O objetivo, sem dúvida, tem apelo. Oficinas independentes representadas pelo Sindicato da Indústria da Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo (Sindirepa-SP) e o Sindirepa Brasil decidiram, em 2022, iniciar uma campanha pelo direito de escolha do proprietário de veículo em procurar uma concessionária ou uma oficina independente para revisar ou consertar seu veículo.
Nos EUA essa reivindicação começou há 13 anos e na Europa, pouco depois, mas sem uma pacificação total. Porém, em outros aspectos os fabricantes não deixam de ter também sua razão. Não se trata apenas de segredos industriais envolvidos, que existem mesmo.
Torna-se necessário organizar as informações e, em especial, dar acesso a recursos exigidos para diagnóstico de falhas eletrônicas. As concessionárias têm responsabilidades sobre estes dados e equipamentos, em geral caros, além de exigirem treinamentos específicos.
Os carros de hoje são bem mais complexos do que os do final do século passado. Treinar a mão de obra das 8.225 concessionárias filiadas à Fenabrave tornou-se um desafio e tanto. No entanto, afirma o Sindirepa-SP, existem 118 mil oficinas no Brasil.
São 15 oficinas para cada concessionária. Organizar tudo isso exigiria muito tempo e investimentos de alta monta. Oficinas pequenas não dispõem de fôlego financeiro para adquirir aparelhos de diagnóstico sofisticados.
Há um projeto de lei na Câmara dos Deputados que obriga fabricantes e importadores a disponibilizar manuais de reparo, em site próprio, além de equipamentos de diagnósticos (hardware e software), com intuito de garantir condições para consertos em oficinas independentes. Se aprovado, ainda terá de ser avaliado pelo Senado.
Mais do que óbvio que tudo isso envolve custos. Mesmo com aprovação da lei, os preços definidos pelos fabricantes podem se tornar proibitivos para a grande maioria daquelas quase 120 mil oficinas.
Os Sindirepas chamam atenção sobre dispositivos de segurança (firewall) nas centrais eletrônicas dos motores modernos. Isso aumenta as dificuldades de acesso aos diagnósticos, sem os quais as reparações ou os consertos não podem ser executados de forma adequada. Impasse difícil de solucionar.