas que - curiosamente - já tem o português do Brasil nas opções de idiomas.

    Eu gostei bastante do visual ousado da cabine do Grande Panda. Mas é uma opinião pessoal e, se pudesse fazer uma aposta, diria que o carro feito no Brasil terá um interior menos chamativo. Justamente pelo posicionamento de entrada do modelo e pelo fato de o brasileiro médio não curtir essa pegada tão "festeira".

    A cabine do Grande Panda é muito colorida. E isso deve mudar no Brasil
    Crédito: Divulgação
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    Já em relação ao aproveitamento de espaço interno, achei que o Grande Panda é um meio termo entre o amplo C3 e o pequeno 208.

    Embora a cabine seja menos espaçosa que no modelo da Citroën, o Grande Panda oferece uma posição de dirigir mais baixinha e voltada para o conforto do motorista. Como no carro da Peugeot.

    E o fato de o Grande Panda ter um seletor de marchas por botão - como nos compactos elétricos da Stellantis - também é uma vantagem e contribui para arejar a cabine, que tem teto alto e oferece espaço interno bem satisfatório para um hatch compacto.

    Uma curiosidade do Grande Panda é que a ficha técnica europeia do modelo aponta que o porta-malas tem 412 litros de capacidade. Mas esse número foi obtido na medida com água e considerando inclusive o espaço sob o carpete.

    No "olhômetro", fica claro que o espaço tem menos de 350 litros. Se repetir os 315 litros do C3 brasileiro, estará de bom tamanho.

    Os confortáveis bancos têm desenho e visual bem diferenciados
    Crédito: Divulgação
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    Meio a meio

    Pude guiar o Grande Panda no Balocco Proving Ground. É um campo de provas mantido pela Stellantis na região do Piemonte, no norte da Itália, que surgiu em 1962 como uma pista de testes da Alfa Romeo e hoje é um complexo enorme, que inclui mais de 80 quilômetros de circuitos e 56 pavimentos especiais.

    O local que a Stellantis escolheu para botar o grupo de jornalistas brasileiros para testar o Grande Panda é chamado de Circuito Langhe, uma pista de alta velocidade cheia de sobe e desce e com curvas inspiradas pelos icônicos autódromos de Nürburgring (Alemanha) e Monza (Itália).

    Uma pista para lá de divertida. Mas que teve velocidade limitada a 90 km/h para o nosso teste. O meu lado apaixonado por automóveis gostaria de ter pista livre. Mas o meu lado profissional diz que isso nem seria realmente necessário.

    É que a gama de motores do "nosso" Grande Panda será bem diferente. O carro europeu é equipado com um propulsor 1.2 turbo de três cilindros - o PureTech que chegou a equipar os modelos C3 e 208 feitos no Brasil -, e que desenvolve 100 cv de potência na configuração 100% a combustão.

    Ao volante, o Fiat Grande Panda é um meio-termo entre o C3 e o 208. E isso é muito bom
    Crédito: Divulgação
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    Mas a linha inclui também o 1.2 com um sistema híbrido-leve de 48 Volts - que desenvolve 110 cv de potência - e um elétrico de 113 cv de potência. E a gama de transmissões tem uma caixa de dupla embreagem.

    Já o carro brasileiro terá os motores 1.0 turbo ou aspirado da família Firefly, com ou sem o conjunto híbrido-leve de 12 Volts e com a opção do câmbio continuamente variável (CVT) no lugar do dupla embreagem. Conjuntos mecânicos muito bons e que são muito adequados à proposta de carro compacto.

    É óbvio que o Grande Panda testado é um carro de configuração europeia e o modelo brasileiro deve ser diferente nesse ponto. Mas eu gostaria muito que a Stellantis mantivesse um acerto muito próximo desse que eu testei aqui na Europa.

    Além da posição de dirigir mais baixinha, curti justamente o fato de o Grande Panda ser um carro mais firme e com acerto diferenciado em relação a boa parte dos produtos da gama brasileira da Fiat, mais voltados para o conforto.

    Algo fundamental para reduzir a sensação da carroceria "jogando" para os lados em curvas mais fechadas por conta do centro de gravidade elevado. No final das contas, é um belíssimo meio-termo entre o esportivo 208 e o confortável C3. Gostei!

    Quais as chances do Grande Panda no Brasil?

    Os produtos da gama atual da Fiat têm as suas qualidades e, por isso mesmo, vendem tão bem. Mas é evidente uma atualização seria muito bem-vinda. Principalmente em relação ao Argo, que foi lançado em 2017 e nunca teve alterações muito significativas.

    Com o Grande Panda, a Stellantis tem a oportunidade de repetir no Brasil o choque que foi o lançamento da nova geração do Fiat Uno, lá em 2010. É um produto atualíssimo e com visual muito inovador combinado a um conjunto mecânico bem afinado.

    Inclusive, não acho que seria ruim se a Stellantis decidisse ressuscitar o nome Uno no futuro Grande Panda tupiniquim. Seria um herdeiro digno para uma linhagem que deu tão certo no nosso mercado.

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