As opções de modelos elétricos e híbridos têm crescido no país há alguns anos, em sintonia com o que acontece no mundo. Na prática, há mais elétricos à venda no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram emplacados, entre EVs e híbridos, mais de 20 mil veículos no primeiro semestre deste ano. Isso significa alta de 47% em relação ao mesmo período de 2021.
Na prática, o aumento reflete uma procura maior dos clientes por essas alternativas menos poluentes e mais econômicas para o bolso. Mas existem vários diferenças entre eles, principalmente no que se refere à motorização - 100% elétrica, híbrida e híbrida leve - e ao tipo de carregamento das baterias, com ou sem conexão a tomada externa.
Pois uma série de siglas definem a qual categoria cada modelo pertence. Para ajudar, fizemos uma lista com as seis principais e que têm opções à venda no país. Então prepara-se para conhecer melhor essa sopa de letrinhas.

Começamos a nossa lista com os veículos 100% elétricos, que atendem pela sigla EV (Eletric Vehicle) ou BEV (Battery Eletric Vehicle). Modelos enquadrados nesse perfil funcionam apenas movidos por eletricidade e devem ser recarregados na rede elétrica. O conjunto mecânico pode ser formado por um ou mais motores elétricos.
A energia usada pelo motor fica armazenada em baterias de íons de lítio de grande capacidade. A recarga é feita por tomada conectada à rede elétrica tradicional ou via wallboxes, que costumam entregar uma corrente maior e recargas mais rápidas. A média de autonomia desses sistemas costuma ser de 300 quilômetros, em média, mas podem chegar a mais em modelos de luxo.
Entre as alternativas no mercado atual, podemos citar os recentes integrantes Renault Kwid E-Tech e Caoa Chery iCar, além do Volvo XC40 Recharge e do Fiat 500e.
A porta para a eletrificação da frota brasileira começou a ser aberta oficialmente pelos modelos híbridos convencionais. Conhecidos pela sigla HEV (Hybrid Eletric Vehicle), esses modelos são um meio do caminho entre a eletrificação total e o sistema atual mais tradicional, com motor a combustão.
Nesse perfil de modelos, o conjunto motriz é formado pelo propulsor tradicional, flex ou só a gasolina, e também por um motor elétrico, que atuam em conjunto ou separadamente na tração das rodas.
Nos HEVs, há um conjunto menor de baterias em relação ao EVs - que fornecem autonomia apenas para uns poucos quilômetros. Esse modo 100% elétrico dos híbridos convencionais costuma funcionar apenas em baixas velocidades e a regeneração dessa carga é feita de duas formas: com o motor a combustão sendo usado como gerador ou com a frenagem regenerativa.
Os modelos Toyota Corolla Cross Hybrid, Corolla e RAV4 são bons exemplos de híbridos tradicionais vendidos no Brasil.
Os modelos híbridos plug-in, que respondem pela sigla PHEV (Plug-In Hybrid Eletric Vehicle), são mais uma alternativa no meio do caminho. Esse tipo de híbrido se diferencia dos híbridos convencionais pela opção de recarga externa, via tomada, e também por terem baterias um pouco maiores que as dos convencionais.
Diferentemente do sistema convencional, essa bateria pode ser recarregada direto na tomada. Quanto ao conjunto mecânico, é similar aos dos HEV, com um motor a combustão e um ou mais elétricos trabalhando juntos ou separados no envio da tração para as rodas. Esse sistema é interessante pela autonomia maior garantida pelo conjunto de baterias e pelo tanque de combustível.
Alguns exemplos de modelos à disposição no mercado atualmente são o Jeep Compass 4Xe, o Volvo XC60 Recharge e XC90 Recharge.
Conhecidos pela sigla MHEV (MildHybrid Eletric Vehicle), os híbridos leves são diferentes dos demais perfis citados até aqui. Isso porque esse tipo de veículo tem como foco a otimização do uso do motor a combustão, e não o uso do sistema elétrico na propulsão.
Nesse sistema, a unidade elétrica atua no suporte do motor a gasolina ou flex em situações diversas, como para manter o sistema de refrigeração ligado em paradas rápidas, ou ajudar em arrancadas e retomadas.
Já que a atuação é mais simples, o sistema não traz um conjunto de baterias dedicado. A carga usada pelo motor elétrico nas tarefas mencionadas é fornecida por um alternador, que costuma ser maior nesse tipo de carro. O Kia Stonic e o Mercedes-Benz Classe C 200 Line são alguns dos híbridos leves disponíveis por aqui.
Raros por aqui, os híbridos que atendem pela sigla REEV (Range-Extended Electric Vehicle), têm no motor a combustão apenas um gerador para recuperar energia do conjunto de baterias. A tarefa de gerar tração para as rodas é toda do sistema elétrico, que tem baterias e autonomia similares às encontrada em modelos 100% carregados na tomada.
Nesse sistema, há um tanque de combustível, mas como o motor é menor e funciona só como gerador, a capacidade é pequena. A ideia é que, com a carga enviada por esse pequeno propulsor às baterias, o motorista consiga chegar a um ponto de recarga elétrica mais perto. O BMW i3 é o único modelo com esse tipo de mecânica vendido no Brasil.