Fonte de avidez

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Fernando Calmon
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- A idéia de implantar o que o Contran acaba de batizar de placa eletrônica merece análise mais profunda. Previsto para ter alcance nacional ao longo de cinco anos — São Paulo e Rio de Janeiro pretendem se antecipar —, o Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos Siniav foi planejado com a intenção primária de gerenciar o controle de tráfego, monitorar o pagamento de impostos pela frota circulante e até rastrear veículos roubados. A intenção parece interessante, principalmente se significar custo zero para os bolsos dos motoristas já sobrecarregados com taxas e impostos em todos os níveis.

No passado distante, quem pagasse em dia suas obrigações recebia uma plaqueta do ano para apor na placa traseira. Em 1997/98 havia um selo que era colado no canto esquerdo inferior do pára-brisa. Hoje não existe nada para provar, de modo remoto, que o motorista está adimplente. Neste caso, um pequeno chip fixado no vidro se comunicaria com uma rede de antenas e centrais de processamento, facilitando separar quem está ou não quite, durante blitze urbanas ou rodoviárias. Da mesma forma, um carro roubado poderia ser, em teoria, rastreado e até detido. Os dados permaneceriam sempre sigilosos.

Estudos de viabilidade originados no Ministério das Cidades apontaram que a recuperação de impostos não-pagos daria conta de instalar toda a infra-estrutura. Mas, à exceção das duas maiores cidades do País, a gratuidade do dispositivo eletrônico ainda não está garantida. Mesmo porque Contran e Detrans ainda acreditam em uma frota real superior a 40 milhões de veículos e, na verdade, cerca de um terço dela já foi aposentada. Proprietários preferem abandonar os veículos nas ruas ou em ferros-velhos a enfrentar a custosa burocracia de dar baixa na documentação.

Há, entretanto, desconfiança sobre outra intenção por trás do Siniav. Apenas um dia antes de publicação da Resolução 212, organizou-se em São Paulo SP um seminário internacional sobre desafios e soluções para o tráfego urbano. Palestrantes do Chile e da Suécia explicaram as maravilhas do pedágio urbano, embora em Estocolmo ainda não passe de experiência. Londres e Cingapura já o introduziram. O tal chip pode ser o primeiro passo para uma tentativa de repetir esta solução discutível nas cada vez mais congestionadas grandes metrópoles brasileiras.

O pedágio, talvez, se torne uma alternativa menos ruim ao rodízio por finais de placas dos carros, que inferniza a vida de quem mora e atravessa ou visita a capital paulista vindo de outras localidades. Por esta região metropolitana circula, mesmo de passagem, mais de um quarto da frota brasileira. O rodízio é ilegal por não prever sinalização nas ruas, além de injusto por impedir deslocamentos curtos e desimpedidos para quem tem o azar de estar dentro do anel delimitador ou centro expandido.

Os chips trariam flexibilidade e mais eficiência no uso da malha viária. A arrecadação poderia financiar novas linhas de metrô, informatização dos semáforos, câmaras de monitoração e painéis eletrônicos com indicações em tempo real. O risco latente é que não passe de mais uma disfarçada fonte de avidez sobre os bolsos alheios.

RODA VIVA

OUTRAS novidades para 2007 vão, aos poucos, vazando de várias fontes. No segundo trimestre, o Peugeot 206 receberá a frente e outros detalhes inspirados no novo 207, lançado em meados deste ano na Europa. Ficará parecido com o 206 recém-lançado na China. Tudo ficou harmônico, mesmo sem os 10 cm extras de entreeixos do mais espaçoso 207.

ESTÃO em marcha ações do Grupo Caoa para produzir outros modelos Hyundai, além do caminhão leve Porter, em Anápolis GO, previsto para fevereiro. Ainda em 2007, o utilitário esporte Tucson é o mais provável. No ano seguinte, tudo indica que o Elantra estará pronto para enfrentar o novo Corolla, esperado para março de 2008.

MÉGANE Grand Tour, além de linhas atraentes, bom espaço interno, silêncio de marcha exemplar e materiais de acabamento de primeira linha, só tem a enfrentar diretamente a Toyota Fielder. Outras vantagens: motor de 2 litros/138 cv e câmbio automático seqüencial de última geração. A coluna estima que stations aumentem sua participação de mercado, tirando 1% dos sedãs e 1% dos monovolumes até 2008.

SOFISTICAÇÃO cresce entre marcas francesas. Citroën C4 Picasso dispõe de sistema automático de avaliação do tamanho da vaga. Avisa ao motorista se pode estacionar entre dois carros. O C6 vem com recurso inédito: quem viaja atrás aciona comando elétrico para avançar o banco dianteiro do passageiro. Chegam no primeiro trimestre de 2007: R$ 90 mil e R$ 240 mil, respectivamente.

CONCURSO de design para universitários, promovido pela Volkswagen, atraiu nada menos de 250 trabalhos este ano. Dois dos três escolhidos para estagiar no estúdio da fábrica são da Facamp. Projeto vencedor de Felipe Montoya, batizado modestamente de Sedan, impressiona pela limpeza e equilíbrio de linhas com nível próximo ao de estilista profissional.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

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