Correndo atrás

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Correndo atrás
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Interessante constatar que o disputado mercado de modelos de entrada ainda permite estratégias diferenciadas de abordagem pelos fabricantes. O melhor exemplo é do novo Ka, à venda só no final de janeiro. Com preço de entrada de R$ 25,19 mil, a Ford colocou itens de série que se distanciam do que se pode chamar de carro básico. Travas elétricas das portas acionadas automaticamente, controle remoto de abertura de portas e tampa do porta-malas esta também com comando no painel, alarme, pára-choques na cor da carroceria e até indicador de manutenção no quadro de instrumentos somam um custo na casa dos R$ 700.

A fábrica teria condições de oferecer preço quase igual ao do Mille quatro-portas. Preferiu, porém, surpreender e proporcionar certo grau de superioridade em relação ao existente hoje. Para alcançar esse patamar, as concessionárias abriram mão de parte da margem, fornecedores e sindicatos colaboraram e o governo paulista liberou créditos de impostos retidos. Além de 80% de peças não-visíveis aproveitadas de outros modelos da marca.

A Ford reformulou totalmente as linhas quase exóticas do automóvel subcompacto de quatro lugares desenhado por Claude Lobo, lançado em 1996 na Europa e apenas seis meses depois no Brasil. Só as portas têm algum vínculo com o Ka original. O novo cresceu 4 cm na altura, 1 cm na largura e 22 cm no comprimento. O volume do porta-malas aumentou de 186 para 263 litros e o tanque de combustível ganhou 3 litros — os 45 litros atuais ainda perdem para os concorrentes.

Projetado no centro de desenvolvimento de Camaçari BA, o carro perdeu em originalidade de linhas, mas ganhou muito em estilo e funcionalidade. A traseira parece mais bonita que a frente, sem desequilibrar o conjunto. Há itens marcantes: desenho das janelas traseiras, lanternas de trás que imitam LEDs e até as inusitadas forrações internas de portas. Só o volante de direção exigiria alguma inspiração.

A combinação do teto mais alto com as laterais reformuladas levou a acomodar três passageiros no banco traseiro — antes dois —, com as limitações de praxe. A distância entre eixos permaneceu, pois o chassi é o mesmo do antigo Fiesta, mesma fórmula usada no Celta em relação ao Corsa anterior. Espaço para as pernas, portanto, ficou praticamente igual.

Apesar de maior que o antecessor, o novo Ka ganhou apenas 12 kg, o que é um feito, considerando as novas dimensões e isolamento termoacústico melhorado. O estepe continua debaixo do assoalho do porta-malas: a fábrica aperfeiçoou o sistema de travas e diminuiu o esforço, mas ainda incomoda. Por outro lado, nove porta-objetos no interior facilitam a vida a bordo.

Dirigibilidade e comportamento em curvas continuam entre os destaques preservados, bem como a alavanca de câmbio elevada e bem precisa nos engates. É o DNA da Ford. Na frente, adotou-se subchassi para filtrar melhor as irregularidades do solo. Em piso muito ondulado há algum incômodo, talvez por molas e amortecedores algo mais duros que o ideal. Há um bem definido apoio para o pé esquerdo.

A Ford acertou na relação preço-benefício e impôs-se como referência na faixa de entrada com o novo Ka. Os outros terão que correr atrás.

RODA VIVA

SEGUIDOS recordes de vendas trazem, para alguns analistas, o medo de um “apagão” no trânsito nas grandes regiões metropolitanas nos próximos anos. Trata-se do velho dilema: excesso de carros ou escassez de ruas? Sérgio Reze, da Fenabrave, acha que o poder público pouco ou nada faz para planejar ou aperfeiçoar a malha viária. Isso teria que mudar urgentemente, segundo ele.

PARA consolidar a integração do Mercosul na área automobilística, está por cair a última restrição. Carros oriundos da Argentina, sempre sem pagamento de imposto de importação, também poderão ser vendidos para taxistas. Essa antiga restrição da lei brasileira, de fato, perdeu o sentido. Mesmo porque grande parte das peças utilizadas nas linhas de montagem de lá provêm daqui.

COMPARAR consumo entre gasolina e GNV exige que se façam as contas sem os pesados cilindros. Embora fabricantes de kits informem vantagem de mais de 20% km/m³ x km/L, os números da Fiat são outros. Apesar de toda a eficiência do kit de fábrica, a economia chega a 13%. Para chegar aos 20%, parâmetros antipoluição e de desempenho teriam de ser desprezados. É o que ocorre com freqüência.

INJEÇÃO eletrônica de combustível completa 40 anos. Primeiro carro de série a ser vendido com o dispositivo D-Jetronic, da Bosch, foi o VW 1600 TLE, na Alemanha. Responsável pelo fim do carburador, a injeção se impôs porque ajudou a cortar em 90% as emissões de gases tóxicos. Apareceu primeiro nos aviões, na II Guerra Mundial.

SINTOMÁTICO o interesse pelo desenvolvimento técnico do álcool em motores no exterior. Trabalho vencedor, entre os de estrangeiros apresentados no recente Congresso SAE Brasil, foi sobre etanol 100% e não 85%. Australiano Simon Brewster mostrou seus estudos sobre injeção direta em motores a etanol com turbocompressor.

Leia outras colunas de Fernando Calmon aqui
________________________________

Receba as notícias mais quentes e boletins de manutenção de seu carro. Clique aqui e cadastre-se na Agenda do Carro!
_______________________________
Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors