Busca do consenso

O Inmetro acertou ao ajustar em torno de 20% os dados de consumo, a fim de aproximá-los aos números obtidos no dia a dia, como se fez nos EUA
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Fernando Calmon
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Debates sem fim, em Copenhague, sobre mudanças do clima e emissão de gases de efeito estufa CO2, demonstraram como o tema está mais politizado do que nunca. Poucas antes do início da 15ª Conferência das Partes, o Ministério do Meio Ambiente MMA quis marcar posição com a revisão da desastrosa nota verde para os automóveis.

As críticas foram tantas que em 75 dias surgiram novos critérios e a substituição da pontuação de zero a dez pelo sistema de uma a cinco estrelas. Até três estrelas classificam os poluentes controlados média entre monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio, uma estrela fica reservada a todos os motores flex e outra para a menor emissão de CO2. Várias distorções permanecem e ficam claras no estranho ranking, mas houve avanços. Pelo menos o MMA, dessa vez, chamou a participar os fabricantes de veículos e produtores de gasolina e etanol.

Será que o comprador, sabendo que todos os carros obedecem à lei, vai escolher algum 20% ou 40% melhor que o limite legal? Difícil de acreditar, em um mercado tão orientado pelo preço. O ranking apontou entre os 10 menos poluidores quatro modelos da Fiat Idea, Palio, Siena e Stilo com motores de 1.800 cm³ injustamente estigmatizados da Família 1 da GM, seguidos pelo Ka, Prisma e Celta 1.000 cm³, C3 1.400 cm³, Fox e SpaceFox 1.600 cm³. Palio e Siena, por exemplo, com motor de maior cilindrada tem preferência de menos de 10% porque são versões caras.

Existe uma ideia, ainda embrionária, de adotar a chamada nota verde em substituição à cilindrada nas alíquotas do IPI. No entanto, mais racional seria utilizar o consumo de combustível. Isso fala diretamente ao bolso do motorista e de forma indireta reflete-se na diminuição da poluição tóxica e na emissão de CO2, em motores a etanol ou gasolina.

Era hora de reviver o antigo Programa de Economia de Combustível, de meados dos anos 1980, adaptado aos novos tempos. O caminho pode ser pelo recém-criado grupo de trabalho de governo e empresas do setor voltado a estimular tecnologia e inovação, aproveitando os grandes centros de desenvolvimento já existentes.

Simultaneamente à nota verde, em 1º de dezembro, saiu o ranking 2010 de consumo do Programa Brasileiro de Etiquetagem PBE. Em base voluntária – deveria ser obrigatória – estrearam Renault e Toyota, juntando-se à Fiat, Honda, Kia e Volkswagen. Má conduta teve a GM que abandonou o PBE, juntando-se à Ford, que nunca participou. A lista agora inclui cerca de 100 modelos, dos mais de 400 à venda. O Inmetro acertou ao ajustar em torno de 20% os dados de consumo, a fim de aproximá-los aos números obtidos no dia a dia, como se fez nos EUA.

Receberam a melhor nota Fit 1,4; Gol 1,0; Mille 1,0 e Picanto 1,0. Examinando bem os números, há diferenças mínimas entre baixa e média cilindrada, que não justificam a diferença de IPI. Picapes Strada Trekking, de 1,4 e 1,8 litro, alcançam igual marca em estrada, com etanol, comprovação da falsa rotulagem de “beberrão” do motor de maior potência. Em cidade, consome 13% mais, aceitável para quase 30 cv de diferença. Consenso sobre o melhor caminho a seguir parece difícil, na luta surda de bastidores.

RODA VIVA

RENAULT confirmou a chegada em 2011 do Duster, utilitário esporte compacto sobre a arquitetura do Logan/Sandero, fabricado no Paraná. Jean-Michel Jalinier, presidente da empresa, ressalvou que o SUV receberá modificações específicas para o mercado brasileiro. Estepe pendurado na traseira não está nos planos, garantiu ele à coluna.

C. BELINI, presidente da Fiat, apoia um futuro acordo de redução de imposto de importação entre o Brasil/Mercosul e a União Europeia, desde que exista desoneração gradual da atual – e pesada – alíquota de 35%. “O país tem que negociar bem. Imposto zerado só depois de 10 ou 15 anos, imagino.” Europeus acham 10 anos prazo longo demais e a proteção demasiada.

AUDI TTS pode-se definir como pocket rocket foguete de bolso: motor de 2 litros com turbocompressor, 272 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em dissuasivos 5,2 s, com ajuda do gerenciador de arrancada e, claro, tração 4x4. Apesar do desempenho de empolgar, é dócil para dirigir, mesmo no limite de aderência, sem sustos, fora o preço de exatos R$ 283.750,00.

DEPOIS do carro-conceito, o pneu-conceito, anuncia a Goodyear. Previsto para 2013, a principal diferença está na substituição do derivado do petróleo isopreno na fabricação da borracha sintética. Produto de biomassa, como o etanol, o novo material tem o nome comercial de Biolsoprene. A companhia não deu pormenores sobre peso e durabilidade do pneumático.

PELA 11ª vez o prêmio Talento VW Design levou à seleção de quatro universitários para estagiar na fábrica de São Bernardo do Campo. Thiago Pinho, da IED-SP, venceu este ano, seguido por Fábio Garcia, da Unesp – SP e Cleber Gonçalvez, da UEM – PR. Carolina Pizarro, da Unesp - SP, completou o time. A cada ano os trabalhos ficam mais criativos.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors e em uma rede nacional de 63 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto Inglaterra.

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