Dia dos Namorados é sempre tempo de trocar juras de amor e demonstrações de carinho. Curiosamente, também há namoro de montadoras de automóveis, e muitos desses relacionamentos terminaram em casamentos. Bem-sucedidos, diga-se de passagem.
A mais recente é a Stellantis, um namoro fruto de outros... casamentos. Mas vamos até separar os relacionamentos que culminaram no quarto maior grupo automotivo do mundo para ficar mais claro. Entre os namoros de montadoras que deram certo, tem também união de coreanas e até um ménage à trois global, mas tudo sem saliências. Será que todos viverão felizes para sempre?
Como dito, vamos mostrar os relacionamentos prévios que resultaram na Stellantis. Depois de se dar bem no namoro com a General Motors, no início do século, a Fiat arrumou a casa, voltou a operar no azul e passou a flertar com outra norte-americana: a Chrysler. Esta vinha de um divórcio com seus filhos (Jeep, Dodge e RAM) meio traumático com a Daimler (dona da Mercedes-Benz).
O relacionamento entre os dois conglomerados começou no início dos anos 2010 e logo deu "match". Até surgiu o primeiro filho do namoro entre as montadoras, antes mesmo do matrimônio, o Freemont, a versão da marca italiana para o Dodge Journey. O casamento foi consumado em janeiro de 2014, quando a Fiat comprou, de fato, a Chrysler e formou a FCA, com 10 marcas.
Quem não sonha em ir a Paris e se apaixonar com a Torre Eiffel ao fundo ou o Palácio de Versailes, ou pedir o seu amor em casamento do alto de Montmartre? Nada melhor que a França para ter um cenário romântico, que serviu também para duas marcas emblemáticas de lá se unirem.
O namoro entre as montadoras Peugeot e Citroën começou na década de 1960, é verdade, depois que os dois tradicionais fabricantes se tornaram sociedades anônimas. O casamento foi realizado em 21 de outubro de 1976, com a formação da PSA Peugeot Citroën.
Bom salientar que por muitos anos a holding teve um relacionamento, digamos, aberto. Volta e meia formavam um triângulo amoroso através de parcerias automotivas temporárias. Nos anos 2000, um acordo com a Toyota resultou na linha de subcompactos Yago, 107/1007 e C1.
Os primeiros filhos SUVs das francesas também foram resultados de um relacionamento a três, só que com outra japonesa, a Mitsubishi. Em 2004 nasceram o Peugeot 4007 e o Citroën C-Crosser, irmãos do Outlander. No Brasil, teve namoro em quarteto: a fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG) fazia as vans Daily, Ducato (Fiat), Jumper (Citroën) e Boxer (Peugeot).
Há quatro anos, o casal resolveu fazer uma adoção importante. A PSA adquiriu a Opel, então dispensada pela General Motors, e sua divisão britânica Vauxhall. Naquele momento, o grupo francês se tornou o maior fabricante de veículos da Europa. Agora, todos são partes da grande família Stellantis.
As duas sul-coreanas eram solteiríssimas até o fim dos anos 1990. Maior fabricante do país asiático, a Hyundai é até uma marca novata, nasceu em 1967. E por muito tempo teve apenas namoros passageiros, com Ford e Mitsubishi, para fazer seus carros. Só mesmo na década de 1980 é que a montadora passou a desenvolver projetos próprios e, posteriormente, motores.
A Kia é mais madura. Surgiu em 1944, só que como fabricante de bicicletas. Desde os anos 1970 constrói veículos motorizados de fato - antes, chegou a montar triciclos e scooters. Teve mais flertes com a Ford e a japonesa Mazda, mas ficou na rua da amargura e à beira da falência.
Em 1998, o pedido de casamento veio da então maior rival, que comprou 51% das ações da marca. Desta forma, surgiu o Hyundai Kia Automotive Group, o quinto maior conglomerado da indústria automobilística no mundo - perdeu a quarta posição após a formação da Stellantis.
Um daqueles relacionamentos abertos onde o casal vai "morar junto", em uma comparação bem superficial. Assim pode ser definida o namoro entre as montadoras francesa e japonesa. Em 1999, as duas marcas juntaram os trapinhos para a formação de uma aliança. A ideia era compartilhar plataformas e projetos para diluir custos. Mas aliança no dedo, mesmo, nunca teve.
É aquela história dos pombinhos apaixonados, mas que enrolam e enrolam para casar. Os planos de casamento (ou seja, de uma fusão de fato) sempre ficaram só na promessa. Inclusive, a união formal das montadoras foi descartada recentemente, mas ainda moram juntas. E ainda abriram a relação em 2017, com a chegada da Mitsubishi - a Nissan assumiu o controle da conterrânea.
A ideia é continuar nesta amizade colorida. O objetivo do grupo é manter o formato de aliança e dividir os custos da casa com compartilhamentos de plataformas, motores e tecnologias. Só que com cada marca no seu canto e com foco onde é mais forte: Nissan com SUVs, Renault com carros de passeio e Mit com veículos 4x4.
Depois da crise financeira global de 2008, a tradicional marca referência em segurança estava meio sem pai nem mãe. O Grupo Ford não dava mais a atenção devida a muitos de seus filhos, como a Volvo - Land Rover, Jaguar e Aston Martin já tinham sido negociadas. E de onde menos se esperava veio um pedido de casamento à sueca.
Em 2010, a Zhejiang Geely Holding, maior fabricante de automóveis privado da China, levou a Volvo Cars para o altar. Pagou um dote de US$ 1,8 bilhão e resultou em um dos namoros de montadoras que deram certo, mas muito certo.
Em 10 anos de matrimônio, a Volvo dobrou de tamanho. E passou a fazer jus à fama de marca premium, com carros ainda mais sinônimos de tecnologia de segurança e com nível de construção já comparáveis aos alemães de luxo.