Lição de casa

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Fernando Calmon
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- O mais novo lançamento entre os sedãs compactos, o Fiesta, vai reforçar a crescente aceitação desse segmento no mercado brasileiro.

Há quatro anos, carros pequenos com porta-malas destacado respondiam por apenas 9%. Este ano deve alcançar 14%. Com exceção da Argentina, onde essa configuração tem aceitação ponderável por questões culturais, em outros mercados mundiais automóvel pequeno é sinônimo de hatch: mais barato e de menor comprimento, torna-se prático no uso urbano. No Brasil, representa 75% das vendas totais de veículos leves, excluindo pickups.

Também fica um pouco estranho, do ponto de vista estético, um carro compacto com uma parte traseira acoplada e relativamente alta. Mas a criatividade pode contornar esse aspecto. O centro de estilo da Ford conseguiu boas soluções de compromisso. Sem alterar as dimensões das portas, o teto foi ligeiramente abaulado a partir das colunas dianteiras a fim de harmonizar o terceiro volume. A altura total cresceu 4 cm, significando também maior espaço interno para cabeça, em especial aos ocupantes dos bancos dianteiros.

Há detalhes interessantes no Fiesta: desenho da terceira janela e a tampa do porta-malas com chanfros inferiores e um pequeno defletor acoplado na parte superior. O espaço nominal para bagagem perde para Clio e Siena, mas dobradiças pantográficas aumentam o volume útil. À exceção do Polo, que introduziu o sistema no segmento, os outros sedãs pequenos apresentam dificuldade de fechar a tampa com o porta-malas cheio. O vão é muito estreito hatchs são imbatíveis nesse item.

A fábrica melhorou o ambiente interno do modelo, mas ainda deve um acabamento apurado e melhores materiais. O espaço atrás para joelhos e pernas é um pouco melhor que os concorrentes. Encosto bipartido do banco traseiro é de série. A prioridade, de fato, se concentra no preço, bastante competitivo: R$ 27.000,00 motor 1.000 a R$ 33.300,00 1.600 flex.

Seria exagero afirmar que o motor flex de segunda geração roubou a cena no lançamento, porém atraiu bem mais que os modestos 20% que a Ford espera do mix inicial de vendas. O Rocam, que estréia também no hatch e EcoSport, partiu de uma taxa de compressão compatível com o álcool, ao contrário dos motores atuais. Destaques: gerenciamento eletrônico de temperatura da água e acurado controle de detonação para compatibilizar o uso da gasolina. A potência subiu para 111 cv a álcool e melhorou também a gasolina de 98 para 105 cv. Alcançou a maior potência específica do mundo entre motores 1.600 de 8 válvulas na categoria. São 8 cv a mais que o Fox flex.

No consumo relativo entre os dois combustíveis não houve grande melhora porque a gasolina também se beneficiou das mudanças. A diferença surge na comparação aos concorrentes. A evolução sensível é juntar o consumo de um motor 1.600 ao desempenho bem próximo a um 1.800. O motor flex do Corsa e do Palio gera menos 2 cv com álcool, embora o torque garantido pela maior cilindrada ainda se imponha. Em compensação, os modelos da GM e da Fiat, na média cidade/estrada consomem cerca de 21% a mais, o que faz muita diferença para um automóvel pequeno. Em termos de motor, eficiente lição de casa para quem se atrasou.

Numa rápida avaliação, o Fiesta sedã comprovou sua agilidade. Acelera com desenvoltura, depois de vencer quebra-molas, mesmo em terceira marcha e com câmbio alongado. O motor é suave, mas ainda algo ruidoso, apesar do trabalho de engenharia. Em manobras lentas, continua desejável maior assistência da direção hidráulica. Não havia versão de 1.000 cm³ para avaliar, nem mesmo com compressor 10% do mix. Na pior comparação são 46 cv a menos. Quem compra um carro nessa faixa de preço deve pensar melhor no 1.600 flex.

RODA VIVA

NOVA PLATAFORMA do sucessor do Gol, desenvolvida no Brasil para lançamento no início de 2007, precisa garantir escala de produção mundial, inclusive Alemanha. Custo de mão-de-obra está criando sérios atritos entre a Volkswagen e o poderoso sindicato alemão IG Metall. Gol receberá retoques em 2005 para conviver no mínimo quatro anos com seu sucessor.

TERCEIRA geração de motores flex não vai tardar muito, embora mal tenha chegado à segunda geração. Vêm aí ganhos de consumo com álcool, mais alguma potência e, finalmente, fim da partida a frio com gasolina. Magneti Marelli, por exemplo, dobrará o investimento nos próximos dois anos apenas nessa tecnologia, animada pelos resultados no Fiesta e outros modelos.

BRASIL E ARGENTINA terão de se acertar, mesmo sem livre comércio de veículos, previsto para 2006. Será o segundo adiamento. Recentes investimentos no país vizinho de Peugeot 307 e, nos próximos 18 meses, Toyota Hilux pickup e SUV e Volkswagen Fox monovolume indicam que existirá uma saída negociada.

UTILIZAÇÃO de cintos de segurança já é lei na maioria dos estados nos EUA. Bom senso prevaleceu sobre a tese de que seu uso restringia a liberdade individual. Ainda hoje airbags têm tamanhos avantajados e abertura brusca demais. Mas sua eficiência é só de 20%, se os ocupantes não usarem também cintos de segurança.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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