Caiu? E agora?

Entre as experiências de ser motociclista o tombo é a mais dolorida delas
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Geraldo Simões
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Leva uma fração de segundo. Estava tudo sob controle, de repente a moto sai de baixo e o mundo começa a girar. Bem vindo ao clube, você caiu! Segundo a filosofia motociclística universal, só existem três tipos de motociclistas: os que já caíram, os que vão cair e os mentirosos. Na verdade eu conheço sim casos de motociclistas que pilotaram mais de 40 anos sem sofrer qualquer queda. Mesmo aquelas quase paradas. Mas a queda faz parte do aprendizado!

 

Por incrível que pareça existem técnicas para cair melhor. Note que não escrevi para cair mais! a melhor escola de tombos é a bicicleta, quem rodou bastante de bike conhece várias modalidades de quedas e sabe o quanto dói uma ralada nos joelhos. Na moto é pior por causa da velocidade, mas é melhor porque o (bom) motociclista pilota sempre equipado.

 

Uma das dificuldades do ser motociclista é que geralmente o aprendizado foi na bicicleta, um veículo que tem características muito diferentes das de moto, ou pior, aprendeu sozinho! Em um estudo da Associação Brasileira de Medicina de Trânsito um dado surpreendente revelou que 32,4% das vítimas de acidentes com motos em São Paulo aprendeu a pilotar sozinho ou com algum amigo! 

 

Normalmente quem pratica as modalidades fora-de-estrada aprende a cair e principalmente a se proteger da moto. Sim, porque em caso de queda a moto é um elemento que pode agravar muito as lesões. Imagine uma moto de 200 kg desabando em cima da perna! Por isso, pilotos de motocross e enduro já aprendem desde cedo que em caso de queda é preciso ficar de olho o tempo todo na moto, se vier pra cima, sai debaixo!!!

 

No caso da motovelocidade os pilotos precisam se proteger da moto porque em muitos casos ela vem com tudo e em alta velocidade. É comum o piloto ser arremessado e depois atropelado pela própria moto!

 

Durante o processo todo da queda nosso instinto natural é tentar se proteger, colocando as mãos ou os pés como anteparo. Por isso é tão importante usar luvas e calçados resistentes. Mas saiba que às vezes tentar frear a queda ou se proteger pode ser pior.

 

Se o motociclista estiver devidamente equipado a melhor receita é deixar o equipamento fazer a parte dele. Não tente interromper as cambalhotas, nem o surfe no asfalto, deixe que os movimentos cessem naturalmente. Normalmente quedas nas quais o motociclista desliza no asfalto não provocam lesões graves. Eu mesmo caí em Interlagos a mais de 180 km/h e só provocou um leve arranhado no dedo mínimo da mão direita. O equipamento fez todo o papel de para-choque.

 

O problema começa quando o motociclista colide com algum objeto. Pode reparar que nos acidentes graves com motociclistas houve uma colisão. Ou da moto e motociclista contra objeto ou outro veículo, ou a colisão do motociclista já fora da moto contra muro ou guard-rail.

 

Meu avô motociclista já dizia: "pode cair, não pode bater!"

 

Quando o motociclista tenta interromper a queda aí sim pode causar as fraturas, porque a energia liberada em um tombo é bem maior do que se imagina. A simples tentativa de colocar a mão para se proteger pode causar fratura do escafóide, um ossinho ridículo que Deus colocou no nosso corpo com a principal missão de quebrar! E só recupera com cirurgia!

 

A melhor atitude é deixar o corpo deslizar e rolar naturalmente até parar. Ainda deitado é preciso fazer uma avaliação dos "estragos" e só então tentar se levantar. É comum o motociclista tentar levantar rapidamente e capotar de novo porque tinha ainda muita energia de movimento ou porque ficou zonzo!

 

Mesmo em baixa velocidade é preciso ter as manhas. Uma moto pesada, quando começa a cair lentamente não há super-homem que segure. É melhor deixar ela desabar do que tentar segurar com as pernas. Os danos materiais são bem menores do que uma fratura ou lesão nos ligamentos. Quanto mais pesada a moto, menor a chance de segurar quando ela sai do eixo vertical e começar a tombar.

 

Motos muito altas também são vítimas dessas quedas bestas. Mas nem sempre é pelo peso, mas porque o motociclista tenta colocar o pé no chão e... nada!

 

O segredo para pilotar motos mais altas do que as pernas é prestar muita atenção no chão onde pisa. Se a moto ameaçar tombar pule fora e deixe cair! O quadro tubular é bem mais resistente do que seu esqueleto. 

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