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Como é pilotar uma moto com câmbio automático
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Geraldo Simões
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Uma das coisas que mais me incomodam em pilotar moto é a destruição do lado esquerdo do calçado por causa do pedal de câmbio. Cerca de uns 30 anos atrás já defendia a teoria do câmbio automático para motos e finalmente ele apareceu!

Primeiro nos scooters, mas com a tecnologia chamada de variador automático, que funciona com duas polias que aumentam de diâmetro graças ao processo de centrifugação. Nesse caso não existe uma caixa de câmbio, nem embreagem, mas essa dupla de polias, ligadas por uma correia de liga de borracha e metal. Como essa variação é contínua, não existe a troca de marcha e o piloto tem a sensação de um veículo elétrico.

Já no caso do câmbio automático das Honda VFR 1200F e VFR 1200X existe a caixa de câmbio, com as engrenagens e escalonamento de marchas e a embreagem é automática. No caso dessas Honda o piloto sente a troca de marcha. Mais do que isso, pode optar por três modos de uso: o "D" (drive), quando as marchas são trocadas automaticamente de forma a priorizar o consumo. No modo "S" (sport) as mudanças também são automáticas, mas a prioridade é pelo desempenho esportivo. E o modo MT, quando o piloto troca de marcha quando quiser, por meio de dois botões no punho esquerdo.

Não é diferente dos carros modernos com câmbio automático e pad-shift, aquelas borboletas para troca de marcha. A exemplo dos carros, o câmbio automático da Honda adota a dupla embreagem: uma para as marchas pares e outra para as ímpares. Assim o sistema deixa sempre uma marcha preparada para entrar em ação.

Nas duas versões da VFR não tem manete de embreagem nem pedal de câmbio, o que a princípio parece muito esquisito, mas depois de acostumar é uma diversão usar os comandos da mão para trocar de marcha sem precisar nem sequer aliviar o acelerador.

Como é?

A pergunta mais ouvida quando se para com uma dessas versões automáticas é: como é pilotar uma moto automática?

Bom, é diferente. É preciso antes de mais nada se acostumar com a falta do auxílio da embreagem em baixa velocidade. Nas motos "normais", a embreagem é um recurso para dominar a moto em baixa velocidade, controlando a velocidade com o freio traseiro. Sem a ajuda da embreagem a primeira lição é dosar o acelerador com muito cuidado para evitar que a moto "pule" e o motociclista perca o pé de apoio. Esse foi o acidente mais comum na apresentação da VFR 1200F aos jornalistas.

Como as duas versões são pesadas, (mais de 260 kg) e altas (815mm na F e 850 mm na X) se o piloto tiver menos de 1,70m vai ser um sufoco equilibrar a moto em baixa velocidade. Essa é a parte mais difícil. O resto é moleza...

No punho direito um botão permite selecionar o modo da troca de marcha: D e S, além do N de neutro, que é o ponto-morto. Ao selecionar o modo D as trocas de marcha são feitas com menos de 2.000 RPM e no plano, a 60 km/h, o câmbio já está em sexta-marcha. A ideia é economizar gasolina e o computador de bordo efetivamente registra consumo instantâneo na faixa de 15 a 20 km/litro. Porém as retomadas de velocidade ficam lentas, mas o piloto pode reduzir uma marcha por meio de dois botões no punho esquerdo. O dedão reduz e o dedo indicador incrementa marcha.

Se colocar no modo S, mais esportivo, a segunda marcha entra logo, mas depois o motor vai além de 4.000 RPM e a sexta só vai engatar acima de 160 km/h. Claro que o consumo vai pro vinagre, caindo para 10 a 15 km/litro.

Mas o modo mais divertido é o M, que deixa as trocas de marchas a critério do piloto. Inclusive, ao contrário dos carros, se passar dos 10.000 RPM o limitador de giro entra em ação mas o câmbio não troca de marcha. Já o contrário sim, ou seja, se deixar a rotação cair abaixo de 2.000 RPM o câmbio reduz sozinho.

Ao experimentar as duas versões num trecho de serra, deixei no modo M e fiz as trocas como se fosse uma moto convencional, usando apenas os dedos. É muito divertido mesmo. Já nas longas retas a melhor opção é mesmo deixar no D e curtir o sossego de apenas acelerar e frear.

O único inconveniente desse sistema surgiu quando pilotei a VFR 1200X na terra. A falta de um comando de embreagem dificulta bastante as manobras em subida, com terreno liso. Aliás, nesta versão existe o seletor de controle de tração. Como o fora de estrada às vezes exige que a moto derrape, tem momentos que é preciso desligar o controle de tração.

Segundo os usuários que conversei (ambos com mais de 1,85m de altura) essa dificuldade no fora de estrada é fácil de contornar com mais "envergadura" de pernas! Como não posso aumentar as minhas, evitei os terrenos mais acidentados!

No geral o câmbio automático é uma solução que tende a conquistar e chegar em outros modelos. Obviamente pelo maior valor do sistema se torna inviável em motos pequenas, mas aposto que em breve deve estar na categoria 800/900cc. Como já escrevi aqui mesmo, o futuro das motos é câmbio automático e apenas um comando de freio, como nos carros. Só acho que, no caso, das VFR 1200F a Honda poderia ter optado pelos comandos de freio nas mãos, eliminando o pedal de freio, assim permitiria que o piloto pudesse usar o freio traseiro inclusive em curvas para a direita com a moto bem inclinada.

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