O Brasil é a terra das oportunidades para as marcas chinesas. Afinal, não há como ignorar o potencial de um mercado - imenso - como o nosso, e que só recentemente abraçou a mobilidade elétrica. E a mais recente dessas novatas asiáticas a estrear por aqui é a Jetour.
Mas qual é a da Jetour? Fundada em 2018, é mais uma marca ligada ao conglomerado chinês Chery Holding Group - além dela, já temos no mercado brasileiro a Omoda & Jaecoo e a Caoa Chery. Mas a Jetour se caracteriza por uma gama de produtos que é quase - exclusivamente - composta por SUVs de porte médio e grande.

Mas como se destacar frente a uma concorrência que também vende muitos SUVs mais faixa abaixo de R$ 300 mil?
Henrique Sampaio, diretor de marketing da Jetour no Brasil, destaca que, além de uma operação sólida e estruturada, com investimento pesado em pós-venda e a previsão de fechar 2026 com 100 lojas, outro diferencial da marca frente a outras chinesas está na intenção de conquistar a imagem de uma marca de produtos "aventureiros".
"Dentro da estratégia Travel Plus, a ideia é criar um tipo de clube. Um grupo de pessoas que tenham um automóvel Jetour e que utilizem o carro em viagens e passeios aventureiros com o suporte da marca. Tudo isso cria uma experiência diferenciada".
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A Jetour aponta que o S06 - um SUV de linhas bem urbanas e agressivas, que chega como o modelo mais acessível da gama no Brasil - deverá concentrar inicialmente o maior volume de vendas da marca no Brasil. Muito pela combinação de preço acessível - a partir de R$ 199.900 na pré-venda -, mecânica híbrida plug-in e visual esportivo.
Apesar disso, o S06 não é exatamente um carro com essa imagem aventureira que a Jetour pretende vender ao público brasileiro. E a marca sabe que o seu produto mais acessível realmente tem mais pontos em comum do que grandes diferenciais em relação a outros SUVs na faixa entre R$ 150 mil e R$ 300 mil.
E é aí que entram os "quadrados" da Jetour. A marca acredita que uma boa parcela dos fãs dos SUVs estão começando a ser cansar dos automóveis altinhos, mas com um visual urbano, e estão em busca de uma volta às origens do segmento. Ou seja: de um visual mais off-road.
Por isso mesmo, enquanto o S06 é um típico aventureiro urbano, os maiores T1 e o T2 têm uma combinação de características inéditas no nosso mercado: são SUVs médios e híbridos plug-in. Mas com o visual quadradão dos utilitários esportivos mais parrudos, além do preço abaixo dos R$ 300 mil.
Até agora, o único SUV médio híbrido do mercado brasileiro com visual de SUV raiz era o GWM Tank 300, de R$ 339.000.
Assim, no final das contas, o T1 e o T2 têm como concorrentes diretos atualmente apenas modelos híbridos com visual e características mais urbanas.
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A Jetour acredita tanto que a nova tendência entre os SUVs são os modelos com visual raiz - embora não necessariamente capazes de enfrentar o fim do mundo - que tanto o T1 quanto o T2 estreiam no Brasil esbanjando valentia no visual, mas sem a opção da tração nas quatro rodas.
Para Sampaio, é a oportunidade de conquistar um público que gosta desse visual off-road, mas não está disposto a pagar caro por um produto com tração 4x4 e nem arcar com os custos mais altos de operação e manutenção desse tipo de veículo.
"Dentre aqueles que têm carros 4x4, apenas de 5% a 10% usam em condição severa. E para 70% dos consumidores, ter o 4x4 é a consequência de estar escolhendo uma configuração mais completa", completa o diretor de marketing da Jetour.
Será que estamos vendo o nascimento de uma nova moda entre os fabricantes de SUVs?
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