Brasil receberá mais 10 fábricas

Movimento é liderado por marcas chinesas e alemãs, como Chery, JAC, Audi e BMW
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Roberto Nasser
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O Brasil iniciará outro forte movimento industrial na produção de veículos. Os projetos – que totalizam 10 (entre elas alemãs, chinesas, indiana, italiana, japonesa) – se enquadram no primeiro passo da industrialização: importação de peças e partes, agregação de componentes locais por mão de obra nacional. Poucas terão estamparia, fundição e usinagem de motores e transmissões.

O primeiro grande movimento industrial automotivo brasileiro começou sem incentivos em 1918, como negócios. Depois, pós II Guerra, por atração às regras do GEIA, para implantar a indústria da mobilidade, atraindo por prática de dólares oficiais – o paralelo era quatro vezes mais –, e mercado fechado. Em 1998, novo ritmo, com novas produtoras.

Quem vem

Tentativa ordem, chinesa Chery, em Jacareí, a 70 quilômetros de São Paulo, será a primeira a ter produtos desta nova fase. Fábrica pronta, início da corrida inaugural – a primeira operação para ajustar processos e máquinas. Fará o Celler 1.5, sedã pequeno, e o sub compacto QQ. Primeiro protótipo montado, vendas em novembro, capacidade máxima de 150 mil unidades por ano.

A BMW instala-se em Araquari, em Santa Catarina. A inauguração está prevista para 30 de setembro. Os modelos serão: Série 3, X1, Série 1, X3 e Mini Country.

A Audi faz obras na moderna fábrica da associada Volkswagen em Campo Largo, Paraná, para dividir linha de produção com novo Golf, de plataforma comum, e dela retirar o A3 e o utilitário esportivo Q3, ainda neste exercício.

FCA, leia-se Fiat Chrysler Automobiles, citará como sua a grande operação implantada pela Fiat em Goiana, Pernambuco. De lá, com capacidade plena de 250 mil veículos por ano, de várias marcas pertencentes ao grupo. Inauguração final do ano, em breve início da estreante corrida industrial, com Jeep Renegade – espécie de visão Willys sobre a plataforma do Fiat 500L – que de 500 nada tem.

Honda constrói em Itirapina, interior de São Paulo, nova fábrica para expandir a capacidade de produção do Fit e seus derivados, o sedã City e o utilitário esportivo Vezel – aqui, porém, terá outro nome. Início de operação em 2015, pico da produção em 150 mil veículos anuais. Hoje o Honda mais vendido é o Civic. Quer inverter, passando a liderança à família menor, e capacidade para fazer complementação com produção argentina destes veículos.

No dia 12 de agosto a Mercedes-Benz lança a pedra fundamental de sua nova fábrica de automóveis. Também em São Paulo, Iracemápolis. Produção de sedã Classe C – o novo, a ser apresentado à mesma data -, e pequeno utilitário esportivo GLA. Volume será de 20 mil unidades por ano.

Gaúcha Agrale implanta galpões em São Mateus, no Espírito Santo. Quer fazer completa linha de produtos para transporte, iniciando por chassis e complementos. Instalação faz-se para reduzir os custos de logística, anulando o transporte feito desde Caxias do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, e para alimentar seu principal cliente, a conterrânea Marcopolo, que no mesmo estado implantou fábrica dos pequenos ônibus Volare, e inicia fazê-los ainda este ano, trazendo os componentes da origem sulina. O estado do Espírito Santo já tentou algumas vezes abrigar fábrica de automóveis – até a Lada prometeu ir para lá -, mas refresca seu sonho com ônibus.

A ex-inglesa e atual indiana Jaguar-Land Rover assinou protocolo para instalação em Itatiaia, no Rio de Janeiro. Nome composto mas produtos apenas Land Rover. Investimento anunciado em R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, para unidade fabril apta a montar 24 mil unidades anuais. De acordo com o comunicado de imprensa, primeiros veículos serão liberados em 2016. Até o momento nada há a declarar, e o sítio da Prefeitura de Itatiaia sequer tem registros quando se demanda fábrica Land Rover.

Porque Itatiaia, sempre lembrada pelo Parque Nacional e seu pico, antes considerado o mais elevado do país? Fica lindeira a Rezende e Porto Real, municípios cortados pela Via Dutra, ligando Rio a São Paulo, onde Volkswagen/MAN, Peugeot/Citroën, e recentemente Nissan se instalaram, criando cultura, mão de obra e atraindo fornecedores.

Chinesa JAC sofreou obras nas proximidades de Camaçari, Bahia. Contém para compatibilizar a queda nas vendas domésticas de automóveis Citroën e JAC, fonte de recursos pelo grupo SHC, empreendedor do negócio.

Operação deverá ser dividida: matriz assumirá 66% da sócia SHC na parte industrial. Parte comercial e distribuição ficará 100 % com a empresa brasileira. Previsão do novo desenho societário, até o final do ano. Implantação da fábrica, com projeto pronto, 12 meses.

Como registro, a Amsia Motors muito se movimentou e prometeu fazer fábrica em Barra dos Coqueiros, em Sergipe. Seria consolo para o estado, sofrendo encolher industrial. O projeto foi visto como industrialmente inconsistente pelo governo fcaptional, e não andou no estadual. Promessa de início tem mais de ano.

Roda a Roda

Crescer – A Porsche olhou mapas de produção, vendas e lucros, e decidiu manter o projeto de expansão iniciado em 2010. Dos 12.800 colaboradores, acresceu 8.400 em quatro anos, e quer mais 5.000 até 2.019 – mais de 100% em 10 anos. Neste, quer vender 200 mil unidades, incluindo o utilitário esportivo Macan, 5º produto da linha.

Leque – A maioria dos 5.000 agora anunciados será fora da Alemanha, para áreas de pesquisa e desenvolvimento, em geográfica expansão industrial. A Porsche é a mais lucrativa das empresas Volkswagen.

Lançamento - 11 de agosto Mercedes exibirá o novo Classe C. Tremenda barata, parece o Classe S em escala – o S é hoje referência mundial em tecnologia eletrônica prática. Deve realinhar preços e conteúdo do CLA.

Gasolina – Antecipou o portal www.autoentusiastas.com.br, novidades em gasolinas. Shell aumentará carga de aditivos anti fricção à V-Power, e chama-la-á V-Power Nitro+. Petrobrás trocará nome da aditivada Supra para Grid.

Instrução – Shell lança curso para mecânicos para explicar diferença entre gasolinas, octanagem, produto mais adequado ao carro do cliente. Parceria com jornal e sítio Oficina Brasil. Oportuno.

Jogo – Produtores de álcool pressionam Governo Fcaptional obrigar mistura de 27,5% de álcool anidro à gasolina para formar o gasálcool. A Anfavea, grêmio dos fabricantes de veículos, informou ser 26% o máximo admissível – na prática, acima do limite do desperdício, pois não aproveitados pelos motores.

Ocasião – Ao consumidor problema é a época, quando o governo fica sensível a atrativos capazes de auxiliar a campanha de re eleição. Mostra da fraqueza foi retirar o general Jorge Fraxe, colocado para botar ordem no DNIT, um dos focos de continuada corrupção no Ministério dos Transportes, para voltar a ocupante por indicação partidária.

Lama – Justiça paulistana arrestou 19 imóveis adquiridos a Ivo Lodo, ex-controlador do fechado Banco BVA por Carlos Alberto de Oliveira Andrade, que no tema da Coluna monta Hyundais em Anápolis, Goiás, e distribui a marca. Há dúvidas sobre a compra, escriturada após a intervenção no BVA – que o 'doutor' Caoa tentou assumir mas não teve crédito pelos credores. O congelamento visa preservar o patrimônio do banco para indenizar credores.

Segmentação – Carros Ford, liderados por picape F 150 e utilitário Escape, são os preferidos pelas famílias dos militares. Escolha passa pela proximidade e apoio da empresa aos veteranos. Deles, hoje a Ford emprega 5.900.

Arrepio – Causas internas, razões opacas, Jean-Michel Jalinier, ex-presidente da Renault Brasil, e presidente da Renault Sport F 1, antecipou aposentadoria. A empresa se diz pesarosa. Deve estar. Jalinier tem carreira de desafios e conquistas, foi para a F 1 transferido por ação direta do nº1, Carlos Ghosn.

Continua - Seu sucessor na empresa no Brasil, Jerôme Stoll, ascendeu a Diretor comercial geral do grupo Renault, acumulará a função, agora chamada Diretoria Delegada de Performance.

Caminho - Novo diretor-geral da Renault F-1 é Cyril Abiteboul, 37, francês, sempre diretor ligado à Fórmula 1, ex-condutor do time Caterham, engenheiro com formação de matemática e informática. Em terra de boas escolas, é da mesma de Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy, ex presidentes da França.

Retífica RN – Coluna passada citou produção dos Ferrari GTO em 27. Foram 39. Confusão com volume visto no Pebble Beach Concours d’Elegance 2012.

MixPossível mesclar testosterona e saldo bancário ? Leiloeiros Russo and Steele levarão ao seu Collector Automobile Auction, Monterey, California, 14 a 16 de agosto, automóvel para induzir a mistura: um dos 311 Mercedes-Benz 300 SL coupé, o Asa de Gaivota. Completo, inclui rodas em liga leve e borboleta central, e o desejadíssimo conjunto de malas desenvolvido para o carro.

Clássico – É dos poucos clássicos pós Guerra e de seus 1400 unidades não restam muitos. Assim, é peça desejável, em especial em estradas com curvas amplas em dias de temperatura baixa – o meio ambiente lembra Cachoeiro do Itapemirim, Cuiabá, Governador Valadares – e a traseira se lança com facilidade, clamando por mão de obra especializada.

Leilão – Como se diz no meio, o Asa é um must have, carro que colecionador sério deve ter. Assim, se é homem e tens bala na agulha, café no bule, é a hora. Mais, fale com o Darin Roberge darin@russoandsteele.com tel. 001.602.252.2697.

Líder, Fiat faz aniversário e prepara nova fábrica

Fiat comemora 38 anos de operação industrial no Brasil. Algumas tentativas anteriores e a viabilização em 1973 quando se associou ao governo de Minas para quebrar proibição política da instalação de novos fabricantes no Brasil. Era a menor, distanciada de VW, GM e Ford, e se dizia sem pretensões de liderar o mercado, como o faz há 12 anos.

Reuniu conquistas à altura da expansão: industrialmente cresceu, de máximas 200 mil unidades/ano para 800 mil em constante ganho de espaço industrial e de produtividade. Atualmente é a maior produção mundial no mesmo endereço. Avançou com padrões de engenharia, provocou a atualização dos lubrificantes no país para atender às menores folgas nos motores, fez o primeiro veículo a álcool, o primeiro picape derivado de automóvel, criou o carro popular, foi pioneira com os turbo, democratizou o motor com 16 válvulas.

Conquista maior, entretanto, foi transformar em industrialização a dificuldade de operar em Minas Gerais, na ex bucólica Betim, hoje segunda maior arrecadação do estado. Sem fornecedores próximos, trazendo auto peças de outros estados, elevando custos por transporte e logística, instigou mudança para sua vizinhança, a mineirização dos fornecedores. Hoje o estado tem o segundo parque autopartista. De Betim, MG, sairam quase 14 milhões de Fiats.

Convive com desafio importante: manter liderança e lucratividade implantando um novo polo industrial, também reunindo unidade industrial autônoma, e agregando parque de fornecedores, criando atividade, parque e cultura de produção em Goiana, Pe. Fábrica em passos finais, quase pronta à montagem dos primeiros veículos para ajustar máquinas e processos. Começará com produtos da linha Jeep.

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