As rígidas regulamentações impostas nos últimos anos por governos de diversos países, a fim de reduzir as emissões que provocam o efeito estufa, criou um dilema para os fabricantes de veículos, especialmente no Ocidente, em relação às novas tecnologias.
Nesse desafio, adotaram-se decisões radicais, desconsiderando a opinião e desejos dos consumidores. Com o claro objetivo de manter ou conquistar maior participação no mercado, quase todos focaram em híbridos plugáveis e elétricos em detrimento dos motores a combustão.

Desconsideraram problemas como limitações nas redes de recargas em um país de dimensões continentais, entre outros. E, ao que parece, despreocuparam-se em ouvir quem realmente define o mercado: os comparadores.
Um exemplo partiu do Grupo Stellantis nos EUA. Decidiu-se "aposentar" o icônico motor Hemi V8 que equipava versões das picapes Ram, além dos esportivos Charger e Challenger. Substituíram pelo motor seis-em-linha de 3.0 litros, biturbo e pelo V6 Pentastar, além de lançar um muscle car totalmente elétrico.
A decisão do então CEO da Stellantis, o português Carlos Tavares, sofreu contestação por executivos da operação americana. Eles tentaram, sem sucesso, demover o "chefe" da ideia pois o motor V8 faz parte da tradição automobilística dos EUA.
Resultado imediato: recuo nas vendas. Isso acabou por contribuir para a queda de Tavares no comando do grupo multinacional. Não só isso provocou sua demissão, em 2024. A aposta pesada em elétricos nas outras marcas do grupo deixou de corresponder às expectativas dos acionistas.
Saiba mais:
Sintomático que, logo após sua saída, a engenharia da Dodge já preparava a volta do V8 Hemi
aspirado de 400 cv na Ram 1500, linha 2026, lançada ainda no ano passado. A Dodge também confirmou o retorno do motor Hemi na linha Charger 2027, sem informar em quais das três configurações de cilindrada: 5,7, 6,4 ou 6,2 litros Hellcat (compressor).
As potências vão de 717 a 807 cv. Tornou-se incógnita o futuro do atual Challenger, o muscle car elétrico, que pouco agradou e é vendido com grandes descontos.
A GM igualmente investiu pesado em eletrificação, mas agora voltou a desenvolver uma nova família de motores V8, inicialmente para a linha de picapes revelada recentemente. Ao investir cerca de US$ 1 bilhão em novos propulsores, a Chevrolet afirma que a Silverado 2027 terá "o V-8 aspirado mais potente da sua categoria".
Destaque para o atual Corvette, na versão especial ZR1. Seu V8 de 5.5 litros, biturbo, tem potência de nada menos que 1.079 cv. Há ainda a variante híbrida ZR1X, com um motor elétrico acionando o eixo dianteiro. Potência total combinada de nada menos que 1.267 cv. Nesta versão, acelera de zero a 100 km/h em menos de 2 segundos e chegas à velocidade máxima de 374 km/h.
Das três tradicionais fabricantes americanas, a Ford foi a única que não relegou o motor V8 ao ostracismo e continuou a investir no seu desenvolvimento. Manteve-se fiel ao passado, pois popularizou esta configuração, a partir da década de 1930,graças ao revolucionário V8 "Flathead" (cabeçote achatado), apelido dado em razão do comando de válvulas e as válvulas serem alojados no bloco do motor.
Atualmente, a marca do oval azul, na linha do Mustang, destaca o V8 Coyote de 5.0 litros, naturalmente aspirado. As potências variam entre 420 cv e 507 cv, conforme o modelo. Já na versão especial GTD, o supercharged de 5,2 litros, da família Predator, tem potência de 826 cv e velocidade máxima de 325 km/h.
Na linha de picapes, a Ford utiliza o V8 de 5.0 litros e 405 cv na F-150, enquanto as versões maiores F-250, F-350 e F-450 dispõem do "Godzilla" de 7.3 litros e 430 cv. Entretanto, na sua variante especial Megazilla, preparada pelo departamento Ford Performance, chega a 612 cv. A linha tem ainda a opção de um V8 Power Stroke turbodiesel, de 6.7 litros e 470 cv.
Outra marca que reavaliou sua posição em relação ao V8 foi a Mercedes-Benz. Seus topos de linha, Classe S e Maybach 2026, dispõem de novo e exclusivo motor nesta configuração. A principal novidade do V8 de 4.0 litros é o virabrequim plano, a fim de reduzir a vibração em altas rotações.
Para garantir a faixa de torque ampla necessária em um sedã familiar de luxo, foram acrescentadas duas árvores de balanceamento. A potência subiu para 537 cv e o sistema híbrido acrescenta mais 23 cv. Acelera de zero a 100 km/h em apenas 3.9 segundos.
Maior fabricante mundial, a Toyota também desenvolve um novo V8 biturbo de 4.0 litros com potencial de uso em uma gama bem maior de modelos. A modularidade será o grande trunfo desta nova geração de motores.
Permitirá a mesma base mecânica desde esportivos até SUVs de grande porte, inclusive no Land Cruiser. Conforme fontes do site GoAuto, o novo V8 poderá alcançar potência de até 900 cv, quando combinado ao sistema híbrido pleno.
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