- Peugeot mostra um novo conceito de volante para automóveis: o Hypersquare
- Aplicação começará no modelo 208, e não em automóveis "premium", como é mais comum
- Volante atua por fios e não tem ligação mecânica com o motor elétrico que esterça as rodas
Um dos destaques no recente Salão do Automóvel de São Paulo, o modelo conceitual Peugeot Inception é uma proposta futurista de veículo elétrico de condução autônoma, nível 4, que representa um avanço disruptivo para a tradicional marca francesa.
Além de 680 cv de potência e alcance estimado em 840 quilômetros, o carro conceito incorpora o revolucionário volante Hypersquare no lugar da tradicional peça circular ou achatada. Durante a transição para comando autônomo, o novo volante se retrai em direção ao painel, dando lugar a uma tela panorâmica corrediça que se eleva e transforma o interior do carro em espaço de convivência.
Mas se a proposta autônoma conceitual do Inception está prevista para médio a longo prazo, o Hypersquare já é uma realidade, afirma a Peugeot. Deverá surgir não só em modelos elétricos da marca, mas também nos convencionais a combustão, nos próximos dois anos.
Seu comando intuitivo inspira-se no universo dos games. Movimenta as rodas direcionais por sinais eletrônicos, sem nenhuma ligação física entre o volante e o motor elétrico que direciona as rodas. Trata-se de um avanço frente ao i-Cockpit lançado pela marca em 2012. Seu volante ovalado de pequeno diâmetro fica em posição inferior ao quadro de instrumentos e possibilita ler
as informações por cima do volante e não através dele.
Apesar das críticas iniciais, o i-Cockpit foi incorporado gradualmente. Tornou-se item de série para diversos modelos da linha. Chegou à segunda geração ao integrar a tecnologia 3D e a visão panorâmica. Já foram vendidos mais de 13 milhões de carros assim equipados desde seu lançamento.

Com o desenho retangular, que faz lembrar os utilizados na Fórmula 1, o Hypersquare incorpora diversos comandos elétricos acionados digitalmente nos quatro alvéolos para encaixe dos dedos polegares do motorista. Na seção inferior destes orifícios teclas sensíveis ao toque acionam os comandos.
Uma tela tipo tablet no centro do volante informa sobre os controles do veículo, como modos de condução, seleção de marchas e outras funções. Pictogramas projetados na tela indicam diversas funções, como volume do rádio, climatização, do controle de cruzeiro e assistência ao motorista (ADAS).
A tecnologia steer-by-wire (que já abordei anteriormente) elimina a conexão mecânica entre o volante e o comando das rodas direcionais e possibilita reação adaptativa dinâmica à velocidade do carro, o que altera a sensação de torque ao se girar o volante.
A relação fica mais direta e firme em velocidades acima de 80 km/h, exigindo movimentos mínimos para ajustar a trajetória do carro com precisão. Mas pode ficar até cinco vezes mais multiplicada em velocidade reduzida para proporcionar agilidade e leveza ao esterçar nas manobras de estacionamento.
Com desenho retangular de 33 cm por 20 cm e mesmo com a rotação máxima limitada a 170º, contra 360º de um volante convencional, é possível manobrar o carro em espaços reduzidos com apenas um quarto de volta para cada lado. Essa característica existe graças ao sistema eletroeletrônico de acionamento.
Por não se assemelhar em nada ao volante circular convencional, em razão de seu desenho exclusivo e simétrico, o Hypersquare deverá obrigar os condutores a uma adaptação principalmente no uso em longas distâncias, já que restringe o posicionamento natural das mãos. Contudo, executivos da Peugeot afirmam que o novo volante já foi testado e aprovado por clientes em diversas clínicas realizadas na Europa. Inclusive, o sistema esteve à disposição dos visitantes do Salão de São Paulo para ser avaliado virtualmente.
O mais surpreendente é a introdução desta tecnologia inicialmente no compacto 208, tanto elétrico quanto a combustão. Inovações disruptivas como essa geralmente chegam em modelos de categoria superior, cujos clientes costumam pagar o custo inicial elevado.
Uma das explicações é que público-alvo de modelos luxuosos, geralmente maduro e conservador, deve continuar a preferir o volante circular clássico pelo menos de início. No 208, a Peugeot pretende conquistar com essa nova tecnologia o comprador mais jovem, já que muitos desses clientes-alvo cresceram tendo intimidade com consoles de jogos e videogames.
Assim, familiarizados com tecnologia, estariam mais abertos a recursos inovadores. Dessa maneira, a fabricante francesa - que apresentou seu primeiro modelo (um triciclo a vapor) em 1889 - faz uma ousada e
revolucionária aposta no futuro.