Conhecida pelo bom custo-benefício de seus smartphones e aparelhos eletrônicos, a Xiaomi anunciou na semana passada que investirá US$ 10 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões na cotação atual) para desenvolver e produzir um carro elétrico para competir com um futuro modelo da Apple.
Detalhes do primeiro carro, que poderá ser um sedã ou um SUV, ainda não foram divulgados. No entanto, o CEO da empresa chinesa, Lei Jun, revelou que a decisão de produzir um automóvel elétrico foi tomada em apenas 75 dias, prazo que incluiu uma avaliação para determinar se esse veículo seria um negócio viável.
A Xiaomi fará um aporte inicial de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,5 bilhões) para criar uma subsidiária que ficará responsável pela produção e comercialização dos carros, que terão uma proposta mais acessível. Em comunicado, a empresa disse que “espera oferecer carros elétricos inteligentes e de qualidade para que todos possam aproveitar uma vida inteligente em qualquer momento e lugar”.
Apesar de todo o investimento anunciado, a Xiaomi não possui experiência na produção de automóveis, o que a obriga a encontrar uma empresa disposta a firmar uma parceria. A compatriota Great Wall é a mais cotada para levar adiante esse projeto.
A Xiaomi diz que o seu carro deverá estrear nos próximos dois ou três anos, com tecnologia de ponta e preço por volta de US$ 15 mil (cerca de R$ 85.500 atualmente). A empresa aposta bastante na sua experiência nos segmentos de casas inteligentes e purificadores de ar para criar um modelo integrado a assistentes virtuais, smartphones e com tecnologias voltadas a proporcionar ar mais puro na cabine.

Um dos diferenciais dos carros da Xiaomi deverá ser a integração com os seus aparelhos eletrônicos. O conceito Bestune 77 adiantou recentemente a possibilidade de contratar serviços de streaming de música e filmes a bordo, reservar restaurantes, pagar pelas recargas em pontos de abastecimento e até receber comprar de produtos Xiaomi entregues no porta-malas do veículo.
A iniciativa da Xiaomi, no entanto, não é uma novidade no setor automotivo chinês. Empresas de tecnologia, como a Baidu (considerada o Google da China), também manifestaram a intenção de fabricar seus próprios carros elétricos.
Marcas tradicionais, como BYD (uma das maiores fabricantes de veículos elétricos no mundo) e Geely (dona da Volvo), têm feito sucesso com carros modernos e eficientes desenvolvidos em parceria com startups.