Conflitos de sobra

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Fernando Calmon
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- Ter uma idéia do futuro é um objetivo perseguido em todas as atividades econômicas, mas particularmente vital para os fabricantes de carros.

Incertezas, volatilidades, frustrações, ansiedades, tudo pode causar impacto e influenciar nos resultados com conseqüências severas no nível de investimento em cada mercado. No seminário As Novas Tendências na Indústria Automobilística, organizado esta semana em São Paulo, SP pela SAE-Brasil, a sociedade de engenheiros da mobilidade, ficou patente a complexidade do tema e que não está apenas nas decisões dos elos da cadeia de produção a sustentabilidade do próprio negócio.

O cenário torna-se ainda mais complicado porque as soluções interagem com a sociedade, o governo e o mundo acadêmico, além de não existir uma saída única aplicável em todas as regiões, conforme lembrou Holger Westendorf, vice-presidente de Desenvolvimento da Volkswagen.

Nos mercados maduros, que crescem menos de 1% ao ano, a melhor forma de fazer dinheiro é superar os concorrentes. Nos EUA, por exemplo, ganhar um ponto porcentual de participação significa lucrar um bilhão de dólares. Na China, ao contrário, as vendas sobem com muita força meio abalada no último trimestre e todos estão sorrindo, mesmo aqueles que perdem um pedaço do bolo. Nos países com alta taxa de motorização é necessário criar fatos novos, às vezes ilusórios. Pode ser um modelo híbrido que associa um motor a combustão e um elétrico ou a era da tração elétrica pura alimentada por pilhas a combustível hidrogênio fuel cell, respostas ao petróleo caro.

David Breedlove, diretor de Engenharia da Ford, disparou na sua palestra: “Estamos muito longe do hidrogênio como solução abrangente. Cada cavalo de potência liberado numa fuel cell custa 100 vezes mais caro em relação à gasolina.” A tendência de curto prazo é o aumento de segurança graças ao advento de sensores capazes de prever a severidade de um acidente para gerenciar airbags e cintos, estes com quatro pontos e infláveis. Mais adiante chegam os sistemas de visão avançada e de proteção de pedestres. Mesmo assim o preço dos automóveis tem que subir pouco. No Brasil, além do motor flex, ele prevê uma tendência para a caixa de câmbio manual automatizada e utilização de materiais mais leves.

Diretor da Engenharia de Produtos da GMB, o brasileiro William Bertagni aponta as mulheres e as pessoas mais velhas como dois dos públicos que merecerão atenção crescente, uma tendência que também ocorre no País por razões demográficas e econômicas. Nos próximos dez anos, em mercados ricos, haverá nos carros diversos alarmes contra colisão, derrapagem, distração do motorista e invasão de faixa. Para tanto a eletrônica subirá de 10% para 35% dos custos de produção, o que de alguma forma deverá ser compensado. Sistemas de informação de tráfego, inclusive comunicação entre veículos, já não parecem tão distantes.

Parte do seminário, no entanto, se desviou para a difícil conjuntura atual, sobre o conhecido problema da falta de rentabilidade e nos gargalos por falta de investimento. Sem contar a queixa geral contra a infra-estrutura brasileira de transportes. O diagnóstico é fácil: muitos anos de baixo crescimento econômico, juros altos e impostos crescentes. Nos próximos três anos a tendência é de recuperação. Como administrar os conflitos até lá são capítulos de uma longa e interminável novela.

RODA VIVA

LONDRES e Paris estudam impostos elevados para quem circular com utilitários esporte SUV nas ruas das cidades. Políticos criticam o tamanho dos SUVs no trânsito congestionado e danos causados a outros veículos em acidentes. Representam 6% das vendas atuais. Questão de cultura: nos EUA, jipes representam 30% e há menos reações contrárias.

ENQUANTO isso, utilitários compactos continuam sua invasão. Hyundai inicia comercialização agora nos EUA e Europa do Tucson, mesmo porte do EcoSport, que lá fora compete com Honda CR-V e Toyota RAV4, entre outros. Estilo é um de seus pontos fortes. Será exibido no Salão do Automóvel de São Paulo, mas importação só em 2005. Candidato a produção local.

TEMPOS de gasolina cara e em véspera de aumento valorizam ferramentas de consulta de preços. Um deles — www.buscape.com.br — permite encontrar combustível mais barato num raio de mil metros em torno de um endereço ou numa pesquisa de rota. Melhor ainda para quem possui Internet no celular. Serviço em grandes cidades de São Paulo, Minas, Rio e Paraná.

BANCOS socorrem empresas endividadas ou que necessitam de dinheiro para investir. Maioria das fábricas de veículos no mundo depende deles de uma forma ou de outra. Exceção da Toyota. Sua situação financeira é tão sólida que vai ajudar com empréstimo o banco japonês UFJ, no qual tem participação minoritária no capital. Curiosa inversão de papéis.

PARA atender a crescente demanda de rádios/tocadores de CD, Blaupunkt lança cinco modelos entre R$ 479,00 e R$ 4.200,00. Impostos encarecem esses acessórios nas linhas de montagem de veículos, ficando mais barato instalar depois numa loja. Alivia também quem acaba de comprar um carro.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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