Distração ao volante

Falar ao celular, mudar a estação do rádio, acender um cigarro, comer ou beber são algumas situações
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Fernando Calmon
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- Entre as mudanças no Código de Trânsito Brasileiro, atualmente em discussão na Câmara dos Deputados, está a escalada na punição a quem dirige falando ao celular. Das comissões emergiu a proposta de enquadrar a falta como gravíssima hoje, média, igualando-a a transgressões severas, a exemplo de ultrapassagem perigosa e disputar corridas clandestinas.

O potencial de distração de segurar um telefone e dirigir certamente existe. Por outro lado, graças os sistemas de viva-voz a lei torna-se letra-morta, quanto à fiscalização, embora permaneçam teses de que a conversação telefônica implica os mesmos riscos de dirigir alcoolizado. De fato, alguns estudos tentam demonstrar esse exagero, porém na prática a maioria dos países trata o tema com cautela.

Nos EUA, onde a frota registrada está em torno de 250 milhões de unidades oito vezes maior que a brasileira, motoristas falam milhões de minutos ao celular todos os dias. Alguns pesquisadores alegam que o órgão encarregado da segurança de tráfego esconde relatórios sobre o problema, o que parece sem sentido. Entretanto, somente no início de 2009 uma lei nacional proibiu escrever textos ao celular, enquanto se está ao volante. Esse hábito, de fato, traz um risco bem maior, mas ninguém teve pressa em criar a restrição. Alguns estados americanos só permitem que se fale ao telefone por meio de viva-voz mãos livres. A maioria permanece indiferente.

Contudo, distração ao volante tem merecido estudos aprofundados da indústria automobilística. Há várias situações de risco de acidente ou de seu agravamento. Mudar a estação do rádio, acender um cigarro inclusive fumar, conversar ou discutir com outras pessoas, comer ou beber, desviar o olhar da estrada para orientação, discar um número telefônico ou selecionar música de tocadores digitais são algumas situações.

No Laboratório de Distrações montado pela Ford, nos EUA, simuladores de última geração monitoram e analisam comportamentos ao volante. Óculos com pequenos mostradores de LCD são capazes de registrar perfeitamente o tempo de oclusão, ou seja, o intervalo em que os olhos se mantêm desviados de uma estrada virtual para consultar uma tela de navegador, celular ou tocador de música.

Se 85% ou mais das pessoas submetidas ao teste conseguem completar a consulta ou tarefa, dentro do limite de tempo considerado seguro, o dispositivo é aprovado. Caso contrário, programa-se para que a tela se apague, enquanto o carro está em movimento. O teste com óculos de oclusão mostrou-se mais rápido e eficiente do que outros métodos de avaliação.

Dessa forma foi possível desenvolver softwares de reconhecimento de voz muito eficientes – independentemente do modo de falar e do sotaque regional. Eles permitem comandos vocais para mudar a estação de rádio ou faixa de CD, controlar o ar-condicionado, selecionar rota no navegador de bordo ou discar número. Tudo isso sem tirar os olhos do caminho ou afastar as mãos do volante.

Pesquisas também apontaram que jovens – entre 16 e 18 anos, principalmente – são os que menos percebem os riscos de ler ou digitar mensagens ou números, enquanto dirigem, e mais resistem a mudanças.

RODA VIVA

AINDA é embrionária a ideia de substituir a cilindrada por índice de consumo ou emissões no cálculo do IPI. A coluna indagou Jaime Ardila, presidente da GMB: “Cilindrada não deveria ser critério para as alíquotas. Um único percentual menor sobre todos os carros e taxação seletiva sobre combustíveis levaria os fabricantes a melhorar os motores de forma rápida.”

PRESIDENTE da Renault, Jean-Michel Jalinier, disse que se o critério para o IPI fosse consumo de combustível ou mesmo emissões de CO2 não haveria problemas. “Na Europa a legislação caminha para tornar o CO2 fator decisivo para taxação dos automóveis. Lá os fabricantes estão se adaptando e poderíamos trabalhar aqui com esse ou qualquer outro parâmetro.”

SISTEMA Dualogic de automatização da caixa de câmbio manual, na linha Palio, mostrou bom avanço. Ao avaliar o Palio ELX 1,8 l, nota-se nível de hesitação ou demora na troca de marchas bem menor do que no Linea ou no Stilo. É equivalente ao I-Motion, da VW, que usa o mesmo sistema da Marelli. Em manobras lentas, porém, controlar o acelerador continua ruim.

VOLVO caiu nas mãos dos chineses da Geely. Ford vendeu o controle por um terço do que pagou aos suecos há 10 anos. Os americanos receberão apenas US$ 2 bilhões pelas ações, mas estanca o prejuízo e se livra dos investimentos que a marca exigiria. Quanto à Saab, outra sueca, a GM deve encerrar as operações – sempre deficitária – definitivamente.

DURANTE apresentação prévia da picape média argentina VW Amarok surgiu uma brincadeira. Pronúncia em inglês do nome assemelha-se a “I am a rock”, traduzindo, “Sou uma rocha”. Amarok significa lobo para uma tribo de esquimós. A fábrica não ficou aflita. Desde o início, o projeto se chamava “Robust”, em alusão a uma picape parruda.


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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors e em uma rede nacional de 63 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto Inglaterra.

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