Os emplacamentos de veículos tiveram alta de 7,2% no primeiro trimestre e de 2,9%, no segundo. Contudo, recuaram 0,4% de julho a setembro. No acumulado dos nove primeiros meses de 2025, as vendas cresceram apenas 2,8%. O último trimestre costuma ser o melhor do ano para o mercado automotivo e a Anfavea ainda vê possibilidade de o ano terminar com avanço de 5% sobre 2024.
Este ano as altas taxas de juros, para controle da inflação fora da meta, continuam em patamar elevado, encarecendo as prestações. Entretanto, Igor Calvet, presidente da entidade, prefere ser mais otimista, embora não descarte dificuldades crescentes.
"Reconheço o desafio de recuperação considerável de vendas no último trimestre, diante de uma base comparativa muito boa do final do ano passado", avaliou.

Os estoques estão em níveis normais (26 dias) para veículos produzidos no Brasil. Para os modelos importados, há 136 dias estocados. A Anfavea nada comentou, mas este volume atípico é, em sua maioria, de modelos da BYD para fugir do aumento escalonado do imposto de importação sobre elétricos e híbridos. Haja capital de giro chinês...
Já a Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), que representa as concessionárias das marcas, foi mais contida. Indicou, agora em outubro, um avanço de 2,6% sobre o ano passado, no fechamento de 2025.
Até junho ainda manteve a previsão de 5% de crescimento. Automóveis e comerciais leves devem ter desempenho um pouco melhor (mais 3% sobre 2024). Arcélio Santos Jr, presidente da entidade, avaliou que a interrupção de produção da Toyota (ler adiante) poderá ser absorvida por outras marcas, apesar de lamentar o infortúnio ocorrido.
A filial brasileira da marca japonesa reagiu de forma rápida, apesar dos prejuízos materiais de grande monta em sua fábrica de motores de Porto Feliz (SP), destruída por um vendaval com intensidade nunca vista na região.
Vai importar do Japão e de outros países motores para retomar a produção parcial nas fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, mas ainda não sabe quando poderá normalizar a comercialização (possivelmente em fevereiro).
Os estoques do Corolla na rede de concessionárias chegaram ao fim e restará apenas a picape Hilux importada da Argentina. As versões híbridas flex do Corolla, que representam vendas bem menores, voltarão já em novembro. Todavia, só a partir janeiro de 2026 haverá motores importados suficientes para atender à demanda interna.
A Toyota, entretanto, sofrerá ainda mais. Foi obrigada a adiar sine die o lançamento do Yaris Cross, um SUV compacto inédito, sua grande aposta para ganhar participação de mercado no Brasil e na América do Sul.
Alguns componentes do motor do novo carro são específicos (a exemplo do cabeçote) e estão sem previsão de normalização. O Yaris Cross é um produto para o segmento de maior demanda do mercado brasileiro e enfrentará, entre outros, o novo Honda WR-V - previsto para novembro.
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