Deveres de casa

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Deveres de casa
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Apesar de o mercado interno estar se recuperando bem, começa a preocupar a defasagem de estilo e até tecnológica de vários modelos. Nem sempre foi assim. Nos início dos anos 1970, pelos menos dois carros — Chevette 1973 e Passat 1974 — tiveram lançamentos alinhados com a Europa, sendo que no caso da GM os brasileiros puderam comprar seis meses antes que os europeus. Em plena era dos carros mundiais, na década seguinte, o distanciamento voltou a se estreitar com o Monza 1982 e o Escort 1983, porém a VW defasou a apresentação do Santana em três anos de 1981 para 1984. Por sua vez, o Uno foi lançado em 1984, apenas um ano depois da Itália.

Graças, entre outros fatos, à abertura às importações, em 1990, a competição aumentou. A vinda de novos fabricantes, a partir de 1998, colocou o Brasil em novo patamar de atualização. Os recém-chegados tiveram que trazer produtos iguais aos que já produziam no exterior. O problema foi a diminuição das escalas de produção a partir de 1997 e a perda de poder aquisitivo dos compradores. Como resultado, compactos e todos os seus derivados passaram a responder por 80% das vendas totais.

No segmento seguinte, dos médio-compactos, as quatro marcas veteranas começaram rapidamente a perder espaço. Golf e Astra estão uma geração defasados; Focus e Stilo ficarão distanciados já no próximo ano. Entre os novos fabricantes, a Renault tem atraso contabilizado no Scénic e, em 2007, Picasso de cinco lugares, da Citroën e 307, da Peugeot, enfrentarão a mesma situação. Só os japoneses têm conseguido se manter em posição confortável: o Civic chegou apenas seis meses depois em relação aos EUA, onde também é fabricado, e o Corolla mudará em 2007. Marcas que produzem há menos tempo no Brasil precisam de renovação acelerada para ter condições de competir, mesmo quando se beneficiam de instalações menores e mais flexíveis.

Entre as veteranas, as estratégias de atualização são diferentes. A GM afirma que em quatro ou cinco anos sua nova política de arquiteturas globais evitará o abismo hoje existente no Astra em relação à Europa. Tradição em carros médios não é o forte da Fiat, mas a arquitetura do Idea permite dar um passo adiante em tamanho. A Ford mantém a posição de que o Focus continuará sendo balizado pelo modelo americano e não pelo europeu, ao contrário dos rumores na Argentina, onde é produzido. A Volkswagen depende de profunda reestruturação trabalhista em São Bernardo do Campo SP para garantir investimentos diversificados e, por enquanto, só haverá leve reestilização do Golf em 2007.

Não basta, porém, os fabricantes fazerem os deveres de casa. O governo precisa reduzir a carga fiscal média sobre os automóveis no mínimo para o nível da Argentina, ou seja, 10 pontos percentuais abaixo. A arrecadação de tributos tende a ficar igual pelo reflexo positivo nas vendas, estimado em 15%. Está aí a referência dos computadores, que cresceram de modo espetacular quando o peso menor dos impostos e outros fatores ajudaram a diminuir o preço final. Se as escalas de produção subirem, ficará mais barato produzir veículos um pouco maiores, diminuindo o peso excessivo dos compactos no cenário atual.

RODA VIVA

ESTÁ perto a definição sobre novos investimentos mundiais do Grupo VW. Tudo indica que o México receberá nova fábrica, onde o Passat poderá ser produzido e exportado para os EUA e toda a América do Sul. Facilita o fato de este modelo usar a mesma arquitetura do Jetta, também fabricado pelos mexicanos.

DEMORA no lançamento do motor de 1.000 cm³ flex no Fiesta pegou a Ford no melhor do seu fôlego financeiro. O carro está à venda por preço igual ao do motor a gasolina, mesmo sem o incentivo de 2 pontos percentuais de imposto aplicável entre 1 e 2 litros de cilindrada. Na versão hatch o desempenho está no limite do razoável, porém no sedã mais pesado deixa algo a desejar. Usando álcool, porém, o custo/km rodado é cerca de 10% mais alto do que dos flex concorrentes.

EXPLOSÃO de mais um veículo ao abastecer num posto de gás, na capital paulista, indica a necessidade urgente de inspeções. Proprietário usava um cilindro pirata, como de outras várias vezes. Associação Brasileira de GNV concorda em manter maior controle sobre a frota, mas considera exigências do Ibama severas demais. É incorreto mudar a lei para amparar infratores nesse nível de risco.

ASSOCIAÇÃO Brasileira de Medicina de Tráfego volta a destacar o problema de sonolência ao volante. Além do cansaço físico e/ou mental e da ingestão de álcool ou drogas, lembra que alguns remédios aparentemente inofensivos exigem atenção. Antigripais e relaxantes musculares induzem ao sono e motoristas devem evitar.

ILUMINAÇÃO por leds vai aposentar de vez as lâmpadas tradicionais em futuro não muito distante. Melhora a visibilidade, consome menos energia e ocupa espaço menor. Durabilidade de 100.000 horas significa que ainda estarão funcionando com toda a eficiência quando o carro for para o ferro-velho.
_______________________________
E-mail: Comente esta coluna

Envie essa coluna para uma amigoa

Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors