Um sinal positivo é o fim, agora em 31 de janeiro, das cotas de importações de veículos semidesmontados (SKD) isentos de imposto de importação. Os produtores de autopeças brasileiros ficariam alijados com prejuízos para geração de empregos no País. Anfavea não citou agora qual empresa estaria tentando esticar os prazos para manter importação de carros praticamente prontos (SKD), sem nenhum imposto. Este é um processo produtivo aceitável apenas para baixos volumes e sondagem de mercado, segundo a entidade.
No entanto, é a BYD que defende a extensão deste privilégio inicial, embora tenha feito duas “inaugurações” da sua fábrica em Camaçari (BA). A empresa chinesa não precisa de mais estímulos do que já recebeu (e ainda recebe) com uma linha de produtos competitiva e de boa aceitação. A partir de maio ou junho próximos, promete iniciar a produção efetiva, embora sem prensas no local. Em 2025, importou e estocou milhares de veículos com impostos vigentes muito menores, especialmente elétricos, algo que nenhuma outra marca tinha condições de acompanhar. Costuma-se chamar isso de dumping ou prática comercial predatória. O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), assinado agora após 26 anos e com participação de vários governos brasileiros anteriores, poderá abrir novas perspectivas para a indústria automobilística. Possibilitará planejar uma integração produtiva com as marcas europeias, que sempre tiveram forte presença industrial no Brasil. O processo, entretanto, será lento (15 anos), embora bem-vindo. Todavia, ainda enfrenta resistências na UE.
Desafio ainda maior é o chamado imposto seletivo, criado pela recente reforma tributária, que irá atingir as vendas de automóveis. A carga fiscal, historicamente muito elevada, está bastante acima dos padrões internacionais. Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, “falta apenas um ano para o início da cobrança deste novo imposto, o que dificulta o planejamento dos fabricantes”.
Em 2025, esta foi a repartição das vendas: gasolina, 4,5%; elétrico, 3,1% (2,5%, em 2024); híbrido, 4,3%; híbrido plugável, 3,7%; diesel, 10%; flex, 74,4%.
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