Embora o mercado interno de veículos leves e pesados tenha registrado, no mês passado, a segunda melhor média diária de vendas dos últimos 10 anos, a produção nos dois primeiros meses de 2026 recuou 8,9% para 368 mil unidades. Este resultado foi reflexo da queda de 28% nas exportações, especialmente para a Argentina.
As vendas no primeiro bimestre (nacionais e importados) tiveram leve recuo de 0,1%. O nível de estoques na soma dos pátios de fabricantes e concessionárias de todo o Brasil caiu de 57 dias em janeiro para 50 dias em fevereiro, um pouco acima do considerado normal.

Nas estatísticas da Anfavea, os estoques de produtos nacionais no mês passado eram de apenas 26 dias e os importados representavam 182 dias de vendas. Por trás destes 182 dias muito acima do razoável, está a estratégia da BYD, que importou milhares de carros a fim de aproveitar a janela de imposto de importação mais baixo para incentivar a comercialização de elétricos e híbridos.
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Nenhum outro importador pôde bancar financeiramente esta ação clara de dumping (tática comercial desleal). A partir de julho próximo, o imposto de importação subirá para a alíquota histórica de 35%, mas a marca chinesa ainda terá milhares de modelos estocados com alíquotas menores.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, chamou atenção para possíveis impactos logísticos e econômicos (leia-se preço do petróleo) como reflexo da guerra (mais uma...) no Oriente Médio. "São desafios para manter crescimento de produção, vendas e exportações observados nos últimos anos", acrescentou.
A comercialização tem subido de forma muito discreta e ainda está longe do recorde de 2013, quando foram vendidas 3,767 milhões de unidades - com incentivos fiscais, deve-se ressaltar. Para 2026, o crescimento previsto é de apenas 2,7%, para 2,762 milhões de veículos leves e pesados, ou 26,7% e um milhão de unidades abaixo do recorde de 13 anos atrás.
Os elétricos representam apenas 5% das vendas totais. Um nicho, portanto. De fato, ainda muito longe dos comentários exageradamente otimistas. Haverá crescimento, porém em ritmo difícil de prever. A badalação excessiva não vai melhorar este cenário.