Convivência pacífica

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Fernando Calmon
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- A grande concentração no transporte de cargas por estradas tem sido historicamente criticada no Brasil. Afinal, cerca de dois terços do volume total circula em caminhões. O que se pergunta é sobre alternativas, como os modais ferroviário e hidroviário. Elas existem, porém não se mostram competitivas e isso está comprovado também em outros países. Nos EUA, por exemplo, 70% em valor das cargas transportadas são responsabilidade dos caminhões. E a convivência, cada vez maior, entre automóveis e veículos pesados nas estradas gera preocupações com a segurança de trânsito.

Quem observa um caminhão moderno capaz de tracionar mais de 45 toneladas pode concluir, apressadamente, que se trata de um veículo difícil de dirigir, que exige grande esforço físico e bem pouco auxiliado pela tecnologia. Ledo engano. A evolução técnica foi surpreendente ao longo dos anos. Ainda assim, caminhões exigem treinamento dos motoristas especialmente voltado à segurança e, também, ao modo correto de condução a fim de obter o máximo em desempenho operacional, o mínimo de consumo de combustível e de paradas imprevistas para manutenção.

Habilidade para manejar caixa de câmbio manual de 13 marchas à frente e três à ré pode ser um desafio, mas vem sendo vencido. Automatização de caixas manuais, com a ajuda da eletrônica, permite dirigir um caminhão usando só dois pedais, o do acelerador e do freio. Marchas ascendentes e descendentes são selecionadas no tempo certo, sem perdas mecânicas dos câmbios automáticos comuns. Vantagem adicional é a concentração do motorista apenas na estrada, sem necessidade de acionar embreagem e alavanca de câmbio.

Para se ter idéia da tecnologia em favor da segurança aplicada aos caminhões, basta saber que o sistema de monitoração do tráfego por radar e alerta contra colisão existe desde 1994, enquanto o mesmo equipamento só chegou aos automóveis — Distronic, no mais caro Mercedes-Benz, o Classe S — em 2002. A Eaton, empresa americana que produz câmbios manuais e automatizados para veículos comerciais, diversificada linha de autopeças e atividades industriais, aperfeiçoa esse tipo de controle desde o final dos anos 1980. Batizado de Vorad, pode ser acoplado a um controlador automático de velocidade e de distância programáveis para o veículo que segue à frente, seja carro, moto ou outro caminhão, em retas ou curvas. É capaz de diminuir a velocidade e ajustar a distância sem intervenção do motorista.

Ao preço aproximado de US$ 3.000,00 cerca de 3% do valor de um caminhão-trator com carreta, pode se pagar em menos de um ano pelos acidentes evitados, redução de consumo de combustível e de freios, além de facilitar o trabalho do motorista. Há outros recursos opcionais: monitoramento completo de como o caminhão é conduzido e seu desempenho, em tempo real, enviando por telefone celular, e ainda a função de reconstituição de acidentes pois grava e rastreia, em módulos de dez minutos, até 20 veículos na estrada simultaneamente.

Esses equipamentos não são obrigatórios nem mesmo nos EUA, mas sem dúvida ajudam bastante na convivência pacífica, apesar da disparidade de porte, entre diferentes veículos em circulação.

RODA VIVA

FONTES da Argentina confirmam que a Ford também vai procurar mais competitividade no segmento dos médios compactos. Focus fabricado em Buenos Aires ficará igual ao novo europeu, a ser lançado em 2007. Até agora, estratégia era alinhar o modelo brasileiro ao americano, mas isso não tem se mostrado suficiente. Carro novo só deve chegar ao Brasil no final de 2008.

PRETENSÃO da Citroën ao importar o C4 VTS cupê, a partir do próximo mês, é se tornar possível opção aos compradores do Audi A3 nacional, que pára agora, mas terá algum estoque até novembro ou dezembro. Pelo preço, o modelo feito no Paraná não abria espaço para carros europeus com imposto de importação de 35%. Claro, haverá A3 alemão para tentar barrar rivais audaciosos.

MÊS de julho confirmou que o mercado interno continua aquecido. Média diária de vendas está bem perto de 8.000 unidades/dia, ritmo próximo ao ano recorde de 1997. Alongamento dos prazos de financiamento tem trazido prestações a valores mais acessíveis. Entretanto, só em 2007 haverá chance de superação do recorde, depois de uma década praticamente perdida.

MOTOR de dois litros trouxe desempenho que o mercado exigia do Mégane II. Reflexo nas vendas ainda tem sido lento, mas novo propulsor de 138 cv forma um conjunto interessante com o câmbio automático de última geração, apesar de apenas quatro marchas. Uma vantagem é gerenciar bem o freio-motor, ajudando a diminuir o consumo excessivo de pastilhas e discos, típico de câmbios antiquados.

ALUNOS de auto-escolas terão que receber mais instruções de como dirigir em estradas. Projeto do deputado Francisco Rodrigues PFL-RR, ainda em discussões na Câmara Fcaptional, previa exames de direção também em trechos de rodovia. Proposta não vingou por possíveis riscos envolvidos. Exames continuarão em vias urbanas.
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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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