Mulheres que movem a indústria automotiva

De pioneiras do século XIX a executivas atuais, mulheres sempre fizeram parte da evolução do automóvel

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Nicole Santana
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Quando se fala em indústria automotiva, os primeiros nomes que costumam surgir são masculinos: Henry Ford, Enzo Ferrari, Ferdinand Porsche e outros.

Mas a história do automóvel também foi construída por mulheres, desde os primeiros anos da invenção do carro até as executivas que hoje ocupam posições estratégicas dentro das fabricantes.

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Nos últimos anos, inclusive, algumas delas passaram a ter papel cada vez mais visível nas decisões que moldam o futuro da mobilidade.

Um dos exemplos mais conhecidos atualmente é Stella Li, vice-presidente executiva da BYD e uma das principais responsáveis pela expansão internacional da marca. Tanto que, no ano passado, foi eleita Personalidade Mundial do Ano no setor automotivo.

Mulheres que impulsionam o universo automotivo
Stella Li é vice-presidente da BYD e foi eleita a Personalidade Mundial do Ano no setor automotivo
Crédito: Divulgação
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Nos últimos anos, a marca saiu de uma presença relativamente discreta fora da China para se tornar uma das empresas mais influentes no mercado global de veículos eletrificados.

Diante desse crescimento acelerado, surge quase inevitavelmente uma pergunta: será que a BYD teria alcançado o tamanho que tem hoje sem a presença de Stella Li?

Talvez seja impossível responder com certeza. Mas é difícil ignorar o impacto que lideranças estratégicas exercem em momentos de expansão de uma empresa, e Stella se tornou uma das figuras mais visíveis dessa nova fase da marca.

Mulheres que ajudam a transformar a indústria hoje

Porém, Stella não está só. A indústria automotiva também tem outros nomes que geram grande impacto.

Uma dessas profissionais é Fabiana Figueiredo, head da marca Peugeot na América do Sul que acompanha de perto as transformações que vêm acontecendo dentro da indústria automotiva.

Para ela, ter mais mulheres participando das decisões dentro das empresas vai muito além de uma questão de representatividade. A diversidade de perspectivas também influencia diretamente o desenvolvimento dos próprios carros.

<p data-start="2456" data-end="2799">“Acredito que é fundamental ter mulheres no desenvolvimento dos produtos porque isso traz amplitude de repertório e uma pluralidade de olhares. O carro é resultado de várias decisões: design, ergonomia, segurança, usabilidade, experiência e performance. Mais mulheres decidindo permite criar soluções que funcionam para mais pessoas”, explica.

Segundo Fabiana, a forma de liderar também é construída ao longo das experiências profissionais, e não apenas determinada por gênero.

<p data-start="2937" data-end="3137">“O que define a minha liderança é a forma como me comunico com as equipes, com sensibilidade e transparência, transmitindo responsabilidades em conjunto e priorizando o respeito nas relações”, afirma.

Com o tempo, ela diz que também foi mudando sua forma de conduzir equipes.

<p data-start="3215" data-end="3362">“Hoje vejo que liderar é fazer as perguntas certas, criar o ambiente para que o time performe e assumir a responsabilidade pelas decisões tomadas.”

Fabiana Figueiredo é uma das responsáveis por impulsionar a marca nos últimos anos
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Liderança feminina ainda enfrenta percepções diferentes

Mesmo com os avanços, algumas percepções ainda persistem dentro do ambiente corporativo.

Fabiana observa que mulheres em posições de liderança ainda costumam ouvir perguntas que raramente são direcionadas a homens em cargos semelhantes.

<p data-start="3663" data-end="3812">“Gostaria que precisássemos cada vez menos responder perguntas do tipo ‘como você dá conta?’, como se liderança feminina fosse uma exceção”, comenta.

Para ela, trajetórias profissionais exigem escolhas e decisões difíceis para qualquer pessoa.

<p data-start="3909" data-end="4168">“Trabalhamos muito para chegar até aqui. Fizemos escolhas, abrimos mão de coisas ao longo do caminho e sustentamos decisões difíceis, como qualquer trajetória de liderança exige. Não chegamos por concessão — chegamos por capacidade, consistência e resultado.”

Outro ponto que ainda costuma ser interpretado de forma diferente é a ambição.

<p data-start="4250" data-end="4387">“A ambição feminina muitas vezes é analisada sob um viés moral, enquanto a masculina é vista como estratégia ou visão de futuro”, afirma.

Na visão dela, porém, ambição é justamente o que impulsiona profissionais a assumir responsabilidades maiores e buscar impacto real dentro das organizações.

Veja também

        Muito antes de hoje, elas já ajudavam a transformar o carro

        Engana-se, porém, quem pensa que a presença feminina na indústria automotiva é algo recente.

        Muito antes de o automóvel se tornar parte do cotidiano das cidades, diversas mulheres já contribuíam diretamente para a evolução dessa tecnologia.

        Uma das histórias mais conhecidas é a de Bertha Benz, e o sobrenome já entrega o peso. Ela foi esposa de Karl Benz e protagonista de um dos episódios mais importantes da história do automóvel.

        Bertha Benz August foi uma das primeiras pessoas a fazer uma viagem de automóvel de longa distância, em 1988
        Crédito: Divulgação
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        Em 1888, sem avisar o marido, Bertha decidiu fazer a primeira viagem de longa distância já registrada com um carro. Ela percorreu cerca de 106 quilômetros entre Mannheim e Pforzheim, na Alemanha, provando que o veículo criado por Benz poderia realmente funcionar na prática.

        Outra contribuição importante veio de Mary Anderson, que em 1903 patenteou o limpador de para-brisa. A ideia surgiu após perceber que motoristas precisavam parar frequentemente para limpar o vidro durante dias de neve. Hoje, o dispositivo é obrigatório em qualquer veículo.

        Já Margaret Wilcox desenvolveu um dos primeiros sistemas de aquecimento automotivo, utilizando o calor gerado pelo motor para aquecer o interior do carro, algo que ajudou a tornar os veículos muito mais confortáveis em regiões frias.

        São contribuições que muitas vezes passam despercebidas, mas que ajudaram a moldar o automóvel como o conhecemos hoje.

        O olhar feminino também dentro das redações

        Hoje, cada vez mais mulheres também estão ao volante, e não apenas dirigindo, mas analisando, testando e produzindo conteúdo sobre carros.

        São inúmeras profissionais que trazem esse olhar para dentro do setor automotivo. Prefiro nem citar nomes com medo de cometer uma gafe e acabar esquecendo alguém, mas é impossível não perceber como essas vozes têm se tornado cada vez mais presentes. E, além disso, tornado o setor automotivo algo muito mais plural, e consequentemente gerando mais conexão com o público.

        No meu caso, a relação com o setor automotivo começou de uma forma até curiosa. Costumo brincar que caí nesse segmento meio de paraquedas.

        Antes de trabalhar com carros, eu não era exatamente aquela pessoa apaixonada pelo assunto desde criança. Mas depois que entrei nesse universo, fui estudando, entendendo e mergulhando cada vez mais nesse mercado. Hoje, não me vejo fazendo outra coisa.

        Uma coisa é clara: dentro do jornalismo automotivo, existem diferentes formas de olhar para o mesmo carro. Há quem tenha uma abordagem mais técnica, quem prefira traduzir informações de forma mais simples para quem não é especialista, e também quem busque analisar os veículos a partir da experiência de uso no dia a dia.

        E isso faz sentido. Assim como existem diferentes tipos de consumidores, também existem diferentes formas de contar histórias sobre carros. E as mulheres por trás desses conteúdos fazem isso com maestria.

        Saiba mais:

                Que o futuro do setor tenha cada vez mais nomes femininos

                O setor automotivo sempre foi construído por muitas pessoas diferentes, incluindo mulheres, mesmo que nem todas tenham recebido o mesmo reconhecimento ao longo da história.

                As pioneiras do passado ajudaram a desenvolver tecnologias que até hoje fazem parte dos carros. As profissionais de hoje continuam contribuindo para definir os próximos passos da mobilidade.

                E é difícil não torcer para que o futuro da indústria também abra espaço para muitas outras mulheres. Que o setor automotivo esteja cada vez mais aberto a receber outras Berthas, outras Margarets, outras Marys. Que também surjam outras Fabianas, outras Stellas.

                E que, com o tempo, a presença feminina dentro da indústria automotiva deixe de ser vista como algo diferente, passando a ser apenas algo natural dentro de um setor que, na prática, sempre contou com a contribuição delas, mesmo que nem sempre essa história tenha sido contada.

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