Carros compactos que marcaram o mercado brasileiro

Veja seis modelos lançados nas últimas décadas que revolucionaram o segmento mais importante do setor automotivo no país

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Fernando Miragaya
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A base do mercado brasileiro nas últimas décadas sempre foi a dos compactos. Os hatches e sedãs pequenos geralmente são os modelos que mais vendem no país. E, na maioria das vezes, os modelos desse segmento sempre ficaram na "zona de conforto".

Isso significa que inovações em termos de equipamentos sempre foram adotadas de forma gradativa e de acordo com a concorrência e o custo. O mesmo acontecia com o design, que geralmente é "pasteurizado".

Contudo, houve ousadias neste mercado nos últimos 50 anos. E não foram poucas. WM1 selecionou seis carros compactos que marcaram o mercado brasileiro, seja em termos de design, mecânica e tecnologia. Confira a lista.

Volkswagen Gol G1

Primeiro Volkswagen Gol vermelho quadradinho em uma garagem fechada com paredes brancas
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Legenda: VW Gol é um dos importantes carros compactos que marcaram o mercado brasileiro
Crédito: Divulgação

Às vésperas de completar 40 anos, o carro de maior produção e vendas de todos os tempos no país foi um marco para o segmento - e para a Volkswagen. Lançado em 1980, já ultrapassou a marca de 8 milhões de unidades produzidas e foi líder de mercado por 26 anos seguidos.

O primeiro Gol marcou o segmento de compactos por manter a robustez e fama de carro durável do Fusca, com roupa moderna e mais espaço. A missão do Projeto BX (que deu origem a Voyage, Saveiro e Parati) nasceu em 1976 em cima de uma plataforma do Polo europeu, só que adaptada para encarar as sofridas ruas brasileiras.

Tudo porque a Volkswagen procurava desesperadamente por um sucessor para o Fusca. O velho besouro ainda vendia bem, mas estava muito defasado em relação às novidades dos rivais: a GM tinha lançado o primeiro Chevette, enquanto a Fiat chegou ao país com o 147.

O Gol foi lançado em maio de 1980 com a promessa de carro inquebrável e desenho inspirado no Scirocco. A ampla área envidraçada, o porte retilíneo e os faróis diminutos conferiam um visual simpático. Por dentro, elementos do Passat emprestavam mais requinte do que o Fusca, e o porta-malas de 380 l era um argumento a mais.

Do Fusca o carro também herdou o motor arrefecido a ar 1.3, com potência elevada de 38 para 42 cv, que felizmente durou pouco. Apelidado de Gol Chaleira, o conjunto foi alvo de queixas e logo foi substituído pelo 1.6, também a ar, com carburador duplo, 51 cv e 10,5 kgf.m.

Chevrolet Chevette - Segunda geração

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Legenda: Chevette: tração traseira e motor valente o tornaram um dos carros compactos que marcaram o mercado brasileiro
Crédito: Divulgação

O primeiro Chevette já tinha sido um carro e tanto para a GM e para o segmento de compactos. Com a chegada do Fiat 147 e do VW Gol, contudo, o carro envelheceu de uma hora para a outra e uma nova geração teve de ser preparada no início dos anos 1980.

E surgiu mais um marco para o segmento de compactos. A segunda geração preservava o divertido conceito de motor dianteiro e tração traseira, só que com um jeitão de Monza - o modelo médio lançado em 1982.

O desenho chamava a atenção pela frente baixa e curva, grade que lembrava o Opala e linhas retas e elegantes. A cabine passava sofisticação no acabamento e trazia retrovisores com comando manual interno e quadro de instrumentos com nível de combustível e termômetro.

O carro foi um sucesso. Nem mesmo a posição torta dos pedais em relação à posição de dirigir atrapalhou a vida do Chevette. O sedã foi marcante para o segmento com ótima estabilidade, câmbio de engates extremamente macios e desempenho excelente para a categoria, proporcionado pelo motor 1.6 de 73 cv.

Fiat Uno - Primeira geração

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Legenda: Com desenho aerodinâmico, Uno está entre os carros compactos que marcaram o mercado brasileiro
Crédito: Divulgação

O hatch revolucionou o segmento de compactos no Brasil, de cara por ser um conceito mundial da Fiat, lançado apenas um ano antes na Itália. Mas o Uno guardava outras virtudes que o fariam marcar um segmento e perdurar por décadas em nosso mercado.

A começar pelo desenho anguloso e inclinado, que logo rendeu o apelido de "botinha ortopédica". Mas a alcunha pejorativa deixava evidente um coeficiente aerodinâmico de excelentes Cx 0,35, bem superior ao que os rivais detinham à época - para ficar "em casa", o 147 tinha Cx 0,50.

O aproveitamento do espaço interno também era revolucionário, assim como a ergonomia funcional e a posição de dirigir, que conferia ótima visibilidade para o motorista. O Uno brasileiro, contudo, usou a base do 147, com suspensão traseira com feixes molas transversais.

Esse jogo de suspensão se mostrou necessariamente robusto para o Brasil - e acabou sendo o mesmo do Uno exportado depois para a Europa. E ainda possibilitou outro destaque do compacto: o porta-malas maior, já que o estepe foi deslocado para o cofre do motor, ao contrário do caro italiano.

Chevrolet Corsa - Primeira geração brasileira

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Legenda: Chevrolet Corsa introduziu a injeção eletrônica entre os "populares" e teve até fila de espera
Crédito: Divulgação

Nos anos 1990, com a flexibilização para importados e nossos carros sendo chamados de carroças, coube à General Motors ousar com outo conceito global. A montadora lançava no segmento de entrada a segunda geração do Corsa, pouco tempo depois de o modelo ser apresentado na Europa - lá, era a terceira geração.

Além das linhas ovaladas e bastante modernas, e do acabamento mais caprichado, o Corsa trazia sob o capô a grande inovação: o sistema de injeção eletrônica, até então inédito entre os veículos populares - designação para carros com motor até 1.0 litro, que pagavam menos IPI.

O conjunto mecânico usava o motor 1.0 de 50 cv e a "novidade tecnológica" rendia até uma divertida campanha publicitária - na qual um senhor questionava o que as pessoas tinham contra o carburador. O Corsa foi um sucesso tão imediato que chegou a ser vendido com ágio de até 50% e filas de espera que chegavam aos três meses.

O modelo naquele mesmo ano ganharia versões com motores 1.4 e 1.6 (a saudosa GSi). O Corsa ainda gerou uma linha de produtos igualmente bem-sucedidos: picape, station wagon e sedã - o três-volumes perdurou até o início dos anos 2010, como Classic, e conviveu com a nova geração do compacto, que não teve o mesmo sucesso.

Peugeot 206

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Legenda: Peugeot 206 mexeu no segmento de compactos especialmente pelo design inovador
Crédito: Divulgação

O mercado de compactos sofreu da mesmice depois do Corsa e durante boa parte dos anos 1990. Os "populares" adotaram injeção eletrônica e tudo mais, mas o design e acabamento eram praticamente "padrão". Era um tal de carro com linhas arredondadas, como o VW Gol "Bolinha", Renault Clio e até o Ford Fiesta nacionalizado.

Eis que surge no Brasil o Peugeot 206 para quebrar paradigmas em termos de desenho. Linhas angulosas, carroceria com vincos e faróis espichados do hatch chamavam a atenção - quem não se lembra do filme indiano em que um cara martela e até usa um elefante para deixar seu carro velho parecido com um 206?

O 206 estreou no Brasil importado da França e depois passou a ser trazido da Argentina. Não se encaixava entre os populares. Mesmo assim, seu motor 1.6 de 90 cv conferia modernidade ao segmento. Já o acabamento interno caprichado estava anos-luz à frente dos outros hatches vendidos aqui.

Em 2001, o 206 passou a ser produzido no Brasil e até flertou no segmento dos "populares", graças às versões com o 1.0 16V - do Renault Clio -, que duraram só até 2004. O 206 também originou uma station wagon e deixou de ser vendido em 2009.

Seu sucessor, o 207, se mostrou um tiro no pé por parte da Peugeot. Em vez de surfar na onda da imagem de carro moderninho e jovem que o 206 agregou, a marca francesa, aqui, resolveu usar a base do velho hatch e a casca da nova geração para fazer o seu "206 e meio".  As vendas do 207 brasileiro não corresponderam às do antecessor.

Hyundai HB20

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Legenda: Hyundai HB20: design mais arrojado da marca sul-coreana contirbuiu para o sucesso do compacto

O mercado de compactos do Brasil só iria ser sacudido novamente em 2012. Foi quando a Hyundai lançou um hatch projetado e pensado para o Brasil. Com plataforma moderna - que depois serviu à nova geração do i20 europeu -, o HB20 foi outro modelo a abalar o segmento mais importante do país.

O desenho ousado se valia da nova linguagem que a marca sul-coreana adotava mundo afora em modelos como i30, Elantra e Azera. Faróis puxados, carroceria talhada e muitas saliências faziam do HB um carro moderno, atraente e diferente em meio ao segmento.

Além disso, trazia um acabamento com estilo marcante e que aparentava certo nível de sofisticação - ausente na concorrência. Na mecânica, além do 1.6, um interessante motor 1.0 três-cilindros com desempenho surpreendente.

A Hyundai estava tão disposta a brigar para valer no mercado que mirou justamente nos dois líderes dos anos 2000: Gol e Palio. Tanto que optou por um acerto de suspensão meio-termo entre a robustez do Volks e a suavidade do Fiat.

Deu certo: o HB20 produzido em Sorocaba (SP) e vendido em uma rede de concessionárias separada do Grupo Caoa (importador da marca) se tornou logo um sucesso comercial. Hoje, já na segunda geração, figura entre os três carros mais vendidos do país.

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