Fim da 'dacialização'?

Renault deverá esquecer produtos Dacia para o mercado brasileiro
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Roberto Nasser
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Renault Argentina anunciou investir US$ 100.000 para adaptar a velha fábrica de Santa Isabel – de onde saiu o primeiro Jeep argentino, em 1955 -, à produção de Logan, Sandero e Sandero Stepway ano próximo. Justificativa na Argentina, alívio na balança de pagamentos com o Brasil, de onde hoje os importa, e facilidades para o governo liberar dólares para trazer produtos de outros países, complementando a linha de modelos.

A divisão industrial para os produtos Renault entrega os extremos à Argentina – Fluence, Clio e Kangoo -, e o meio, Logan, Sandero e Duster no Brasil.

Demandada, a Renault Brasil esclareceu, a transferência se dá pela razão das trocas comerciais entre os países do Mercosul, pela mudança no perfil exportador da operação argentina.

Aparentemente a decisão não se resume a ato de bom convívio com o governo argentino, ora apertando os parafusos sobre a indústria automobilística do vizinho país para defender a balança comercial, mas tem espectro muito maior: é um dos passos de estruturação ao projeto apresentado em 2014 por Carlos Ghosn, presidente mundial, em âmbito internacional, padronizando produtos e tornar a Renault líder de vendas na América do Sul.

Para a fábrica brasileira, recém ampliada, há quatro produtos para lá previstos, de acordo com o plano pluri anual:

Por ele o Brasil teria quatro produtos:

1 - Veículo barato, do segmento A, carro de entrada. No caso, versão do Redi-Go, recém apresentado pela Datsun, nova marca para produtos baratos Nissan. Motor de três cilindros, já produzido no Brasil por esta associada;

2 - O novo Espace, produto revolucionário da Renault no fim dos anos 1980, em projeto capaz de desdobrar-se em versões como utilitário esportivo, veículos multi uso, sedã quatro portas e hatch. Será feito sobre a nova plataforma Logan/Sandero, ainda não adotada pelo Duster. Previsão 2017;

3 – Linha de Crossovers, cruza de utilitário esportivo com andadura de sedã. Existente sobre carros pequenos, médios e grandes;

4 - Picapes para 0,5t e 1,0 tonelada de capacidade de carga.

O primeiro, pronto, sobre plataforma Duster, tração dianteira, é o Oroch, mostrado conceitualmente no Salão do Automóvel de S Paulo e com lançamento nos próximos meses;

O outro, conhecido internamente como Raptur, é visão Renault sobre a estrutura mecânica – motor diesel, tração nas 4 rodas -, do mal vendido picape Nissan Frontier.

Fonte autorizada da Renault instiga o raciocínio: se a Raptur, com este ou outro nome, vier a ser feito, possivelmente será na Argentina, com mais vocação para picapes – lá fazem os Toyota HiLux, Ford Ranger e VW Amarok -, e auxiliará gerar saldo para trocas com os novos Renault feitos no Brasil.

A decisão da transferência muda a filial brasileira de patamar institucional, agora em segundo nível ao fazer os veículos Dacia, sua segunda marca para produtos mais baratos. São os Logan, Sandero e Duster, mundialmente tratados de Dacia e apenas no Brasil chamados Renault. Com sua transferência para a Argentina, a operação local, exceto por Oroch a ser lançado e o Duster, até minguar, como programado pelo Plano Produto, todos os demais serão Renaults.

Na prática acabará o período de dacialização no Brasil.

DE TOMASO RENASCE OU ACABA

Prestigiosa marca de veículos esportivos criada em 1959 pelo argento-italiano Alejandro De Tomaso, (1928-2003), reúne ofertas para a compra de seu acervo – nome, projetos, restos industriais. Marca diferenciada, atrevida – chegou a ter acordo operacional com a Ford construindo-lhe o Pantera -, minguou com o passamento do criador, foi assumida por Gian Mario Rossignolo, ex executivo da Fiat com miríade de projetos, incluindo o sedã Deauville, projeto Pininfarina. Trapalhada financeira, não deu certo, e não acabou em pizza, mas em prisão. Dois leilões foram realizados para vender os ativos, com ofertas inferiores ao  pretendido, e a Justiça abriu prazo para receber e analisar propostas. Uma, chinesa, da Ideal Team Venture Ltd, no valor de 510 mil euros foi retirada e substituída por coragem menor, 300 mil euros. Uma sociedade suíço-luxemburguesa, a Gennii Capita, ofertou 400 mil euros. A Justiça italiana pediu 10 dias para decidir.

No Brasil de Mensalão e Petrolão, entre os bilhões de Paulinhos, Duques, Vacaris, Baruscos e associados na quadrilha, tais quantias são café pequeno.

O negócio, uma costura entre justiça, credores, sindicato dos metalúrgicos e a municipalidade de Turim, Itália, busca a retomada das atividades na cidade.

RODA-A-RODA

Mais um – BMW iniciou montar seu terceiro modelo na fábrica de Araquari, SC. É o Série 1, hatch de cinco portas, três versões – Active-Flex Sport – R$ 115.900; Sport GP – R$ 126.950; e M Sport Active Flex R$ 161.950. Todas motor quatro cilindros, 2,0 litros, turbo, gerando 186 cv. A versão M, 211 cv.

Os outros – Na instalação industrial, atualmente grande linha de montagem, faz a junção de peças importadas dos modelos Serie 3 e X1. Até o final do ano colocará em produção os Mini com motor tri cilíndrico e 1,5 litro.

Ajuda – Os novos Series 1 enquadram-se nos mecanismos de vendas da BMW. Num deles, o Sign& Go, entrada de 40%, pagamentos em 24 meses e, ao final do financiamento, quitação com 50% do valor inicial, ou utilização dos pagamentos como parte de um BMW novo. Até o final do mês.

Luxo – Toyota quer ampliar presença de sua marca superior, a Lexus. Importa o SAV – utilitário esportivo com tração apenas em duas rodas – NX200t em versões de entrada, R$ 216.300, e FSport R$ 236.900. Supõe vender 100 unidades/mês – hoje seus sedãs vendem 20 u/m. Rede mínima: apenas dois concessionários, em S Paulo.

E ? – Motor 2,0, turbo, injeção direta, 238 cv, transmissão automática seis velocidades, o Lexus é Toyota melhor construído, equipado, luxuoso, sedãs concorrentes de Mercedes. O NX 200t mira o líder Range Rover Evoque.

Negócio – Audi faz esforço promocional até dia 31. Ofertas com desconto, 60 % de entrada e restante em 18x sem juros, com IPVA 2015 grátis. A3 sedan a R$ 89.990 e outros modelos. A fim ? Corra. Com Dólar atrevido e governo sem norte conta aumentará rapidamente. Raciocínio vale a todos os importados.

Começo – Nissan vende o New March feito em Resende, RJ, num leque de R$ 35.990 a R$ 47.490, motores três cilindros, 1.0, 12V, 77 cv e 1.6, 16V, 111 cv, flex, sem tanquinho auxiliar. Volta à corrente para acionar válvulas, tem variador de abertura das válvulas de admissão, e troca velas com 100 mil km.

Fugaz ? – Início das vendas no Brasil, é paralela ao conhecimento de seu substituto, o Sway, apresentado no recém findo Salão de Genebra. Sinaliza conceitos de massas, volumes e soluções estéticas. A Nissan tem impresso no país o incômodo rótulo de marca com os produtos mais fugazes do mercado.

Enfim – Peugeot acertou providências e processos para lançar o 2008, crossover baseado no bom 208: apresentação em abril, vendas em maio. Boa notícia. Queda de vendas e enxugamento interno tirou a marca do noticiário, e o 2008 pode re iniciar sua exposição à mídia e promover vendas.

Olho – Se é o olho do dono que engorda o rebanho, a Porsche resolveu cuidar pessoalmente de seus negócios no Brasil. Primeiro passo, fez joint venture com o representante local, a Stuttgart Sportcar, instalando uma certa Porsche Brasil para representar, importar, distribuir, assistir a marca.

AntesColuna informou há 18 meses. Fonte dizia, marca entendera, a grande margem de lucro do importador elevava preços, reduzindo o mercado, e por isto viria. Não explicou, mas para fabricante mais vale muitas vendas que revendedor lucrando muito por preços elevados.

Dúvida - Resta saber se preços baixarão para aumentar o número de unidades vendidas, ou se a marca resolveu participar dos grandes lucros. Matthias Brück, ex presidente da Porsche Latin America, dirigirá o negócio.

Formal – Porsche informou, presença é para acompanhar de perto o mercado e garantir crescimento e futuro da marca no Brasil.

Ocasião – Mercedes e seu Banco promovem vendas dos caminhões Accelo, a partir de R$ 114.900 para versão inicial 835/31. Financiamento pelo BNDES Finame MPME – para médias e pequenas empresas. Modelos 2014.

DAF – Recém chegada, marca holandesa controlada pela estadunidense Paccar, opera o país e lançou esforço de vendas. Além dos 80% financiados pelo BNDES, a marca parcela a entrada, sem juros, em 12 meses.

Razões – Em tempo de instabilidade econômica vendas caíram por razões de fato e por receio quanto ao futuro. Projeções do mercado de caminhões são de 40% de contração na comercialização. No segmento dos pesados, 70%.

Simpatia – Citroën desenvolveu campanha para localizar o mais antigo de seus C3, comemorando 11 anos de mercado. Encontrou unidade 00087 com único dono, o paulistano Marccelo Oristianio. Perdeu a oportunidade de trocá-lo por modelo O km e guardar antigo, preservando a história da marca no Brasil. Deu-lhe acerto geral e vendeu ao cliente fiel C3 novo a preço especialíssimo.

Ecologia – Axalta, produtora de tintas, e Volkswagen comemoram um milhão de veículos pintados com tecnologia sustentável pelo sistema Eco-concept. Na prática reduz-se o número de camadas na pintura do carro O km.

Mercado – A democratização dos itens de conforto, como ar condicionado, direção assistida e trio elétrico é perceptível pelos anúncios de veículos usados. Índice do portal WebMotors exibe-os como mais da metade dos anunciados. Acessórios dão o padrão do mercado. Falta penaliza o valor de revenda.

Maquiagem – Rede de franquias sulina Make-Up amplia negócios inaugurando loja em Criciúma, SC. Atendimento personalizado, boas instalações, equipamentos de ponta para serviços padronizados de pintura, lanternagem, micropintura, martelinho de ouro e estética automotiva.

Luz - Felipe Nasr, brasiliense, 22, 31o. brasileiro a estrear na Fórmula 1,marcou o chão no GP da Austrália, abrindo a temporada 2015: chegou em 5o. Façanha inédita no país de três campeões mundiais, e com automóvel e equipe não competitivos. É uma luz de esperança nestes tempos do país de cabeça baixa.

Livro – Fernando Campos, jornalista especializado em automóveis, lançou livro “Esportes a motor em Goiás”, cobrindo automóveis e motos até os anos 1980, em especial o pós Autódromo de Goiânia, um dos melhores do mundo. Patrocínio da Construtora Artec, autora da boa reforma e atualização do circuito, apoio da Agetop, agência estadual gestora do circuito.

Encontro – Colecionadores de Dodge em Brasília se animaram a aglutinar aficionados da marca, e farão I Mopar Centro Oeste, 10 a 12. Abril, no histórico Brasília Palace Hotel. Mopar – môpar, como pronunciam -, é a marca de acessórios da Chrysler, agora de todas as controladas pela FCA. Boa organização, apoios e patrocínios.

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