Insegurança pública: motorista brasileiro sofre duas vezes

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Fernando Calmon
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- Segurança pessoal é um tema que preocupa a todos e, ainda mais, quem roda com veículos. Motivo até de feira internacional, como a XI Exposec, realizada esta semana na capital paulista. Havia de tudo, desde blindagem automotiva até a estréia no Brasil de um localizador individual batizado de S-911 911 é referência ao número telefônico de emergência nos EUA e Canadá.

A ajuda eletrônica e os satélites de posicionamento global têm contribuído para a diversificação de aplicações. Companhias de seguro, por exemplo, subsidiam a venda de navegadores portáteis como forma de evitar que o motorista se desoriente e fique mais sujeito a acidentes ou adentre em regiões inseguras nas grandes cidades, em especial à noite.

A Volvo acaba de anunciar um navegador portátil específico para todos os seus modelos importados. Dispõe de um suporte sobre o painel frontal, sem fios aparentes. Uma solução limpa, fácil de encaixar, retirar e manusear, além de permitir a localização do carro em um grande estacionamento. O preço é puxado pelos impostos – R$ 3.800,00 –, mas inclui o aparelho Garmin, kit de montagem, instalação e software atualizado de ruas e estradas brasileiras.

Um mercado que se profissionalizou e se consolidou nos últimos anos foi o de blindagem de veículos. De 1995 a 2001, a produção anual cresceu mais de 10 vezes, segundo a Associação Brasileira de Blindagem Abrablin, que reúne 17 empresas e responde por cerca de 60% dos automóveis blindados. Agora existe certa acomodação, na faixa de 4.000 unidades/ano, número vergonhoso para o País, embora possa ser maior pela atuação de blindadores aventureiros centrados mais no preço do que na qualidade.

Em relação ao início desse setor a evolução foi marcante. A tecnologia avançou rápido, especialmente no que toca ao peso e desempenho dos materiais. Blindagens de última geração, para o nível IIIA de proteção, acrescentam em um carro médio 77 kg de vidros e 30 kg de painéis de aramida Kevlar, da DuPont. Montagens de baixa tecnologia chegam a acrescentar nada menos de 267 kg, ou seja, cerca de um quarto da massa própria do veículo com a conseqüente deterioração de desempenho, dirigibilidade e freios.

Essas operações implicam desmontagem de grande parte do automóvel e exigem mão-de-obra muito bem treinada. E há gente capaz de agir de forma desonesta para tentar baixar o preço em torno de R$ 45.000,00, para um sedã de porte médio blindado. Uma fraude fácil de detectar é a retirada da lâmina de policarbonato nos vidros para resolver problemas de delaminação. Segundo Mauro Castro, diretor da Guard Blindagens Especiais, “nessas condições o carro fica desprotegido, mas com pequenas batidas de um objeto metálico uma moeda serve é possível distinguir, pelo som, se se trata de policarbonato ou vidro. Outros colocam películas escurecedoras para maquiar pontos de delaminação”.

Motorista brasileiro sofre duas vezes. Com a insegurança pública, que pode obrigá-lo a optar por blindagem, e ainda corre o risco de comprar gato por lebre, ao ser enganado quando contrata o serviço.

RODA VIVA

AGORA se entende porque a Peugeot demorou a apresentar o sedã do 206. Preferiu esperar pela versão tupiniquim do 207, que utiliza apenas a frente do modelo francês atual. Quando chegar ao mercado em agosto, o sedã compacto se chamará 207 Passion, mais uma sigla para indicar versão de acabamento. Oferecerá opção de airbags frontais e laterais, além de câmbio automático.
PELO menos fora do Brasil, a Fiat poderá ressuscitar o nome Uno para o sucessor do Palio, que deve estrear no máximo em três anos. Esse projeto, previsto para produção em vários países, tem forte participação da engenharia brasileira, encarregada também do substituto do Mille. Novo Uno tomaria o lugar do Punto, na Europa Ocidental, que, por ser mais barato, até hoje convive com o Grande Punto.

VERSATILIDADE e recursos de carros mais caros destacam o Citroën Grand C4 Picasso. Luzes sensíveis à presença da mão nos porta-objetos laterais, por exemplo. Seleção manual do câmbio automático, ainda que algo lenta, pode ser acionada nas paletas atrás do volante, sem necessidade de tocar na minialavanca da coluna de direção. Visibilidade vertical, graças ao pára-brisa estendido, surpreende. Suspensões deveriam ser menos ruidosas.

FRITZ Henderson é o segundo nome na hierarquia mundial da centenária General Motors. Em bom português, em visita ao País, afirmou à coluna que oferecer aqui o Chevrolet Malibu “não seria uma má idéia”. O sedã pode vir do México, sem imposto de importação, e se posicionar entre Vectra e Omega. Como ex-presidente da GM do Brasil, sabe a importância da oferta diversificada.

JÁ não se fazem inimigos como antigamente. BMW e Mercedes-Benz deixaram diferenças históricas de lado e poderão partilhar peças e componentes, como meio de diminuir custos e compensar valorização do euro. Nada deixará de passar por uma boa conversa, inclusive colaboração no campo dos motores, algo antes inimaginável.



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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra

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