Alternativas que atrapalham

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Fernando Calmon
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- Preço do petróleo se aproximando US$ 80,00 o barril sempre é motivo de preocupação pelos reflexos na economia mundial. Com o processo de globalização consolidado de forma irreversível, o Brasil também deve sentir as conseqüências, mesmo de forma amenizada por ter atingido a auto-suficiência na produção de óleo bruto, embora não em termos de derivados como o diesel. O preço do combustível nos postos de serviços preocupa quem compra e quem produz veículos. Nos EUA, onde só se abastece pagando o valor real do produto, o tema é tão sensível que faz parte do marketing dos fabricantes. A Ford americana lançou uma campanha, que termina no fim do mês, oferecendo veículos financiados sem juros e vantagem adicional inédita: abastecimento gratuito até o fim do ano. Aqui ainda não chegamos a tanto. O consumidor só leva, no máximo, o primeiro tanque cheio em algumas poucas promoções.

Mas o Brasil tem o privilégio de contar com uma matriz energética equilibrada. Ainda assim, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva realizou um interessante seminário na semana passada, em São Paulo SP, para debater se essa matriz diversificada realmente se transformará em algo benéfico ao usuário final, ou seja, todos nós.

Um assunto complexo como esse exige muito mais que uma tarde de palestras e discussões. Afinal, as alternativas são muitas. Para automóveis, temos gasolina com álcool, álcool puro, flex e gás natural veicular GNV. Veículos pesados podem usar diesel puro, diesel com biodiesel, H-bio, tentativas de diesel com GNV, além de motores de ciclo Diesel transformados em Otto para uso de GNV.

Biodiesel recebeu o tratamento governamental ufanista de praxe. José Accarini, da Casa Civil da Presidência da República, lançou pouca luz sobre dificuldades do mundo real como qualidade, uniformidade, logística, produtividade e o que fazer com o subproduto indesejável, a glicerina.

Em veículos leves, o gás trouxe mais problemas do que soluções novamente por falhas de governo. O programa, sujeito a importações e crises bolivianas, foi impulsionado por preços irreais, além de adaptações de kits baratos e fora das especificações que acabam por poluir mais que os motores a gasolina. Antônio Mendes, da associação brasileira desse setor, considerou as críticas e afirma que a entidade tentará colocar a casa em ordem.

João Alvarez, da Volkswagen, procurou demonstrar o avanço técnico dos motores flex desde seu lançamento em março de 2003. Algo já se alcançou, mas infelizmente nada mudou em relação à atitude generalizada da indústria automobilística. Ela vem se escorando no fato de que combustíveis adulterados podem implicar riscos, quando na realidade a preocupação maior é que o motorista sinta pouca diferença entre utilizar gasolina ou álcool em termos de desempenho, um conceito bastante equivocado. Motores flex, no Brasil, deveriam explorar as melhores características do álcool em vez da gasolina. Apenas a Ford, até hoje, sinalizou na direção correta, embora precise trabalhar mais para melhorar o consumo de álcool.

Uma conclusão geral, porém, se esboçou: muitas alternativas e mal planejadas atrapalham mais do que ajudam. Adivinhe quem pagará a conta.

RODA VIVA

MAIS uma marca segue em direção de se descolar dos motores de 1 litro de cilindrada. A GM confirmou: Celta sedã, que se chamará Prisma, terá motor flex de 1,4 litro. O modelo compacto estará à venda por volta de setembro, como antecipado pela coluna, porém a fábrica confirma apenas que o novo compacto chegará “até o fim do ano”.

DEFINIÇÃO do preço do Logan vem ocupando as cabeças pensantes da Renault. Na Europa ele é um sedã com dimensões internas e externas muito superiores às de um compacto, mas com preço deste. Aqui a estratégia pode ser outra e prazo maior de garantia entra na equação. Até fevereiro outros lançamentos, como o Prisma, vão influenciar na decisão final.

ACCORD surpreendeu como carro importado mais vendido no primeiro semestre, vindo do México sem imposto. Há razões: suavidade e desempenho do motor 2-litros, maciez da suspensão, ótimo espaço interno e bom porta-malas tampa interna sem acabamento. Faltam muitos equipamentos, como travamento automático das portas e computador de bordo. Regulagem do encosto do banco e limitações do câmbio automático são ruins.

QUEDA brusca, em 2005, da produção de veículos na Espanha, sétima no ranking mundial — 2,7 milhões de veículos —, deixou o Brasil mais perto de ocupar esse posto no futuro próximo. O País fechou em nono lugar no ano passado — 2,5 milhões de unidades — bem junto ao Canadá, segundo estatísticas consolidadas que a OICA organização internacional dos fabricantes acaba de divulgar.

APOSTA da Volkswagen no Jetta, a partir de R$ 82.500,00 em setembro, é no motor de 5 cilindros/2,5 l/150 cv e no câmbio automático de seis marchas que devem garantir excelente desempenho. Itens de série e porta-malas, muito bons, mas espaço para pernas no banco traseiro deixa a desejar.
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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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