Alternativas não faltam aos automóveis

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Fernando Calmon
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- O espírito associativo entre os motoristas brasileiros está muito pouco aprofundado em comparação a outros países. Basta conhecer a enorme força e prestígio dos automóveis clubes na Europa, nos EUA e no Japão, sem esquecer da verdadeira instituição nacional que é o nosso vizinho Automóvel Clube Argentino. Na área técnica, porém, o cenário muda e para melhor. Um dos bons exemplos é a SAE Brasil Sociedade de Engenheiros da Mobilidade que completa 15 anos de fundação.

Nascida em 1991 da união de cinco engenheiros, quase todos da indústria automobilística, a entidade tornou-se a primeira afiliada, fora dos EUA, da centenária SAE. Na época foi uma resposta às críticas do presidente Fernando Collor ao atraso tecnológico, na realidade, plantado pelo próprio governo — a lei de Informática, um dos erros. Hoje a entidade possui quase 4.000 associados — 50% profissionais, 50% estudantes — e todo ano organiza em novembro o Congresso Internacional e Exposição da Tecnologia da Mobilidade, em São Paulo SP. O trabalho é esforço de 150 voluntários.

Este ano a exposição se transformou quase em um minissalão do automóvel, com 102 estandes. Houve até pré-lançamentos. A Magneti Marelli apresentou o câmbio manual automatizado, colocando à disposição para breve avaliação um Fiat Punto e um Lancia Ypislon italianos, ambos com motores de baixa cilindrada. O comando eletrônico melhorou bastante no modo automático, fazendo mais suaves as reduções de marchas. Quatro fábricas já demonstraram interesse. Deve estrear no Grande Punto e no Idea dentro de seis meses. A Marelli também mostrou o sistema de iluminação que se ajusta horizontalmente nas curvas e aumenta o alcance do farol em função da velocidade em linha reta.

Delphi e Bosch reportaram avanços nos dispositivos de partida para motores flex, sem auxílio de gasolina. Mas, com o corpo-mole das fábricas, só deve estar disponível no final de 2008. A Visteon lançou também seu navegador portátil, ainda caro, na faixa de R$ 2.500,00. A febre por esse equipamento continua, faltando, porém, opções mais baratas, menos sofisticadas.

O XV Congresso da SAE Brasil teve 24 fóruns e mais de 170 apresentações técnicas de alto nível. A matriz energética brasileira, dentro de cenários mundiais, esteve entre os mais interessantes debates. O doutor em política energética Roberto Schaeffer, da Universidade Fcaptional do Rio de Janeiro, defendeu a tese de que as alternativas passam naturalmente pelas reservas mundiais de petróleo. Estas estariam longe da extinção, considerando o xisto betuminoso e técnicas mais caras de extração. Em sua opinião, “o mundo deixará de usar o petróleo muito antes de ele acabar, por razões de preço e/ou ambientais”.

Schaeffer também afirma que o carro elétrico apenas transfere a poluição de onde ele circula para o local em que se produz energia elétrica de origem fóssil. Ele se mostrou cético quanto à aplicação de gás natural como combustível de veículos: em geração termoelétrica a sua eficiência é pelo menos duas vezes maior. Tese sempre defendida por esta coluna.

Mais importante é a existência de alternativas. Ainda teremos muito para aproveitar dos nossos automóveis por décadas e décadas.

RODA VIVA

COMEMORAÇÃO dos 50 anos da Mercedes-Benz no Brasil trouxe alguma luz sobre os planos da marca alemã para automóveis. Dieter Zetsche, presidente mundial da DC, anunciou que o novo Classe C Sports Coupé será produzido na unidade de Juiz de Fora MG, única fornecedora mundial deste modelo, a partir do final do primeiro trimestre de 2007. Ou seja, produto novíssimo e não o modelo anterior.

PELA primeira vez, Zetsche admitiu que a produção de um carro para o mercado nacional, quando e se vier a decisão, deverá ser um produto da Divisão Chrysler/Dodge. Ele afirmou, em entrevista em São Bernardo do Campo SP, que mesmo um Classe A supera o poder aquisitivo do comprador médio brasileiro. Reconheceu, implicitamente, a decisão equivocada de quase 10 anos atrás.

NUNCA um carro fabricado no Brasil teve o mesmo preço com câmbio automático ou manual. EcoSport quebra esse tabu. Utilitário compacto barateou cerca de 9%. Versão automática só para o motor de 2 litros/138 cv ficou mais silenciosa. Bom trabalho de engenharia, não apenas no motor: pacote de isolamento acústico é eficiente. Câmbio pode arrancar em segunda marcha, útil em certas condições.

ESPECIALISTA em finanças, Marcos Crivelaro, destaca que comprar carro usado envolve, hoje, menos riscos do que no passado. Além da assessoria de mecânico, despachante e corretor de seguro, aponta empresas especializadas no histórico dos veículos que podem ser consultadas pela Internet, rápido e direto.

CONTROLE eletrônico de estabilidade corretor de trajetória poderia evitar 10.000 acidentes fatais por ano, se todos os carros usassem. Resultado de pesquisas do Instituto de Segurança Viária das empresas seguradoras dos EUA. Quando já existe ABS, o sistema acrescenta pouco ao preço final do veículo.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

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