Economia custa caro

Tecnologias para diminuir consumo de carros vão elevar o preço dos veículos
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Fernando Calmon
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- Por exigência de puro marketing ou para atender as previsões alarmistas sobre a participação do homem e dos veículos nas mudanças climáticas, o fato é que todos os fabricantes do mundo estão empenhados ao máximo em reduzir o consumo de combustíveis. Se acrescentar a insegurança quanto ao preço do petróleo – sujeito a pressões políticas e de demanda –, está formado o cenário de preocupação. Crises também geram oportunidades. Pesquisas centradas em powertrain trem de força – motor e caixa de câmbio avançam e apontam resultados além do que se imaginava.

Reflexos aparecem até mesmo na F-1. Dispositivo de recuperação de energia em freadas será obrigatório em breve. Estima-se que em cada volta acumulam-se 60 cv, antes dissipados em forma de calor nos freios. Esse aproveitamento gera economia de gasolina, no caso não muito grande, mas alinhado à racionalidade pretendida. O compacto BMW Série 1 é o primeiro automóvel convencional assim equipado e a tendência é de expansão à medida que o preço caia com o aumento de produção.

Outra conquista originada das pistas é a caixa de câmbio de dupla embreagem. Esse sistema manual automatizado assegura uma economia de combustível de 4% em relação aos manuais tradicionais e de 10% sobre os automáticos convencionais com conversor de torque. A rapidez de troca é sensacional, mas ainda custa caro. Volkswagen e Audi, pioneiras, utilizam discos em banho de óleo, mas a evolução a seco mais barata deve se impor – já disponível no Golf europeu. Nissan, Ford e BMW também oferecem esse tipo de câmbio. A Fiat espera ter sistema a seco pronto em 2009, opcional para o Bravo.

A FPT Fiat Powertrain Technologies, criada em 2005, é a aposta do grupo italiano nesse setor. “O alto custo das pesquisas deve levar outros fabricantes a comprar motores de quem tenha foco em pesquisa e capacidade instalada para vender”, afirmou Alfredo Altavilla, principal executivo, a jornalistas na Itália. Nessa estratégia insere-se a compra da Tritec, de Campo Largo PR, fábrica moderna para 400.000 motores/ano que havia parado há nove meses.

No centro de pesquisas de Elasis, sul da Itália, a FPT trabalha num grande avanço em motores a gasolina, batizado de Multiair. Ao eliminar a árvore de comando de válvulas de admissão acionamento destas por solenóides e a borboleta de aceleração, há um ganho entre 10% e 15% de consumo. Isso associado ao uso de turbocompressor vai diminuir bastante a vantagem do diesel para automóveis em termos de economia e torque. A tendência de médio prazo, estima-se, é o mercado europeu de carros a diesel encolher para até 30% hoje, 50%: nos postos já caiu a diferença ao abastecer. As “muletas” técnicas para controlar a poluição do diesel também encarecerão ainda mais o veículo. Só em 2013 alcançará índices de emissões atuais da gasolina.

Todo esse avanço, porém, não será indolor ao bolso. Segundo Rinaldo Rinolfi, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da FPT, “cada 10% de economia significará, em média, 350 euros quase R$ 1.000 no preço final do carro”. Se os europeus criaram suas neuras, devem estar dispostos a pagar. Ainda bem que no Brasil temos o álcool.

RODA VIVA

MELHOR março da história: 232.000 unidades vendidas no mês passado. A indústria continua crescendo muito: 31% no primeiro trimestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. Ao ritmo atual de vendas diárias o Brasil atingirá 3 milhões de unidades no final de 2008. Anfavea acha que a partir deste mês a base referencial 2007 aumenta e efeito estatístico será menor.

PUNTO esportivo com motor turbo, previsto para o segundo semestre, não deve se chamar Abarth. Fiat quer alçar esse nome a grife, e só o aplica, atualmente, em modelos de duas portas. Aqui o Punto é fabricado com quatro portas. Stilo ganhou versão Abarth antes dessa nova estratégia. Turbo 1.4R parece ser a escolha natural.

NOVO Ka continua pairando acima das previsões de venda da Ford. Em avaliação pela coluna, com motor de 1.000 cm³/73 cv, esse compacto de muito bom preço revela-se apenas razoável de dirigir em cidade. Visibilidade inclusive espelhos retrovisores generosos é um dos pontos altos. Acelerações, no entanto, estão longe de empolgar. Em estrada, carregado, certamente não está na sua “praia”.

APESAR das fortes resistências à instalação de rastreadores em todos os carros novos já na linha de montagem, em 2009, fornecedores continuam a se movimentar. Motorola e Claro acabam de anunciar parceria para ofertar módulos de transmissão de dados sem fio mais acessíveis. Motorola, produzindo em Jaguariúna SP, afirma ter baixado o preço.

MULHERES que sofreram amputação dos seios mastectomia também podem comprar, sem impostos, veículos com câmbio automático e direção assistida, a exemplo de portadores de necessidades especiais. Dirigir exige esforço maior nos braços, mas muitas desconhecem esse benefício. Há uma loja multimarca – Grand Special –, em S. Paulo, especializada nesse público.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra

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