É quase impossível ficar indiferente ao charme de um carro conversível. Cada vez mais raros nas ruas brasileiras - devido aos altos preços e à insegurança das grandes cidades -, esses modelos proporcionam uma experiência única ao volante quando utilizados com a capota aberta em uma estrada num dia ensolarado.
Vamos deixar um pouco de lado a sensação de dirigir com os cabelos ao vento e abordar questões técnicas desses modelos: os conversíveis são tecnicamente controversos quando comparados com as versões de teto fechado. Muita gente pensa que basta cortar a capota de um cupê e pronto, mas o processo é bastante complexo.
Praticamente todos os carros de passeio atuais são construídos com estrutura monobloco. Além de viabilizar e reduzir os custos de produção, a maior parte dos componentes dessa concepção tem funções estruturais em sua deformação nas acelerações, nas frenagens, nas curvas e na absorção de impactos em capotamentos e colisões.
Somente peças móveis, como capô, portas e tampa do porta-malas, não cumprem o papel de elementos estruturais da carroceria.
No caso dos conversíveis, o teto retrátil (geralmente revestido de tecido, mas pode ser todo feito de metal) também não serve como reforço estrutural, diferentemente do que ocorre com os carros totalmente fechados.
Uma forma simples de entender como isso funciona é pensar em uma caixa de sapatos como se ela fosse a carroceria monobloco de um automóvel. Essa estrutura está sujeita às torções e deformações provocadas pelas arrancadas, frenagens e mudanças de direção.
Com a tampa, a caixa fica mais rígida e resistente às deformações. Se tirarmos a tampa, a situação muda completamente: a caixa fica mais maleável e frágil.
Um monobloco de pouca rigidez torcional compromete o comportamento do veículo, o que afeta a estabilidade, o nível de ruído e também provoca o desalinhamento das portas e peças de acabamento. Em casos mais extremos, a movimentação da estrutura chega a trincar os vidros do carro.
Para “compensar” a falta dessa estrutura na capota, as montadoras aplicam uma série de reforços diretamente no monobloco, o que resulta em um aumento de peso em relação ao mesmo modelo com carroceria cupê ou sedã. Esses quilos extras, consequentemente, podem influenciar negativamente no consumo e no desempenho do carro.
Para efeito de comparação, o Audi A3 Cabriolet pesa 1.430 kg ante os 1.295 kg da versão sedã com a mesma motorização.
No entanto, alguns modelos podem “engordar” menos com a aplicação de materiais nobres, como aços de alta resistência e até mesmo fibra de carbono.
Além do peso maior, o desempenho dos conversíveis também sofre influência da aerodinâmica. A velocidade máxima desses carros é, em média, 30 km/h inferior à dos similares fechados.
É comum chamar todo carro de teto retrátil de conversível, mas o termo é mais indicado aos modelos de quatro ou cinco lugares. Os roadsters são, especificamente, pequenos conversíveis de proposta mais esportiva e com capacidade para até dois ocupantes.
Os targa, por fim, diferenciam-se pelo arco estrutural na coluna B e vigia traseira fixa (geralmente de vidro), como o Porsche 911 Targa (foto abaixo).