A Ford revelou novos detalhes sobre a picape elétrica média que prepara para lançar em 2027. O modelo será o primeiro produzido com a nova Plataforma Universal de Veículos Elétricos da marca e agora teve parte de seu desenvolvimento técnico revelado, incluindo soluções inspiradas na Fórmula 1 para melhorar a eficiência energética.

Segundo a fabricante, o projeto busca otimizar principalmente a aerodinâmica do veículo, um fator essencial para aumentar a autonomia em carros elétricos.
A meta é que a nova picape tenha eficiência aerodinâmica cerca de 15% superior à de outras picapes disponíveis atualmente no mercado.
Para alcançar esse resultado, a Ford aplicou no desenvolvimento do modelo um conceito comum no automobilismo: "falhar rápido para aprender mais rápido", uma estratégia que permite testar diferentes soluções em ritmo acelerado.
Como já antecipado aqui no WM1, a futura picape elétrica será o primeiro modelo construído sobre a nova plataforma dedicada da marca para veículos elétricos. Anunciada em 2025, essa arquitetura foi projetada para reduzir custos de produção e aumentar a eficiência.
Segundo a Ford, a estrutura usa 20% menos peças que um veículo convencional, além de ter 25% menos fixadores e exigir 40% menos estações de trabalho na linha de montagem. Com isso, o tempo de produção também deve ser mais rápido.
Outro destaque é o uso de baterias prismáticas de fosfato de ferro-lítio (LFP), que dispensam o uso de cobalto e níquel. Além de mais baratas, elas prometem maior durabilidade e ajudam a reduzir o peso total do veículo.
A bateria também faz parte da estrutura do carro, funcionando como um elemento estrutural no assoalho. Isso reduz o centro de gravidade e melhora tanto a estabilidade quanto o espaço interno.
A nova picape elétrica será produzida na fábrica da Ford em Louisville, nos Estados Unidos, que receberá investimentos de cerca de US$ 2 bilhões para a produção do modelo.
Um dos diferenciais do projeto é o uso intensivo de ferramentas de desenvolvimento inspiradas nas competições. Mais da metade da equipe responsável pela aerodinâmica do modelo veio do universo da Fórmula 1.
Diferentemente do que costuma acontecer no desenvolvimento de carros de produção, o túnel de vento foi usado desde o início do projeto, e não apenas nas fases finais de validação do design.
Para acelerar os testes, os engenheiros usaram uma estrutura modular semelhante a um "Lego", que permite trocar rapidamente peças do veículo. Diversos componentes foram produzidos em impressoras 3D, o que facilitou o teste de milhares de variações de design em pouco tempo.
Além disso, ferramentas digitais foram desenvolvidas para analisar em tempo real os dados obtidos no túnel de vento e compará-los com simulações feitas em computador.
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Durante os testes, os engenheiros identificaram diversas soluções capazes de melhorar a eficiência aerodinâmica da picape. Uma delas envolve o desenho da linha do teto, que cria uma espécie de "superfície virtual" sobre a caçamba.
Na prática, isso faz com que o fluxo de ar passe por cima da traseira do veículo como se ela fosse parte de uma carroceria contínua, reduzindo turbulências.
Outra solução envolveu o redesenho dos espelhos retrovisores. Ao integrar duas funções do componente em um único atuador, a Ford conseguiu reduzir seu tamanho e melhorar o formato aerodinâmico. A mudança, sozinha, adiciona cerca de 2,4 quilômetros de autonomia.
O assoalho também recebeu atenção especial. Elementos como parafusos e suportes foram redesenhados para reduzir turbulências, enquanto o fluxo de ar foi direcionado de forma estratégica ao redor das rodas.
Segundo a Ford, com todas essas melhorias combinadas, a nova picape poderá ter até 80 quilômetros a mais de autonomia em comparação com uma picape convencional com o mesmo conjunto de baterias.
Saiba mais:
Apesar de revelar detalhes do desenvolvimento do projeto, a Ford ainda não divulgou mais detalhes sobre o projeto. A expectativa é que o modelo seja lançado globalmente em 2027 e marque o início de uma nova família de veículos elétricos da marca baseados na mesma plataforma.