A favor da maré

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Fernando Calmon
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- Não falta quem, entre analistas da indústria automobilística, tente entender o que se passa com a forte aceleração das vendas internas no primeiro bimestre do ano. Menos de seis meses atrás, durante seminário em São Paulo SP sobre perspectivas para 2007, os presidentes dos quatro maiores fabricantes se dividiram entre otimistas e pessimistas. Os primeiros arriscavam uma aposta de 10% de crescimento; os segundos, no máximo 5%. Nenhum deles acertou. O salto de 15% em janeiro/fevereiro, em relação ao mesmo período de 2006, indica que o patamar provavelmente se manterá nesse nível ao final do ano.

Há várias explicações. A principal está, sem dúvida, nas facilidades de crédito. Nunca se financiou tanto e em prazos tão longos. Crediário superior a 36 meses já responde por mais de metade das vendas. O fato novo é a possibilidade de dispensar a entrada e pagar em até 72 prestações. Isso, na prática, quase sepultou o sistema de consórcio, instrumento econômico de quinta categoria que só o Brasil conseguiu desenvolver. Apesar dos cálculos apontarem que sempre se tratou de negócio discutível. Conseguir se livrar dos consórcios traz o país para o clube dos normais.

Também se deve considerar a importância da demanda reprimida. Em 1997 já tinham sido comercializadas perto de 2 milhões de unidades que, finalmente, serão superadas apenas agora em 2007. Nos últimos anos se observava certo rejuvenescimento da frota. Mas havia consumidores empcaptionnidos que resolveram fazer as contas. Concluíram que poderiam trocar despesas elevadas de manutenção por prestações em longo prazo de um automóvel novo. O advento dos motores flex foi o empurrão que faltava, a fim de fugir da desvalorização dos veículos com motores só a gasolina, fenômeno já visto no pico da era do álcool dos anos 1980.

Várias despesas domésticas — informática, telefonia celular, DVD, tevês de tela plana, TV a cabo — deram sinais de concorrer menos com a prestação do carro. Entre outras razões por terem ficado mais baratos e perdido a aura de novidade. Pode vir nova onda consumista com a proximidade da televisão digital, mas por outro lado os veículos diminuíram de preço pela força da competição acirrada e das promoções criativas.

O que vem auxiliando a manter os preços comportados é o crescimento das importações. Esta semana chega mais um modelo do México, o novo sedã médio Nissan Sentra e, em seguida, o compacto Tiida. A isenção do imposto de importação para produtos mexicanos e argentinos tem ajudado muito, enquanto a solidez do real frente ao dólar aumentou a competitividade de veículos de outros países, em especial coreanos e, em breve, chineses.

Surpreendida ou não, a indústria será obrigada a trabalhar com afinco e atender a demanda. Ao consumidor resta analisar promoções, financiamentos e, sem extrapolar o nível prudente de endividamento, aproveitar a maré.

RODA VIVA

FONTES da Argentina garantem que a Ford começou a sondar fornecedores para produção do Focus europeu Geração III. O novo médio-compacto deverá ser apresentado em setembro, no Salão de Frankfurt, e pode aportar aqui em 2009. Acertada a venda da Aston Martin esta semana, a empresa concentrará esforços nos produtos de alto volume.

ANFAVEA passará a acompanhar mais de perto o desempenho de veículos importados. Representam, hoje, 11,4% das vendas, com tendência a subir. “Importação boa é a complementar. Para simples substituição, não”, comenta Rogelio Golfarb, presidente da associação. Produção precisa acelerar: estoques ficaram abaixo de 30 dias por três meses consecutivos.

CIVIC Si acertou na fórmula de como deve ser um esportivo de verdade. Faixas decorativas, rodas e pneus largos não passam de intervenções cosméticas, infelizmente em voga no Brasil. Caixa de câmbio manual de seis marchas, diferencial autobloqueante, corretor eletrônico de trajetória, bancos tipo concha e, acima de tudo, um empolgante motor de 2 litros/192 cv são características mais do que bem-vindas.

HONDA, de fato, colocou preço bem salgado de quase R$ 100.000,00 no Si. Porém, o carro vale pelo que proporciona em termos dinâmicos e até de conforto, como direção de assistência elétrica. Propositalmente, deixou de oferecer forração de couro nos bancos desta versão. A fábrica japonesa entende que, num esportivo, o tecido utilizado leva o corpo a escorregar menos em curvas.

INSPEÇÃO veicular ainda não se implantou no país, mas já existe uma entidade de suporte às ações de controle das condições de tráfego dos veículos, tanto de segurança como de emissões. Grupo consultivo para América Central e do Sul do Comitê Técnico Internacional de Automóveis agrega experiência de 47 países. Difícil será vencer a pusinalanimidade de políticos brasileiros omissos quanto à inspeção.

PROCEDIMENTOS, defesas e recursos contra atos de suspensão e cassação do direito de dirigir estão no novo trabalho do advogado Eduardo Maggio, que chega às livrarias. Pode ser encomendado também no site www.livrariasaraiva.com.br .

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

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