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Honda Prelude: a eletrificação tem personalidade

Aceleramos em Interlagos o icônico cupê híbrido da marca japonesa que chega com com 203 cv e preço de R$ 380 mil

por Marcelo Monegato

Quando uma pessoa disser para você que a eletrificação é chata e sem personalidade, pergunte se ele conhece ou já ouviu falar da sexta geração do Honda Prelude. Se ele disser que não, então mande o link dessa reportagem para ele por WhatsApp com um recadinho: "acho que você pode estar errado".

O novo Honda Prelude chega oficialmente ao Brasil, após ter sido apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo no ano passado. A pré-venda é realizada com exclusividade pela Webmotors, o maior marketplace automotivo da América Latina, e o preço parte de R$ 380 mil - se estiver interessado, corra, porque os primeiros 50 compradores terão uma série de benefícios, desde acessórios até facilidades na contratação do seguro.

Mas vamos falar do carro, que é o que realmente importa nessa matéria...



Na segunda-feira (24/08), a Honda convidou alguns jornalistas para conhecer em primeiríssima mão o Prelude 2026 em um lugar que 101% do total de pessoas que gostam de dirigir respeita, admira e aprecia: o Autódromo Internacional de Interlagos, em São Paulo (SP). E eu tive o prazer de representar o WM1 nessa missão "ingrata" #sqn.

Depois de uma apresentação técnica, dados históricos do carro e um almoço delicioso com Beef Wellington (nunca tinha comido, e achei excelente), fui da torre de controle do autódromo para uma área de segurança na parte interna da pista, na altura da curva do Laranjinha.

Confesso que o Prelude, no Salão do Automóvel, não me chamou tanta atenção. Mas conversando com alguns colegas jornalistas, eu era a exceção. Todos já tinham reparado algo que só fui perceber quando fiquei alguns minutos isolado com o cupê: sobra, realmente, personalidade ao Honda.

A carroceria, que remete a uma gota, com a dianteira bem afiada e uma queda suave - porém marcante - da traseira faz do Prelude um carro único no mercado brasileiro. E aqui não estou falando sobre ser bonito ou feio: gosto, desde a criação do universo, não se discute.



O porte é compacto. São somente 4,52 metros de comprimento, com 2,60 metros de distância entre os eixos. Com balanços dianteiro e traseiro curtos e belas rodas pretas de 19 polegadas calçadas com pneus 235/40 R19, o Prelude transmite força - mesmo a carroceria não apresentando vincos marcantes.

Em poucos minutos é minha vez de acelerar. Rapidamente me encontro ao volante. A coluna de direção tem regulagens de altura e profundidade e o banco, ajustes mecânicos. Você deve estar se perguntando: "por R$ 380 mil os comandos poderiam ser elétricos". Sim e não. Pensando apenas no valor, concordo. Pensando que a esportividade pede muitas vezes esse jeito "raiz" de arrumar o assento, discordo.

Apesar do formato concha, o banco não é totalmente de competição, pois tem algo que o Prelude precisa entregar minimamente: conforto. A espuma é agradável e as abas laterais, tanto do encosto das costas quanto do assento, são altas.

Curiosidade: o banco do passageiro parece ser igual, mas não é. De acordo com a Honda, as abas do assento são menores, para facilitar a saída, e a espuma é mais confortável. Como estou interessado em acelerar, vou confiar nas infos da Honda...rs



Honda Prelude no templo do automobilismo mundial

Quando entro no carro, é possível ouvir o motor a combustão funcionando. Aperto o botão "D" no console central - sim, o Prelude não tem alavanca de câmbio, mas botões seletores - e simplesmente tudo fica em silêncio. Brinco com o instrutor: "acho que morreu!" Damos uma risada amarela, já que a piada não teve a menor graça, e acelero para ganhar a pista.

O Prelude usa um sistema híbrido de propulsão, com um motor a combustão 2.0 aspirado a gasolina que gera 143 cv de potência máxima a 6.000 rpm e torque de 18,5 kgfm a 4.500 rpm, e outros dois motores elétricos. Um funciona apenas como gerador para recarregar a bateria, e o segundo entrega 184 cv entre 5.000 e 6.000 rpm e torque de 32,1 kgfm a 0 (zero) rpm. Juntos, os três propulsores cravam 203 cv de potência máxima combinada.



Mas o segredo dessa tecnologia híbrida da Honda é que apenas o motor elétrico traciona as rodas. Ou seja: o torque é sempre de 32,1 kgfm e de forma instantânea. Isso garante boas acelerações e retomadas satisfatórias em baixas velocidades. Incrível como, rodando suave, o coração elétrico é protagonista e o motor a combustão se resume a ser mero "passageiro" no Prelude.

"Mas o motor a combustão não traciona as rodas?" A resposta é "sim!" Porém, apenas em velocidades altas e constantes, onde o motor térmico acaba oferecendo uma melhor eficiência energética do que o elétrico. De acordo com a Honda, o consumo do Prelude na cidade é de 17,9 km/l e, na estrada, 15,7 km/l - bons números.

Hora de aproveitar a pista. No seletor dos modos de condução no console central abandono o Comfort,  pulo a opção GT, ignoro completamente a Individual e seleciono a Sport. O Prelude não muda completamente de personalidade, mas tudo fica mais intenso. Acelerador mais sensível, direção mais direta, suspensão mais firme.



É neste momento que aciono o botãozinho mágico do cupê, o S+ Shift (S Plus Shift). Trata-se de uma tecnologia que me deixou realmente intrigado, pois simula trocas de marchas com ronco de motor - até mesmo nas reduções é possível ouvir um ponta-calcanhar -, mesmo o Prelude não tendo uma caixa de câmbio. Reconheço: achei sensacional!

Atrás do volante, duas aletas de alumínio passam a orquestrar o S+ Shift. "Monto" no freio na Junção, espeto "duas marchas" para baixo e cravo o pé no acelerador para seguir morro acima rumo à reta dos boxes. O comportamento do Honda é absolutamente neutro. A frente não arrasta e a traseira fica ancorada no asfalto.

Neste momento, sim, percebemos que os 203 cv de potência não são os 297 cv do Honda Civic Type R e o Prelude acaba não sendo assombroso. Entro na curva do Café com o pé cravado, mas me deparo com um "S" de cones montado para experimentar algo que o Prelude herdou do Type R: exatamente a mesma suspensão.



Independente nas quatro rodas, sendo McPherson na dianteira e multibraços na traseira, o Prelude parece um carrinho de autorama com cola nas rodinhas. Faço a mudança de uma direção para outra e o nível de obediência do Honda é impressionante. E o que me chama a atenção é que a relação do carro com o chão é tão sintonizada que nem mesmo os controles eletrônicos entram em ação. É preciso abusar muito para que a tecnologia interfira.

Cravo o pedal da direita novamente no assoalho e ganho a reta dos boxes. Freio na entrada do "S" do Senna e o Prelude, mais uma vez, é impecável.



Dou mais algumas voltas e vou ganhando confiança. As frenagens ficam cada vez mais em cima e os contornos das curvas, cada vez mais velozes. Aos poucos, os pneus começam a mostrar que a física existe e que leves abusos podem ser tolerados - mas apenas os leves.

Volto para o ponto de partida, em um local seguro, e me convenço de que o Honda Prelude 2026 terá espaço na garagem daqueles que acreditam que a eletrificação não é chata e que, sim, pode ter personalidade. E no caso deste cupê importado do Japão, a exclusividade também se fará presente. Seja na correria do dia a dia, seja se divertindo - indo até um bom restaurante ou se acelerando em uma pistinha...


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