O estudo definiu que veículos com grandes pontos cegos do lado do motorista aumentam em 70% o risco de atropelamento nas conversões à esquerda. Já pontos cegos do lado direito não tiveram impacto significativo no risco de atropelamentos, quando nas conversões à direita. Foram analisados também outros elementos de design que poderiam comprometer a visibilidade do motorista. Para isso, utilizaram-se câmeras desenvolvida por engenheiros do IIHS. Mediram-se os pontos cegos de 168 modelos comercializados no mercado americano, a partir da perspectiva de motoristas de estatura média (1,75 m) e de baixa estatura (1,50 m).
Os pesquisadores definiram como grandes as zonas cegas que bloqueavam um ângulo superior a 30% da visão do lado do motorista e como médias as que impediam entre 20% e 30%. Já aquelas com menos de 20% foram definidas como pequenas.
Altura do motorista faz zona cega variar
A zona cega do lado do motorista reduz em 27% a área à esquerda e à frente do veículo para os motoristas de 1,75 m. Quanto ao motorista de 1,50 m, o bloqueio aumenta para 33%. Sobre o tamanho médio do para-brisa, o campo de visão atinge 88 graus para motoristas de ambas as alturas. Porém, o ponto visível mais próximo no solo estava em média 7,9 metros à frente para o motorista mais alto e a 9,1 metros de distância para o mais baixo.A visão frontal com 85 graus ou menos também foi associada a um aumento de 51% no risco de acidentes em conversões à esquerda, em comparação com um campo de visão frontal superior a 90 graus. Já os pontos cegos médios do lado do motorista foram associados a um aumento de 59% no risco de colisões em conversões à esquerda.
Para chegar a essa estimativa, os pesquisadores contaram quantas vezes um veículo, em cada uma das três categorias de ponto cego (pequeno, médio e grande), atingiria um pedestre ao virar à esquerda e quantas vezes um veículo do mesmo grupo atingiu um pedestre ao seguir em frente.
Em seguida, compararam as proporções de acidentes em conversões à esquerda, em relação aos acidentes em linha reta para cada grupo. Também foram incluídas colisões em linha reta para ajudar a contabilizar a frequência com que os veículos atropelaram pedestres, independentemente dos pontos cegos do lado do motorista. Quando o ponto visível mais próximo fica mais distante, uma maior parte da zona cega fica diretamente à frente do motorista.
"Quando a visão está parcialmente obstruída, é fácil para uma pessoa na faixa de pedestres desaparecer do ângulo de visão do motorista", detalha Wen Hu, engenheiro do IIHS e principal autor do estudo. "Esse é exatamente o tipo de situação que provoca atropelamentos em conversões".
SUVs e picapes de novo na berlinda
A tendência de veículos com frentes mais altas e robustas, especialmente SUVs e picapes, também amplia os riscos. Estes têm colunas dianteiras volumosas e inclinadas, espelhos retrovisores laterais de grandes dimensões, além de capôs altos e longos, que reduzem o ângulo de visão do motorista. Assim, há maior probabilidade de atropelar pedestres nas conversões.Contudo, algumas das características dos veículos que aumentam o tamanho dos pontos cegos também os tornam mais seguros. As colunas dianteiras volumosas contribuem para a resistência do teto e protegem os ocupantes em colisões ou capotamento. Capôs longos proporcionam maiores zonas de deformação programada para absorver forças de impactos frontais. Veja também
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Semáforos podem ser configurados para permitir que pedestres comecem a atravessar alguns segundos antes que o sinal fique verde para os veículos. Motoristas veriam que há alguém na faixa de pedestres, antes de começarem a virar. A seguir, principais métricas para o risco de atropelamento de pedestres em conversões à esquerda. O sombreamento representa áreas ocultas da visão do motorista devido aos componentes do veículo.
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