A força do bom senso

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Fernando Calmon
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- O sensível tema de consumo e conservação de energia faz parte das preocupações mundiais em tempos de petróleo acima de US$ 70,00 o barril. E os automóveis brasileiros, até agora livres de qualquer tipo de controle ou mesmo estímulos, poderão ingressar em uma nova era a partir de 2007. Vem aí uma espécie de etiqueta de consumo de combustível, ainda em fase experimental, para se tornar obrigatória provavelmente em 2009. A iniciativa segue o mesmo direcionamento do programa que levou aos selos de indicação de consumo dos aparelhos eletrodomésticos. Os automóveis nas concessionárias terão que exibir bem visível essas informações. Estão na reta final os estudos de como isso será operacionalizado.

Na realidade, a indústria automobilística se enquadra de forma similar. Existe, por decreto fcaptional de 1991, o Conpet — Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural — igualmente conduzido pelo Ministério de Minas e Energia. Coube à Petrobras prover recursos financeiros, administrativos e técnicos, o que de certo modo limita os investimentos. Mas nada justifica tanta demora em exigir de todos os fabricantes de veículos alguns dados simples e cruciais: quantos quilômetros por litro cada modelo percorre em tráfego urbano e rodoviário, além do número médio ponderado.

Essa obrigatoriedade começou há décadas nos EUA. Qualquer tabela de preço nos salões das concessionárias, além dos opcionais, deve compulsoriamente informar os dados de autonomia, no caso americano em milhas por galão, que indica o consumo indiretamente. Os europeus também dão grande valor à informação e preferem o consumo direto em litros/100 km.

Aqui, é verdade, ocorrerá um pequeno complicador no caso dos motores flex. Será obrigatório indicar o consumo, em separado, de álcool e de gasolina. No caso do gás, quando existir uma opção da fábrica, haverá até três conjuntos de números. O problema relevante, entretanto, passa pela forma de comunicação ao consumidor e de como ele vai comparar os dados de referência aos obtidos no dia-a-dia. Nos últimos tempos, alguns fabricantes passaram a esconder, inclusive da imprensa, os dados de consumo de combustível para evitar questionamentos junto aos órgãos de defesa do consumidor e mesmo na Justiça.

Frcaptionico Marinho, gerente do Conpet, reconhece as dificuldades: “Os dados de fábrica precisam de repetibilidade controlada e isso tem que se executar em laboratório. A realidade das ruas e estradas pode ser diferente, bem como a forma e o ambiente de condução do veículo.” Para que a etiqueta de consumo não sofra desmoralização, deverá haver ações de esclarecimento frente às diferentes instâncias judiciais. Motoristas de má-fé ou por pura ignorância poderiam criar muita confusão e fazer uma providência meritória vir a se perder em polêmicas estéreis.

Para o consumidor a informação do fabricante é bastante útil, em especial para comparar a eficiência de motores de modelos concorrentes, sob as mesmas bases rígidas de testes. Sem invalidar as medições em condições reais de utilização, que as fábricas terão também de reconhecer, quando for caso. Bom senso, enfim, é o que importa.

Roda viva

VALORIZAÇÃO do real frente a outras moedas já aparece com menos culpa quanto à expansão das exportações, como defende essa coluna. Rogélio Golfarb, presidente da Anfavea, reconhece os benefícios da moeda forte sobre a economia e preconiza outros caminhos nas áreas de financiamento, tributação e legislação do comércio exterior. Demorou até a entidade mudar o discurso.

EXPORTAÇÕES são, inegavelmente, importantes porque geram escalas de produção e menores custos. Consumidor interno e o País acabam ganhando. O Brasil exportou 33% do que produziu em 2005; o Japão, 40%. Não estamos tão mal na fotografia. Há óbices, mas também indicadores estimulantes: recentes contratações de peso de engenheiros e projetistas surgem nas estatísticas de emprego do setor.

FORNECEDORES argentinos de componentes confirmam que a Volkswagen vai produzir mesmo no país vizinho sua primeira pickup média. Projeto para 2008. Informações privilegiadas dão conta de que o alvo principal está mais para Toyota Hilux do que Chevrolet S10. VW visa menos o mercado de frotistas e mais o usuário individual, que nem sequer arranha a caçamba.

VEÍCULOS híbridos que usam dois motores — a combustão e elétrico — são mera questão de imagem e o melhor para os EUA são os motores flex e o uso do álcool. Afirmação de Richard Wagoner, presidente mundial da GM, na publicação Mobile Magazine. Além da Fórmula Indy, as mais populares corridas de Stock Cars, organizadas pelas Nascar, passarão também ao álcool etílico ou etanol no lugar da gasolina.

FAÇANHA dos brasileiros Leônidas de Oliveira, Francisco Cruz e Mário Fava, que em abril de 1928 iniciaram a viagem de desbravamento do que poderia ser a futura Rodovia das Três Américas, pode ser conhecida na Internet: www.carreterapanamericana.com.br. O trio percorreu 26.000 km em dois Ford modelo T.
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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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