Em time que ganha não se mexe, mas a Fiat estava incomodada

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Fernando Calmon
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- Dizem que em time que ganha não se mexe, mas a Fiat certamente estava incomodada porque no segmento de stations, ao contrário dos demais em que atua, as coisas não iam tão bem como no resto da linha. Por isso, o investimento na perua Palio Weekend 2009 foi grande e incluiu reformulação acima do que os concorrentes esperavam. Além disso, a agilidade permitida pelo centro de desenvolvimento em Betim MG tornou-se fator-chave para atacar os pontos fracos e atender as expectativas do consumidor brasileiro.

A estratégia básica de acentuar o conceito Adventure revela-se correta. Duas das três versões receberam suspensões elevadas, mas a saída de cena da antiga versão HLX com motor de 1,8 litro pode fazer falta. Todos os pontos fracos de estilo foram bem resolvidos. As lanternas traseiras feias deram lugar a um conjunto bonito. A terceira janela ficou bem melhor. Na versão ELX, sem os adereços exagerados que atrapalham a análise, sobressai o acerto do desenho nacional, no caso superior à última intervenção conduzida pelo badalado estúdio turinense Italdesign. A Trekking também exibe linhas mais limpas, mantendo as suspensões altas da Adventure anterior.

A Fiat não esconde que aumento de conteúdo e avanço mecânico, sem alteração no preço, formam a orientação principal do projeto. E nesse contexto cabia a evolução do conceito aventureiro, criado por ela mesmo e com imitadores de plantão. Adotar diferencial bloqueável por comando eletromecânico para melhorar o desempenho no fora-de-estrada de baixa dificuldade, sem dúvida, foi boa idéia.

Batizada de Adventure Locker sem a identificação Weekend, impressiona pelas suspensões ainda mais elevadas agora 19 cm de vão livre, bitolas e rodas maiores, pára-lamas alargados, imitação de quebra-mato sobre a grade dianteira, além de apliques laterais e na tampa traseira, sem esquecer, no interior, de bússola e clinômetros. Há certo exagero no visual dessa versão, caminhando na tênue linha entre bom e mau gosto, como cromados na grade e molduras dos pára-lamas dianteiros sobre a ponta dos faróis. Para compensar 30 kg de peso extra e pneus de dimensão 205/70-15 foram ligeiramente encurtadas as relações de quinta marcha e diferencial.

Entre as boas soluções de engenharia estão os novos amortecedores com molas internas de controle de inclinação da carroceria. Durante a avaliação, a Adventure Locker destacou-se por respeitar a sensação de segurança em curvas. O diferencial bloqueável mostrou-se eficiente, mas o motorista tem que lembrar de colocar o pé no freio, antes de apertar o botão no painel, e ainda manter a velocidade abaixo de 20 km/h para o sistema não se autodesligar em pisos difíceis. Desenvolvido pela Eaton e a divisão FPT da Fiat, o sistema é, antes de tudo, barato. Solução passiva e mais eficaz seria o ABD Freio Automático do Diferencial, em inglês que usa o sistema de freios ABS, já aplicado em vários modelos 4x4 e 4x2, inclusive no Stilo.

Responsável por previsíveis 50% das vendas da família, a Locker apenas passa longe do conceito SUV Light, como querem os marqueteiros da Fiat, porque a carroceria nada tem a ver com a de um utilitário esporte.


RODA VIVA

VERSÃO station do Corolla, Fielder sai mesmo de produção em meados do ano. Ficava caro – além da baixa procura mundial – desenvolver nova carroceria para a arquitetura atual. Em compensação, Toyota se apressa para oferecer motor de 2.000 cm³ ainda em 2008. Só não foi lançado simultaneamente com o novo sedã porque a versão flex exigiu mais tempo de desenvolvimento.

AÇÃO de marketing Quatro Rodas Experience, terceira edição, conseguiu dois tentos. Quem foi a Interlagos pôde andar no Punto Turbo, motor italiano de 155 cv, chassi nacional, até antes do lançamento para a imprensa. E também dar umas voltas no SUV americano de grande porte Chevrolet Tahoe, em versão híbrida motores a combustão e elétrico, como demonstração tecnológica.

ENQUANTO não chega nova picape em 2010, GM providenciou retoques na S10 já como linha 2009. Grade, pára-choques, alguns apliques e tomada de ar ampliada sobre o capô identificam mudança de ano-modelo. Volta com força a cabine simples por preço bem competitivo e motor flex de 2,4 litros e 141/147 cv. Único entre picapes médias, é civilizado e mais rápido com álcool do que diesel.

MESMO com importação do utilitário esporte Captiva em junho, Blazer continua em linha porque tem participação forte como veículo de forças de segurança. Nissan XTerra e outros até se insinuaram, mas rede pequena de assistência técnica atrapalhou. Como a S10, também recebeu leve maquiagem para marcar ano-modelo e ganhar algum fôlego.

FALTAM apenas mais duas comissões na Câmara Fcaptional para provação do projeto de lei que pune rigorosamente os postos flagrados em fraudes, batismos e outras irregularidades com combustíveis. Hoje, até em caso de reincidência, há filigranas que alguns proprietários desonestos lançam mão para continuar dando prejuízo ao consumidor.


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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra

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