Europeus mais distanciados

Quase nada do Salão de Paris será fabricado aqui
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Fernando Calmon
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- Embora a inspiração européia continue a nortear a quase totalidade dos automóveis produzidos no Brasil, o fosso se aprofunda. No Salão de Paris, aberto até o dia 15 de outubro, isso fica ainda mais claro, pois quase nada do exibido lá será fabricado aqui. Parte do problema se dá pelas diferenças econômicas entre os mercados. Nesse caso de pouco adianta quebrar o termômetro — atribuir a culpa da defasagem apenas à indústria — porque o organismo, neste caso o País, permanece debilitado pela alta tributação e baixo poder aquisitivo. Por outro lado, o carro europeu torna-se a cada ano mais caro pelas normas antipoluição e de segurança, além da sofisticação.

A exposição da Port de Versailles espelhou exatamente isso. Até carros subcompactos como o novo Renault Twingo, quase pronto para lançamento, mas disfarçado sob intensa roupagem esportiva, confirmam o cenário, a exemplo do reformulado compacto Lancia Ypislon e do inédito Volvo C30. Toyota Auris, substituto do Corolla hatch em 2007 só para a Europa, segue pelo mesmo caminho, com um detalhe interessante: assoalho traseiro plano como os Hondas. O salão também representa bem o papel de antecipar tendências. O VW Iroc mostra como poderá evoluir o estilo frontal da marca alemã, em substituição ao tradicional V. A Ford mudou a estratégia ao apresentar primeiro a station wagon do novo Mondeo, apesar de o carro-chefe, o sedã, surgir junto no início de 2007.

Os crossovers, idéia dos americanos em 2000, começam a chegar com mais força à Europa. Trata-se de utilitários esporte um pouco menores e com características de station para melhor dirigibilidade. Dois modelos conceituais se destacaram: Ford Iosis X e o Renault Koleos, este já captando a especialização da Nissan no segmento. A própria sócia japonesa lançou o crossover Qashqai que entrou na era de nomes de grafia e pronúncia estranhas. Outros batismos esquisitos: o cee’d com minúscula inicial, primeiro médio-compacto europeu da Kia, feito na Eslováquia, e o cupê esporte conceitual Mazda Senku, apresentado no Salão de Tóquio 2005.
A moda dos supercarros exóticos em séries especiais tem sempre espaço garantido. Do Audi R8 e do Alfa Romeo 8C Competizione serão produzidas, respectivamente, 5.000 unidades preço estimado de US$ 140 mil na Europa e do italiano, 500 em torno de US$ 200 mil. Em matéria de exclusividade e desempenho puro, nada se compara aos 150 privilegiados que poderão encomendar o Mercedes-Benz SLR McLaren 722 Edition com potência aumentada para 650 cv. Os franceses não ficaram para trás com o Peugeot 908 RC, cuja versão definitiva terá mais de 450 cv. Já o conceitual Citroën C-Métisse segue o mesmo rumo, mas com propulsão híbrida diesel-elétrica por razões ambientais.

Fabricantes já se preparam para novo aperto da legislação contra o vilão do momento, o CO2, que mesmo sem ser um poluente, suspeita-se de fomentar o efeito estufa. O álcool é neutro em CO2 e assim o governo francês acaba de autorizar as primeiras 650 bombas nos postos do país. A Renault confirmou: mais da metade de sua produção terá motores flex em três anos. Se pouco temos a receber, pelo menos há algo a enviar, no campo das soluções, para os europeus.

RODA VIVA

COLUNA antecipa: Hondas Fit e Civic flex estarão no estande da marca no Salão do Automóvel de S. Paulo, agora em outubro. Vendas só no primeiro trimestre de 2007, após ampliação da fábrica. E mais: versão esportiva do sedã Civic, Si, terá o motor mais potente entre carros produzidos no Brasil. Na faixa de 190 cv, acima de Golf GTI e Marea Turbo. Preço também surpreenderá.

RENAULT descarta produzir no Paraná a station Logan, apresentada no Salão de Paris. Confirmados o sedã e depois o hatch, em 2007. Presidente, Jérôme Stoll, afirma: “Clio continuará o modelo de entrada da marca”. Além da station Mégane Grand Tour, agora, mais dois lançamentos, não revelados. Prováveis em 2008/2009: Logan antiEcoSport e novo Renault, tudo indica, Clio III.

GRIFE esportiva AMG será impulsionada no Brasil pela Mercedes-Benz por meio de oferta regular e ampliada de versões. Sedã Classe E 63, mantendo discrição externa, esconde um poderoso motor de 514 cv e extraordinários 64,3 kgf.m de torque. Ruge, sem incomodar, pelas quatro saídas de escape e garante aceleração de 0 a 100 km/h em 4,5 s, como bem poucos carros esporte.

TRÂNSITO muito lento, com longas paradas, pede que se leve a alavanca do câmbio automático da posição D para N. Ao contrário do que se pensa, essa operação evita subir a temperatura do fluido do câmbio e ajuda a economizar combustível. Em alguns modelos da GM basta manter ou tirar o pé do freio e a operação D-N-D é feita internamente, sem necessidade de usar a alavanca.

ENTRE as conclusões do estudo do Cesvi Brasil/Mapfre sobre ver e ser visto à noite, uma das providências mais eficazes é o uso do colete refletivo se o motorista precisar parar o carro em qualquer situação. Espanha e Portugal tornaram-no obrigatório e conseguiram bons resultados.
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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.
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