A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) publicou neste domingo (1º) o novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, documento que redefine critérios sobre trajeto, percurso e forma de avaliação do exame prático da CNH. As mudanças passam a valer de maneira uniforme em todos os Detrans do País e têm como objetivo tornar a prova mais alinhada à realidade do trânsito brasileiro.
Segundo a Senatran, a proposta é reduzir diferenças regionais na aprovação dos candidatos e tornar o processo mais fiel ao cotidiano de quem dirige, com foco na segurança viária.
7 dúvidas sobre a prova da CNH após as novas regras da Senatran
Abaixo respondemos sete dúvidas sobre como funcionará a prova prática da CNH e o que permanece obrigatório para ser aprovado no temido exame.1. A baliza ainda é obrigatória na prova da CNH?
A manobra de baliza deixou de ser uma etapa autônoma, principal e eliminatória da prova prática. De acordo com o manual, a avaliação não deve mais se concentrar em uma manobra específica feita em espaço isolado e pouco representativo do dia a dia.
O que permanece é a finalização do percurso, momento em que o candidato deverá estacionar o veículo, como acontece na vida real.
Para o secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, a mudança não torna o exame mais fácil, mas mais real. Segundo ele, a baliza havia se transformado em um exercício artificial, com regras que não dialogavam com a condução cotidiana. A partir de agora, o estacionamento passa a ser tratado como parte natural do percurso.
2. O que passa a ser avaliado no exame prático?
Com o novo manual, o foco da prova se desloca para a condução em via pública. O trajeto permite avaliar atenção, leitura do ambiente, tomada de decisões, respeito às regras de trânsito e convivência com outros veículos, pedestres e ciclistas.
A avaliação deixa de priorizar a memorização de movimentos e passa a observar o comportamento ao volante, considerado pela Senatran o fator que realmente impacta a segurança no trânsito.
3. É possível fazer a prova com carro automático?
Sim. O candidato pode realizar a prova prática com veículo automático, desde que o carro esteja em conformidade com as regras de circulação e equipado com todos os itens obrigatórios exigidos pela legislação de trânsito.
4. O estacionamento continua fazendo parte da prova?
Sim. O estacionamento permanece como parte da avaliação prática. Ao final do trajeto, o candidato deve parar o veículo e realizar o desembarque de forma segura, conforme determina a legislação de trânsito.
5. Os Detrans são obrigados a seguir as novas regras?
Sim. Os Detrans devem, obrigatoriamente, seguir as diretrizes nacionais estabelecidas pela legislação de trânsito. As regras são únicas para todo o país e não podem ser alteradas pelos estados.
A Senatran destaca, porém, que a prova prática não acontece de forma idêntica em todas as cidades, já que cada local possui vias, sinalização e espaços urbanos diferentes.
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6. O que mudou nos critérios de reprovação da prova prática?
Antes, a reprovação podia ocorrer por condutas específicas definidas em resolução, muitas delas eliminatórias, mesmo quando não configuravam infrações de trânsito.
Agora, a avaliação considera exclusivamente as infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Não existem mais faltas eliminatórias automáticas. O candidato passa a ser avaliado pela soma de pontos decorrentes das infrações cometidas durante o percurso, dentro de um limite máximo de dez pontos, com pesos diferentes conforme a gravidade.
Condutas que não configuram infração de trânsito, como “deixar o veículo morrer”, deixaram de gerar reprovação. Já comportamentos que são infrações continuam sendo avaliados conforme a lei.
Caso o examinador identifique que o candidato não apresenta condições mínimas de segurança, domínio do veículo ou equilíbrio emocional para conduzir, o exame pode ser interrompido sem atribuição de nota, conforme critérios previstos na regulamentação vigente e no manual.
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7. Por que a Senatran mudou a prova da CNH?
Segundo a Senatran, as alterações foram necessárias para tornar o processo de habilitação mais justo, acessível e alinhado à realidade do trânsito. O modelo anterior era considerado burocrático, caro e punitivo, afastando milhões de pessoas do sistema formal e contribuindo para o alto número de condutores sem habilitação.
O objetivo, de acordo com o órgão, é aumentar a segurança viária e formar condutores preparados para a realidade das ruas.
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