Sistema de segurança evita acidentes em rodovias

Iniciativa é da Bosch na Europa. Enquanto isso, nos EUA, Tesla diz para funcionários menosprezarem placas de trânsito

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Fernando Calmon
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Novos serviços de ajuda ao motorista não param de evoluir. O mais recente avanço, anunciado em meados deste ano na Europa, foi revelado pela Bosch. Sistemas de informação em tempo real baseados na nuvem aprimoram a assistência automática de segurança dos veículos, não só no trânsito urbano, como também nas estradas.

Inicialmente disponível apenas no continente europeu, o Road Hazard Service (Serviço sobre Riscos em Rodovias, em tradução livre) tem como função proporcionar mais segurança para todos os tipos de veículos por meio de vários parâmetros de captação automática.

Este sistema de informação antecipa, com precisão, os perigos em tempo hábil antes que uma situação crítica ocorra. Alerta sobre pista escorregadia à frente, nevoeiro denso ou chuva forte que provoquem baixa visibilidade, ventos laterais, acidentes, veículos parados em pontos cegos e até veículos rodando na contramão.

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O sistema de segurança criado pela Bosch recebe informações de várias fontes
Crédito: Reprodução
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Funcionamento é "colaborativo"

Para enviar aos motoristas avisos sobre condições críticas na estrada e o que está ocorrendo em tempo real na rota percorrida, o sistema é alimentado por dados anônimos obtidos pela frota de veículos também equipados com o serviço. Mas também recebe informações de fornecedores terceirizados, como empresas de meteorologia, e de empresas que operam as rodovias.

Todos os veículos com o novo sistema rodando na estrada podem receber e fornecer diversas informações, incluindo temperatura externa em cada local, componentes como limpadores de para-brisa e luz de neblina traseira, quando acionados na chuva ou neblina, assim como intervenções do controle antiderrapagem (ESP) e relatórios sobre acidentes.

Se houver veículos com limpadores de para-brisa ligados, o Road Hazard Service também compara esta informação com as do serviço meteorológico para confirmar se está chovendo forte no local e quantos milímetros de água podem estar acumulados na

pista.

Coletados os dados, um algoritmo de análise determina se existe risco de aquaplanagem e avisa aos motoristas para reduzir a velocidade, se assim for necessário.

Outro exemplo: se a visibilidade ameaça cair abaixo de um valor crítico, o sistema compara se há atividade dos faróis de nevoeiro dos veículos que estão rodando na região afetada e utiliza um algoritmo para decidir se é necessário alertar os motoristas que se aproximam daquele trecho perigoso.

Há também informação se um carro está rodando na contramão nas proximidades, enquanto o motorista distraído ou infrator receberá um aviso diretamente na sua tela de navegação.

Este novo recurso de segurança de tráfego faz parte dos serviços de mapas em rede da Bosch. Com a ajuda de dados em profusão, além de informações meteorológicas em tempo real, os atuais sistemas de assistência ao motorista, a exemplo do controle adaptativo de distância ao veículo que segue à frente ou frenagem automática de emergência (AEB, em inglês), também poderão ser otimizados automaticamente. Isso permitirá o início mais rápido de AEB para evitar um possível acidente. Tudo para ajudar a salvar vidas.

O sistema Tesla Autopilot permite que o motorista tire as mãos do volante por alguns períodos
Crédito: Reprodução
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Tesla, ao contrário, orienta mal os motoristas

O recall de mais de dois milhões de modelos da Tesla referente a falhas no software de direção semiautônoma Autopilot, realizado no fim do ano passado, pode não ter sido suficiente para evitar o uso indevido do sistema.

Embora os motoristas sejam obrigados a manter intervalos fixos com as mãos no volante e permanecerem atentos caso o carro enfrentasse algo inesperado, a Administração Nacional de Tráfego em Estradas (NHTSA) descobriu que o Autopilot não definia limites rígidos. O sistema era enganado com a colocação de pesos no volante para simular a sensação de estar sendo controlado pelas mãos.

No entanto, o regulador de segurança rodoviária obrigou o fabricante a desenvolver mais atualizações. A regra já foi alvo de mais de 40 investigações da NHTSA, o que envolveu pelo menos 23 mortes nos EUA. Os problemas, no entanto, não terminaram aí.

Há menos de um mês, o funcionário que desenvolve "treinamento" para o software do Autopilot disse que ele e seus colegas são instruídos a ignorar placas de trânsito. O comportamento foi descrito na publicação americana Business Insider, que entrevistou o membro da equipe - que preferiu ficar anônimo.

O trabalho diário deste funcionário é revisar de cinco a seis horas de filmagens capturadas pelas câmeras "Tesla Vision" nos modelos da marca e "etiquetar" objetos como placas de trânsito, além de marcações de faixa, para que o sistema possa identificar o que são e como o Autopilot deve atuar corretamente.

Porém, as preocupações dos analistas muitas vezes foram desconsideradas pelos supervisores, mesmo quando abordavam regras básicas de trânsito e que podem fazer com que o motorista seja multado por quebrá-las. "Muitas vezes disseram para

ignorarmos as placas de 'Não vire no sinal vermelho' ou 'Não faça retorno', detalhou o funcionário.

Ainda segundo o entrevistado - que continua a trabalhar na Tesla - "Esses tipos de coisas deixam a mim e meus colegas desconfortáveis. Em alguns casos, supervisores até nos escutam, mas outras vezes a resposta comum é algo como "cuide da sua vida e garanta seu salário".

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