Em prol do bom senso

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Fernando Calmon
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- Desfazer hábitos incorretos de muitos motoristas ao instalar acessórios em seus carros é o grande desafio do Departamento Nacional de Trânsito Denatran nos próximos meses. Cabe a esse órgão, com ajuda de comissões temáticas, encaminhar as conclusões dos estudos ao Conselho Nacional de Trânsito para serem transformadas em resoluções com força de lei. Na verdade, tudo já foi exaustivamente analisado, mas a orientação anterior do Denatran era proibir o que não devia e liberar o que devia ser proibido.

Alfredo Peres da Silva, atual diretor, herdou a árdua tarefa de desengavetar. E sentiu que haverá fortes reações, se quiser fazer valer a lógica e o bom senso em prol da segurança no trânsito. Fabricantes de engates de reboque falsos misturados com verdadeiros fizeram passeatas e mobilizaram sindicatos para defender empregos. O próprio Denatran sinalizou com um recuo, espera-se, apenas momentâneo. Na realidade, os interessados querem desviar o foco do problema.

Qualquer motorista pode rebocar até 6 t trailer só com carteira “E”, desde que utilize um engate seguro, seja fixo ou desmontável. A questão é simples: parou de puxar, tem que recolher o engate. Se isso não constar do primeiro artigo da futura lei, o modismo irresponsável continuará agravando os prejuízos. Logo surgirão engates desmontáveis de enfeite, apenas para proteger o pára-choque, além de lesionar pedestres. Algumas companhias de seguro avaliaram os prejuízos e já cobram mais dos justiceiros que querem impor respeito à traseira, conforme a propaganda de alguns dos 150 fabricantes de engates. Por coerência, também se deveria impedir, como ocorre na Europa, o uso de quebra-mato ou estruturas protuberantes, por agravar as conseqüências de um atropelamento. Certos modelos teriam que abandonar esse recurso de mau estilo.

Embate maior será contra o uso irregular de películas escurecedoras nos vidros dianteiros. Criou-se uma falsa áurea de segurança pessoal, desprezando os riscos de baixa visibilidade, em especial de noite, em túneis ou em dias de chuva e neblina. O Denatran homologará um aparelho de medição de transparência, mas talvez nem fosse necessário. Boa parte dos veículos atuais sai de fábrica com vidros dianteiros na transparência mínima permitida e não poderiam usar nenhum tipo de película. O efeito visual de carro funerário, destacando vidros traseiros bem mais escurecidos, desencorajaria quem confunde o ambiente de automóvel com o de boate. Resta saber se veículos oficiais também serão obrigados a limpar os vidros dianteiros, pois a lei é para todos.

O Contran acertou na liberação de navegadores de bordo que utilizam mapas digitais, embora obrigando a imagem a desvanecer da tela com o carro em movimento, o que tira boa parte de sua funcionalidade. É algo irrelevante para a segurança, além da fiscalização complicada. Muito já se discutiu sobre distração como causa de acidentes, mas não há provas cabais de que navegadores e celulares sejam considerados vilões. Existem milhões deles em uso no mundo. Manteve, no entanto, corretamente, a permissão de imagens de TV e DVD, no painel frontal, só com o veículo parado.

RODA VIVA

MARCA indiana Tata continua estudando o mercado brasileiro e a possibilidade de construir uma fábrica. Embora nada tenha sido confirmado, começará a exportar ao continente sul-americano pela Venezuela até o fim do ano. Produtos indianos são baratos e podem concorrer nas faixas de preço mais disputadas.

CARROS médios comandam a preferência dos europeus. O primeiro compacto só aparece em quarto lugar no ranking 2005. Entre os 12 primeiros, só o Grande Punto ainda não é produzido no Mercosul: Golf, Astra, Focus, Peugeot 206, Peugeot 307, Mégane, Clio, Fiesta, Scénic, Corsa, Polo e Punto. Hatchs, sedãs e peruas são somados em cada modelo. Levantamento da Jato do Brasil.

ÍNDICE de nacionalização de apenas 40% ajudou a tornar competitivo o preço do utilitário Pajero Sport HPE, produzido em Catalão GO. Utiliza a mesma arquitetura mecânica da L200 e ficou 7% mais barato: R$ 127.830,00 com motor V6/3,5 l/200 cv a gasolina. Resta saber se a versão a diesel, dentro de três meses, terá condições de preço atrativo frente à Hilux SW4 argentina, que domina o segmento.

MAIS um projeto de lei na Câmara prevê que aos 16 anos já se possa dirigir: sozinho, no município onde os pais vivem; em rodovias desde que acompanhado por motorista habilitado com carteira definitiva. Melhor seria criar também um seguro de responsabilidade civil específico. Para evitar dúvidas jurídicas, o menor poderia responder por seus atos, enquadrado no Estatuto da Criança e do Adolescente.

AINDA há nostálgicos que aconselham aquecer o motor, pelo menos por 30 segundos antes de partir, para garantir boa lubrificação. Esqueça. Acione a chave, encaixe o cinto e saia com o carro. Estará poupando combustível e diminuindo a poluição, especialmente em locais fechados. Óleos lubrificantes de hoje oferecem justamente essa proteção.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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