Alguns carros saíram de cena e deixaram saudades. É o caso do antigo Volkswagen Tiguan R-Line. Uma máquina tão bacana de dirigir que até lembrava um Golf GTI - ainda que bombado e com tração integral. Mas aí o SUV médio passou por uma reestilização em 2024 e perdeu cavalaria e a tração integral. Podia até ser o mesmo carro e com a mesma "casca", mas não tinha o mesmo espírito.
E aí chegamos a 2026 e eu pude rodar cerca de 60 quilômetros com o Tiguan R-Line de terceira geração, que estreia no mercado brasileiro em configuração única, por R$ 299.990. E conto para vocês se esse é um substituto digno daquele SUV de pegada esportiva do passado. E mais: se tem força suficiente para brigar contra uma lista de concorrentes que não para de crescer.
Visualmente falando, esse novo Tiguan R-Line ainda é bem familiar. Do desenho das rodas de 19 polegadas às inconfundíveis linhas da dianteira e da traseira, esses detalhes fazem você reconhecer em segundos que esse é um típico SUV da Volkswagen.
Mas, tirando isso, não sobrou pedra sobre pedra na mudança de uma geração para outra. Lançada em 2024 no mercado internacional, essa terceira geração do SUV médio é nova desde a plataforma, chamada de MQB Evo. Uma atualização da base usada na geração anterior do modelo.
As dimensões também são diferentes: o novo Tiguan é ligeiramente mais curto que o antecessor (4,69 metros ante 4,72 metros), embora mantendo praticamente o mesmo entre-eixos de 2,79 metros. Por outro lado, o SUV de nova geração não tem mais os dois assentos adicionais no porta-malas. E, por falar no bagageiro, são 423 litros - capacidade apenas razoável para um carro desse porte.
Pode até não ser o carro mais espaçoso do segmento, embora seja bem amplo. Mas não dá para criticar a lista de equipamentos, que tem itens como bancos dianteiros climatizados, com ajustes elétricos, memória de posição e massagem, faróis de LED adaptativos, ar-condicionado automático de três zonas, teto panorâmico e tampa do porta-malas elétrica.
Já o pacote ADAS é completão. Tem desde o controlador adaptativo de velocidade e o monitor de pontos cegos, passando pelos assistentes de centralização e manutenção em faixa e um sistema de frenagem automática de emergência capaz de operar em velocidades de até 80 km/h.
Já nos primeiros minutos de convivência com o SUV da Volkswagen, o conjunto mecânico composto pelo motor 2.0 turbo a gasolina, de 272 cv de potência, câmbio automático de oito marchas e tração integral 4Motion faz você perceber que esse é um substituto digno para o antigo R-Line de tração integral.
O antigo R-Line podia até ser mais ligeiro - zero a 100 km/h e, 6,8 segundos, ante os 7,4 segundos do novo R-Line. Mas o que importa são as sensações. Mesmo no modo de condução mais voltado para a eficiência, o Tiguan responde rápido aos comandos no acelerador.
Aquela típica sensação de se estar ao volante de um - bom - Volkswagen. Direção direta - ainda que pudesse ser mais pesada no acerto mais confortável - e suspensão com bom equilíbrio entre conforto e estabilidade.
E tudo isso em uma cabine bem espaçosa e que surpreende pelo bom isolamento acústico e - mais ainda - pelas duas telas de alta resolução no painel, sendo uma de 10,25 polegadas para o quadro de instrumentos e outra de 15 polegadas para a multimídia.
Diria que é no interior realmente que o Tiguan se distancia bastante dos irmãos menores Taos e T-Cross.
O padrão de acabamento é bem refinado para a média da marca, com materiais macios ao toque em várias superfícies e até mesmo aplique de madeira no painel. Há ainda a opção de revestimentos em preço e cinza ou marrom e cinza, que é condicionada à cor a carroceria.
Muito satisfatório, ainda que em alguns detalhes fique atrás do antecessor. Saíram de cena, por exemplo, os porta-objetos acarpetados nas portas dianteiras.
E apesar de boa parte dos comandos estar concentrada na enorme tela central, o novo Tiguan é bem interativo. E contribui para isso o botão giratório multifuncional no console central. Basta um toque para alterar a funcionalidade do seletor, que também é visualmente bem interessante.
No geral, não diria que dá para chamar o esse novo Tiguan de premium. Mas esse SUV médio está bem mais perto dos modelos de prestígio do que do restante da gama da marca alemã no Brasil.
No final das contas, o carro é tão divertido que você nem se importa tanto com o fato de não ter mais a opção de sete lugares. E é justamente esse o ponto do novo Tiguan R-Line: mais emoção e menos racionalidade.
Na mesma faixa de preço, quem precisa dos sete lugares pode partir para um Jeep Commander Overland diesel ou flex. Já quem busca espaço interno e a eficiência de uma motorização híbrida plug-in tem como boas opções modelos como o GWM Haval H6 PHEV35 e o BYD Song Premium.
Esse Tiguan, por sua vez, parece que foi pensado exclusivamente para um público muito bem definido: aquela pessoa que era fã do antigo Tiguan R-Line com tração integral e havia ficado órfão do SUV de pegada esportiva.
Digo sem medo de errar que está entre as melhores opções de SUVs para encarar aquela estradinha sinuosa aos finais de semana. Afinal, nem tudo na vida precisa ser racional.
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