A análise dos dados foi conduzida pelo Dr. Jim Hedlund, renomado estatístico de segurança rodoviária. Segundo ele, dirigir cansado pode ser tão perigoso quanto estar sob efeitos de álcool ou drogas. Ele explicou que a enorme discrepância entre os dados oficiais do governo americano e a pesquisa realizada deve-se ao fato de que a fadiga, diferentemente do álcool ou das drogas, não deixa vestígios físicos que possam ser verificados após um acidente.
Para chegar a esse número oculto de mortes, Hedlund cruzou dados oficiais de fontes, como o Sistema de Relatórios de Análise de Fatalidades e o Sistema de Amostragem de Investigação de Acidentes. O problema afeta todos os grupos sociais. Porém, alguns enfrentam riscos maiores: motoristas mais jovens, estudantes universitários, quem trabalha no turno da noite, médicos e enfermeiros, além de caminhoneiros que percorrem trechos de longa distância.
"É comum alertar sobre os perigos de dirigir embriagado ou sob efeito de drogas, mas o sono também traz muito perigo e deve ser analisado corretamente, pois mata milhares de pessoas todos os anos", explicou Jonathan Adkins, CEO da GHSA.
Saiba mais:
No Brasil não existe pesquisa tão detalhada. Mas, segundo análise divulgada já em 2019 pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, estimou-se que cerca de 30% dos acidentes rodoviários noturnos eram causados por motoristas que dormiram ao volante. Correspondiam a 20% das mortes nas vias brasileiras, naquela ocasião.
Causas conhecidas, difíceis de combater
Segundo a GHSA, a fadiga física ou mental é o principal motivo da sonolência ao dirigir. Na maior parte, deve-se à privação do sono, o que provoca reflexos lentos, similares à embriaguez. Noites mal dormidas são a causa principal, já que reduzem a capacidade de concentração. E o risco dobra se o motorista tiver dormido apenas de quatro a cinco horas, em um período de 24 horas.Estresse emocional ou uso de medicamentos específicos, como antialérgicos, antidepressivos e relaxantes musculares também contribuem para a sonolência e devem ser evitados quando for dirigir. Outros motivos: estradas com grandes retas e paisagens repetitivas, que diminuem o alerta mental; vibrações naturais do carro induzem o relaxamento, acalmam o cérebro e também podem provocar sonolência.
Em termos práticos, o maior causador de acidentes o motorista cansado não percebe. É o perigo dos "apagões rápidos", com duração de um a três segundos. Algo muito comum entre duas e seis horas da madrugada, mas também após as refeições, no período da tarde. Conforme a velocidade do veículo, em fração de segundo provoca saída da pista ou atravessa um semáforo fechado.
Como evitar esse tipo de acidente
Para reduzir os riscos, o estudo recomenda atenção aos sinais de alerta: dificuldade em manter a cabeça erguida, olhos bem abertos, bocejos repetidos e ardência ocular (um dos indicativos mais fortes de sonolência). Também é comum a necessidade contínua de piscar os olhos, o que também provoca o embaçamento da visão. Outros sinais de perigo: dificuldade para manter a velocidade e o veículo na faixa de rolamento, além de não notar placas ou sinais de trânsito.Também importa evitar manter a recirculação do ar-condicionado fechada por muito tempo: provoca acúmulo de CO2 e também estimula sonolência. Durante a madrugada, principalmente em estradas, é necessário fazer uma pausa a cada duas horas em um posto de serviço ou local abrigado (nunca no acostamento, mesmo sinalizado com triângulo). O ideal é tirar um cochilo de 15 minutos a meia hora.
Após o almoço, a sonolência pode ser provocada pela digestão. Já o lusco-fusco, período no qual a iluminação natural se reduz, e associado ao anoitecer, cria uma "penumbra" que afeta a visibilidade. Também ocorre no alvorecer, além de estimular os "microssonos".
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