Carro vai para o interior

Pequenas cidades é que serão responsáveis pelo crescimento do mercado brasileiro
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Otimista, Luiz Moan, presidente da Anfavea, tem traçado um panorama favorável à indústria, mesmo quando seus pares apostam na queda de vendas e do PIB. Nem sempre acerta, mas mantém o otimismo. Costuma dizer que as crises nascem, e se aprofundam, da expectativa de um futuro não promissor.

Agora, diante do resultado do estudo que fez sobre a interiorização do índice de motorização no Brasil, Moan está apostando alto no crescimento do mercado brasileiro. Acredita, sem medo de errar, que o Brasil vai consumir 6,9 milhões de veículos em 2034, isso considerando o que ele classifica de crescimento modesto, ou seja, uma média de +3% ao ano a partir de 2015.

Para 2014 não há esperanças de uma recuperação a ponto de reverter a queda de 8,7% registrada até outubro. Moan acredita que o mercado vai se recuperar no último bimestre, impulsionado pela medida que garante às financeiras recuperar o bem mais rapidamente em caso de inadimplência (hoje o início do processo de recuperação do bem é após 90 dias de não pagamento). Mais do que isso, o mercado, segundo o dirigente, vai receber a injeção do 13º salário, que aumenta o poder de compra e terá o apelo do preço mais baixo em dezembro, uma vez que a partir de janeiro o carro vai ficar mais caro com o retorno do IPI total.

Os resultados da primeira semana de novembro indicam que o dirigente está certo. Pela primeira vez neste ano a primeira semana do mês registrou vendas diárias médias de 15 mil carros.

Mesmo com tudo isso, na melhor das hipóteses o presidente da Anfavea prevê uma queda de 5,4% no fechamento do ano, ou 3,564 milhões de unidades vendidas.

As razões objetivas que vão determinar o crescimento traçado para os próximos 20 anos são conhecidas: o Brasil tem uma baixa taxa de motorização quando comparado tanto com os países do primeiro mundo quanto com seus semelhantes. Nos Estados Unidos existem 1,3 habitantes por veículo, Japão, França e Alemanha têm 1,7 hab/v. México 3,6 e Argentina 3,7 e o Brasil um carro para cada 5,2 habitantes

A recente explosão de vendas de motos no Nordeste brasileiro indica a necessidade de motorização da população que vive longe dos grandes centros urbanos. A moto já chegou, agora é a vez do carro.

“A riqueza está crescendo – destaca Moan – é preciso enxergar o Brasil como um todo. O crescimento da renda rural é muito grande. No ano passado a indústria vendeu 35 mil caminhões diretamente para a agricultura familiar, veículos usados na colheita e que elimina o intermediário, aumentando a renda do agricultor. A expectativa é de que esse mercado continue crescendo.”

Ele se refere ao programa do governo fcaptional Mais Alimento, que cobra juros de 1% a 2% ao ano com pagamento em dez anos de carência de três anos. Além dos caminhões, esse programa permitiu a compra de 80 mil tratores por pequenos agricultores e acabou de ser renovado.

ONDE VAI POR TANTO CARRO?

Quando se fala que o Brasil tem uma frota pequena para as suas necessidades e um grande potencial de crescimento de vendas de veículos, o morador dos grandes centros urbanos põe a mão na cabeça de preocupação. Se o trânsito brasileiro já é insuportável, imagine com o aumento do volume de carros. Vai travar tudo. Ninguém vai andar.

Nada disso. Duas questões devem ser entendidas para que não alimentemos a teoria do caos: a restrição de circulação e a expansão das pequenas cidades.

RESTRIÇÃO DE CIRCULAÇÃO

Cada vez mais o uso do carro será reduzido nos centros urbanos, com limitação de circulação por áreas geográficas, horários e tipos de veículos, além, dos rodízios.

As cidades terão que se adaptar para permitir a circulação de outros tipos de veículo, menores e menos poluidores, caso das bicicletas, motos elétricas, micro carros elétricos, espaço privilegiado para o transporte público, que, com o tempo, terá mais qualidade e absorverá um público que hoje anda de carro.

EXPANSÃO DAS PEQUENAS CIDADES

As fábricas despejam nas ruas das cidades brasileiras cerca de 13 mil carros por dia, isso porque as vendas estão em baixa: esse número já foi maior: 14,4 mil em 2012 e 14,2 mil no ano passado. Isso não é assustador? Pode parecer que sim para quem enfrenta o trânsito caótico na cidade grande, mas os números de vendas indicam que não há o que temer. Isso mesmo: as grandes cidades estão, quando muito, mantendo as vendas.

estabilizadas. Não há crescimento. As venda de carros nas cidades brasileiras com mais de 10 milhões de habitantes tiveram um crescimento de apenas 6% entre 2007 a 2013, período em que as vendas no País cresceram 53%, conforme estudo da Anfavea. As vendas cresceram abaixo da média em todos os 638 municípios com mais de 500 mil habitantes.

Ou seja: as cidades grandes estão esgotadas, mas não chegarão ao caos, porque elas têm o mesmo perfil de capitais européias, de cidades estadunidenses e japonesas, isto é: o crescimento é vegetativo, há um mercado de substituição. Dá pra dizer que, nesse aspecto, as cidades de mais de 500 mil habitantes no Brasil estão no Primeiro Mundo.

Ora, para onde foram todos os carros licenciados nesse período? Para as cidades pequenas. Veja no gráfico que, quanto menor a cidade, maior foi o crescimento. Observe que os 1.252 municípios brasileiros com menos de cinco mil habitantes tiveram um aumento de vendas de veículos espantoso: 142% nos últimos seis anos (lembre-se que o mercado total cresceu apenas 53% no período). As cidades até 10 mil habitantes cresceram 124% e aumentaram as vendas também nas cidades até 500 mil (veja o quadro).

Luiz Moan indica o estudo como uma ferramenta importante para os gestores públicos traçarem o Plano Diretor das suas cidades.

CRESCIMENTO DE VENDAS POR TAMANHO DE CIDADES: (*)

Municípios até 5 mil hab

142%

Mais de 5 mil e até 10 mil hab

124%

Mais de 10 mil e até 20 mil hab 

98%

Mais de 20 mil e até 50 mil hab

106%

Mais de 50 mil e até 100 mil hab

65%

Mais de 100 mil e até 500 mil hab

73%

Mais de 500 mil e até 1 milhão de hab  

49%

Mais de 1 milhão até 2 milhões

27%

Mais de 2 milhões até 3 milhões

46%

Mais de 3 milhão até 10 milhões

29%

Mais de 10 milhões (só São Paulo)

6%

Fonte: Anfavea

(*) 2007 a 2013

 

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