Pelo menos nos EUA, onde está a maior frota circulante do mundo - com 290 milhões de veículos (seis vezes mais que o Brasil) -, boa parte dos consumidores criticam o sistema que desliga automaticamente o motor do veículo em paradas nos sinais vermelhos e congestionamentos.
O start-stop (sistema que desliga e liga automaticamente o motor) foi criado para economizar combustível em veículos de passageiros e comerciais leves. Seu uso acabou sendo incentivado na pressão regulatória para reduzir emissões de CO² (gás de efeito estufa), tanto nos EUA quanto na União Europeia simultaneamente.
A Agência de Proteção Ambiental (EPA), apesar de aprovar, nunca exigiu formalmente o sistema em suas regulamentações. Entretanto, incentivou os fabricantes a equipar os veículos com um crédito extra por economia de combustível. O subsídio pela instalação do sistema rendia aos fabricantes US$ 30 (R$ 160) por veículo.
Em julho último, este crédito foi eliminado pelo governo americano, enquanto a EPA prometeu reconsiderar os padrões de economia de combustível e emissões de gases de efeito estufa que possibilitavam os referidos créditos. A decisão logo gerou polêmica e várias manifestações na rede social Reddit.
Enquanto os defensores da proteção ambiental condenam a determinação, os críticos do sistema "start-stop" aplaudem ao afirmar que o governo deveria parar de subsidiar um recurso automotivo que "todo mundo odeia".
Mas, em termos práticos, o sistema é utilizado pelos fabricantes para atender basicamente aos padrões corporativos de economia média de combustível.
Com base em dados da Sociedade de Engenheiros Automobilísticos (SAE) fundada em 1905, nos EUA, esse sistema pode melhorar a economia de combustível entre 3% e 10% em congestionamentos urbanos e rodoviários. Depende também da cilindrada e potência do motor.
Estudos realizados pelo Departamento de Energia dos EUA e pelo Laboratório Nacional Argonne, no início dos anos 2000, indicaram que um veículo a gasolina típico queimava cerca de um a dois litros de combustível por hora em marcha lenta. O desenvolvimento dos sistemas start-stop foi incentivado para eliminar esse desperdício.
Mas será que a tecnologia start/stop realmente reduz o consumo de combustível naquele nível? Em teste realizado pelo site Engineering Explained (Engenharia Explicada, em tradução livre), o blogueiro e engenheiro mecânico Jason Fensk, mostrou que há benefício palpável somente quando o carro fica parado por longos períodos com o motor em marcha lenta, em congestionamentos ou semáforos de longa duração. No entanto, nas paradas breves, o benefício é imperceptível.
Também em relação às emissões de CO² existem contestações: "É discutível", afirma Cooper Ericksen, vice-presidente sênior de Produto, Veículos elétricos a bateria, Planejamento e Estratégia de mobilidade da Toyota dos EUA. Este, por sinal, é o mote de Lee Zeldin, da EPA, afirmando que o recurso oferece benefícios mínimos em termos de emissões de carbono e não deve ser subsidiado.
Zeldin, entretanto, exagera ao afirmar que "todo motorista odeia" o sistema. Mas é verdade que há um grande número de motoristas críticos da tecnologia. Pesquisa de uma seguradora inglesa, que entrevistou mais de dois mil motoristas no Reino Unido em 2024, constatou que 27% não usam o start-stop com frequência porque o consideram "extremamente irritante".
Essa também é a principal queixa dos motoristas nos EUA. O sistema também apresenta falhas de funcionamento, principalmente em temperaturas extremas de frio e calor. Às vezes demora para responder ao comando do motorista ao relaxar o pedal do freio e também dá solavancos na reativação do motor.
Há queixas com relação a panes provocadas por defeitos comuns como bateria fraca, problemas nos sensores, substituição incorreta da bateria (com especificação mais robusta) e até falhas de software. Tudo isso incentiva a desativação do sistema pelos usuários.
Os fabricantes permitem que os motoristas desativem o sistema start-stop por meio de um comando específico no painel ou na tela de infotenimento. Porém, é apenas um paliativo, já que o sistema volta a ser reestabelecido automaticamente quando o motorista retoma a aceleração, o que obriga a desativar o sistema toda vez que o veículo recomeça a rodar.
Isso, inclusive, incentivou o lançamento de sistemas de desativação total fornecidos no mercado paralelo. Mas muitos destes acessórios também não conseguem atender todos os desejos dos motoristas. Até o momento não está muito claro o que farão os
fabricantes, enquanto a EPA se recusou a fornecer pormenores sobre como planeja rever seus processos em relação a tecnologia start-stop.
Aproveite também:



Email enviado com sucesso!