Esperteza sem vez

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Fernando Calmon
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- O mês de maio confirmou a boa fase de recuperação de vendas. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado, o mercado interno apresenta números 10% maiores. A tendência mostra o avanço na mesma proporção até o final de 2006 para, em 2007, o recorde anual histórico de 1997 ser, finalmente, superado. É bem verdade que, em meados da década passada, a indústria se recuperava de um longo processo de demanda reprimida e o País começava a superar a fase sombria de quase 20 anos de superinflação mal combatida. Como ainda falta inventar a cura indolor da inflação, os erros do passado desaguaram em menor crescimento econômico com reflexos diretos na comercialização de veículos.

Hoje, os preços são livres, a concorrência está cada vez mais acirrada e alguns produtos importados recuperaram competitividade. Exemplo da exasperação na busca pelo comprador é o atual embate entre concessionárias e locadoras. As fábricas concedem descontos polpudos aos frotistas e, em especial, às empresas de locação. Algumas destas descobriram um novo filão: revender o veículo no mercado por preço abaixo do sugerido pelo fabricantes ao comprador, antes do prazo mínimo de seis meses acordado entre as partes. O resultado é um rebaixamento do preço médio real de mercado e, conseqüentemente, das margens das concessionárias legalmente estabelecidas.

A Fenabrave, associação nacional das concessionárias, vai mais longe. Os descontos elevados às locadoras, além de viabilizar a desova de carros de forma desleal, estaria levando as fábricas a procurar compensar sua menor rentabilidade neste segmento com aumento de margens nas vendas às concessionárias e, por tabela, ao comprador individual. Outros problemas seriam menor recolhimento de impostos estaduais e desobrigação de prestar assistência técnica direta.

Talvez exista algum exagero nestas posições. As locadoras respondem por 11% dos automóveis vendidos e, assim, seu peso no mercado é de certa forma limitado. Além disso, parte dos compradores — muito pequena, de fato — vem se beneficiando de preços menores. A polêmica, no entanto, é válida e indica que a disputa pelos clientes está cada vez maior. Qualquer venda perdida desencadeia logo reações, embora isso deva ser acertado diretamente entre os envolvidos.

A consolidação do mercado interno pode levar também a outras discussões que interessam mais de perto aos usuários. A principal é o aumento dos prazos de garantia. Processos de proteção estendida paga nunca tiveram boa aceitação. Hoje são considerados produtos de seguradoras. Urge que o padrão oferecido pelo fabricante se aproxime da média mundial de três anos. A indústria já atingiu nível de qualidade compatível com esse prazo e nada justifica a garantia total limitada a apenas um ano ou parcial motor e câmbio por três anos. Só modelos das faixas mais altas dispõem de cobertura maior atualmente.

Por outro lado, revisões obrigatórias caras para dar direito à garantia não podem subsidiar indiretamente a ampliação dos prazos. Essa esperteza é a tentação que precisaria ser descartada de forma definitiva das práticas comerciais de uma indústria adulta.

RODA VIVA

EVOLUÇÃO no relacionamento entre fabricantes. É comum dois ou mais se unirem para partilhar enormes investimentos em novas arquiteturas, mas com posteriores derivações individualizadas. DC e VW tentam agora outra fórmula. A Chrysler desenvolve um minivan para a VW concorrer no mercado dos EUA e o produtor alemão projetará um carro compacto para a marca americana. Institucionalização do troca-troca?

ESTA semana, VW torna-se a primeira fábrica a produzir todos os motores destinados ao mercado interno de automóveis e comerciais leves com a tecnologia flex álcool-gasolina. Nos dois últimos meses houve encolhimento sutil na participação desse tipo de motor no total da indústria ainda superior a 80%. Aumento de importações e modelos novos ainda sem flex explicam as flutuações.

AUDIÊNCIA pública será agendada para discutir uso de faróis durante o dia. Resolução do Contran faz apenas a sugestão. Alguns deputados são contrários pelo incômodo e situações de estresse. Nos poucos países que adotam a norma há pouca incidência solar ao longo do ano. Não é o caso brasileiro. Faróis devem ser específicos: mais luz que lanterna e menos que farol baixo, gerando custo maior.

GUIA gratuito de rotas pelo celular, por enquanto só nas cidades de São Paulo e Rio, foi aperfeiçoado. Programa fornece agora informações de trânsito, programação de cinemas, localização de endereço com mapa e visualização de mapas de pontos da rota. A partir do site www.ufind.com.br pode ser baixado para o computador e depois para o telefone com uso de cabo ou diretamente via Wap.

EXIGÊNCIA de limitação de potência a 127 cv para carros vendidos com incentivos fiscais a deficientes físicos merece revogação. Originou-se em regulamentação provisória do IPI, que já não se aplica. Inexistem razões técnicas e de mercado para tanto.
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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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