Invasão chinesa

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Fernando Calmon
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- O crescimento da China, quase incontrolável pelos próprios chineses, vem admirando o mundo. Além disso, assustando. A indústria automobilística, a exemplo dos outros grandes pólos globais, tem sido a locomotiva das mais poderosas por seu efeito multiplicador na economia, nos empregos, na geração de tecnologia. A China subiu muito rápido no ranking dos produtores mundiais de veículos. Só estão atrás dos EUA e do Japão, mas em no máximo cinco anos já terão escalado até o topo. Tudo impulsionado por um mercado interno fabuloso que, no ano passado, passou o do Japão e com sete milhões de unidades consolidou-se em segundo lugar.

As exportações chinesas de veículos ainda são tímidas. Há dificuldades de logística pela distância. Os produtos enfrentam restrições de qualidade e de segurança passiva, apesar do preço especialmente atraente. Os custos são bastante competitivos por uma combinação de mão-de-obra de baixíssimo valor e alta escala de produção, sem contar que um dos esportes nacionais é copiar sem pagar direitos. Esse cenário, no entanto, com certeza vai mudar. À medida que o seu mercado interno for esgotando a capacidade de crescer tão rápido, eles se voltarão para o exterior com muita força. Até lá as cercas de 100 marcas ativas incluindo estrangeiras deverão passar por processos de fusão e consolidação.

A indústria brasileira sabe que a China é uma ameaça tanto aqui como lá fora, na conquista de clientes de exportação, em particular dos vizinhos latino-americanos. O setor de autopeças já sente alguns abalos no segmento nacional de reposição. Nem mesmo quem fabrica pneus está tranqüilo. Durante a inauguração da nova planta da Bridgestone Firestone, em Camaçari BA, comentou-se que também na reposição os produtos asiáticos – aí incluídos chineses e coreanos — abocanharam uma fatia de 35%. Atingiram até produtores de remoldados com sua importação estranha, mas rentável, de pneus usados.

Ainda não dá, porém, para acreditar numa invasão chinesa de automóveis bons e baratos na faixa de R$ 20.000,00. Apresentados em outubro no Salão do Automóvel de São Paulo, as microvans e picapes subcompactas da Chana ainda não estão à venda pelas dificuldades de montar uma rede de assistência técnica. Os preços são bons, sem arrasar quarteirões, desconsiderando a defasagem tecnológica. A Chery, por sua vez, dispõe de modelos mais atualizados e começará este ano uma operação modesta de montagem no Uruguai. Há planos para uma fábrica de verdade na Argentina ou no Brasil.

Os fabricantes aqui instalados dizem que estão prontos para o que der e vier. Ray Young, presidente da GMB, afirma que há tempo para armar as defesas entre as quais a manutenção da alíquota de 35% do imposto de importação, além da capilaridade e nível das concessionárias. “Se necessário, temos um parceiro da GM na China, a Wuling, de onde podemos importar componentes e montar um modelo de entrada no mesmo nível de baixo preço. Ou até importar o carro completo. Tudo está sendo estudado no momento.” C. Belini, presidente da Fiat, foi enfático: “Que venham.”

Vida fácil certamente os chineses não terão.

RODA VIVA

EXCELENTE mês de janeiro — recorde de vendas, produção e exportação em valores — só aponta um aspecto fraco para o consumidor: estoques totais fábricas e lojas abaixo de 30 dias. Nos últimos anos vinham se mantendo na média de 35 dias, alimentando muitas campanhas promocionais. Na realidade elas continuam, cada vez mais concentradas no finalzinho do mês. Com desconto menor.

SUPERAQUECIMENTO também nas importações. Responderam por 12% do mercado interno no mês passado. Desde 2001 não se observava esse nível. Tudo indica que ainda vão subir bastante porque este será o ano de forte expansão dos produtos mexicanos no País. Até agora só os carros brasileiros mantêm participação expressiva no México. Chegou a hora da prudente reciprocidade.

DEU a lógica. Um dos motivos do motor flex na Blazer são os 7 pontos percentuais de desconto no IPI que se refletem de forma quase linear no preço final. Grosso modo as alterações custam 1%. Uma semana depois do lançamento a GMB se mexeu e abaixou o preço em 6% ou R$ 3.600,00 a menos. Trata-se de um sopro de vida para esse utilitário esporte.

FESTANÇA das picapes médias de cabine dupla pode se transformar em discreto convescote. Governo estuda enquadrá-las para fins de imposto como peruas, a exemplo do EcoSport. Nesse caso os preços subiriam perto de 20%, salvo se sacrificada parte da saborosa margem de lucro. Ninguém apóia doar mais dinheiro ao governo. Mas também receber carga fiscal próxima a de um carrinho de 1.000 cm³...

CORREÇÃO: na coluna da semana passada, o gás gerado pelo esterco bovino é óxido nitroso não dióxido. Muita gente se surpreendeu com a ajuda generosa dos animais para o efeito estufa, o que poderia fomentar as mudanças climáticas, segundo um grupo de estudiosos. Aliás, o físico da USP Paulo Artaxo participou dos trabalhos e discorda do catastrofismo do relatório.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

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