No Brasil, picape sempre foi sinônimo de motor diesel, robustez e trabalho pesado. Mas a eletrificação começou a atravessar essa fronteira — ainda de forma tímida, é verdade, mas já com propostas bem distintas.

Hoje, o mercado brasileiro tem apenas três picapes híbridas à venda. Têm a eletrificação em comum, mas param por aí. São propostas diferentes, tecnologias diferentes e até estratégias e públicos distintos. Estamos falando de Ford Maverick Hybrid, BYD Shark e Foton Tunland. E entender o que cada uma entrega é essencial.
A Maverick é voltada para a eficiência urbana, a Shark tenta seduzir com potência e eletrificação profunda, e a Tunland combina diesel com auxílio elétrico e uso mais comercial.
A Maverick custa R$ 239.900, mesmo valor da versão Tremor. É, claramente, a mais “SUVizada” das três. A proposta nunca foi ser uma picape bruta de trabalho extremo, mas sim unir versatilidade de caçamba com conforto e dirigibilidade de utilitário esportivo.
Na linha 2025, atualizada em novembro, ficou mais refinada. Ganhou rodas de 19 polegadas, teto solar elétrico, capota marítima de série, painel digital de oito polegadas, central multimídia de 13,2 polegadas, som premium Bang & Olufsen e câmera 360°.
O pacote de segurança também evoluiu, com piloto automático adaptativo com Stop & Go, assistente de permanência e centralização em faixa e monitoramento de ponto cego.
No conjunto mecânico, combina o motor 2.5 a gasolina ciclo Atkinson de 162 cv de potência com um motor elétrico mais potente que o anterior, com 140 kW e 32,6 kgfm do torque. A potência combinada chega a 194 cv, com câmbio eCVT e, agora, tração AWD inteligente sob demanda. Em performance, o zero a 100 km/h é em oito segundos.
A bateria é pequena, de 1,1 kWh, porque o conjunto não é híbrido plug-in. O objetivo é ter eficiência contínua, com consumo de 15,4 km/l na cidade e autonomia superior a 800 quilômetros.
A caçamba da Maverick tem capacidade para 943 litros, ou 584 kg. O sistema “Flexbed” com oito pontos de fixação, encaixes para divisórias, nichos com tampa, iluminação e pré-fiação elétrica de 12 Volts atende diferentes necessidades.
Talvez seja a picape híbrida mais racional do trio, voltada para quem usa no dia a dia urbano, mas quer alguma versatilidade.
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Se a Maverick é equilíbrio, a Shark é ruptura. A picape da BYD foi lançada em outubro de 2024 por R$ 379.800. Hoje custa R$ 344.990. Ou seja, ficou aproximadamente R$ 34 mil mais barata desde o lançamento. Em um mercado que normalmente só vê reajustes para cima, isso é um dado relevante.
A Shark inaugurou no Brasil o segmento das picapes super-híbridas plug-in. E aqui a eletrificação é bem mais profunda. O conjunto combina um motor 1.5 turbo com motores elétricos e a bateria Blade de 29,6 kWh. A potência combinada chega a 437 cv e o torque é de 65 kgfm. O zero a 100 km/h acontece em apenas 5,7 segundos.
Segundo o Inmetro (PBEV), a picape da BYFD registra 24,6 km/le na cidade e 19,9 km/le na estrada. Além disso, pode rodar até 100 quilômetros no modo 100% elétrico.
Mas não é só força. A Shark também tem um bom nível de tecnologia, com head-up display, pacote ADAS completo, câmera 360°, sistema VtoL (que permite usar a bateria para alimentar equipamentos externos) e três tomadas na caçamba.
A picape tem capacidade de carga de 790 kg, reboca até 2.500 kg e tem caçamba para 1.200 litros.
Se a Maverick conversa com o público urbano, a Shark busca atrair quem quer eletrificação real, desempenho forte e um pacote tecnológico acima da média.
A Tunland talvez seja a mais curiosa das três picapes híbridas. A Foton é uma marca global conhecida por caminhões e veículos comerciais. Em junho de 2025, decidiu entrar no segmento de picapes médias no Brasil com a Tunland, vendida nas versões V7 e V9.
Quando foi lançada, custava R$ 279.990 na versão de entrada e chegava a R$ 299.990 na topo de linha. Hoje, oito meses depois, os preços são R$ 289.900 e R$ 309.900, respectivamente. Ou seja, houve aumento nos preços desde a estreia no mercado brasileiro.
Diferentemente das outras duas, aqui temos um sistema híbrido diesel/elétrico de 48 Volts (mild hybrid), fornecido pela Bosch. Não é plug-in e não roda em modo 100% elétrico. O sistema auxilia o motor 2.0 turbodiesel, que tem 175 cv de potência e 45,4 kgfm de torque, com câmbio automático ZF de oito marchas e tração 4x4.
A V7 é mais voltada para o uso pesado, com suspensão traseira por feixe de molas. Já a V9 prioriza o conforto, com suspensão traseira independente e pacote ADAS mais amplo.
Por dentro, chama atenção pelo tamanho das telas: painel digital de 12,3 polegadas e multimídia de 14,6 polegadas. A garantia de até 10 anos também é um diferencial relevante para uma marca ainda pouco conhecida no Brasil.
As capacidades impressionam: até 1.050 kg de capacidade de carga e 1.379 litros de capacidade volumétrica.
Das picapes híbridas, é a mais voltada para o público comercial e de trabalho pesado, mas já trazendo um toque de eletrificação e tecnologia.