Mais que rivais, inimigos

A quarta geração vendida no País (décima desde quando surgiu no Japão em 1966) tem a missão específica de reconquistar a liderança
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Fernando Calmon
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- Um dos lançamentos mais aguardados do ano, o novo Corolla mudou bastante e ficou mais equipado. A Toyota não está acostumada a perder. Entre 2003 e 2006 liderou o lucrativo subsegmento dos sedãs médio-compactos, em que existe oferta diversificada de modelos inclusive importados. Pode-se afirmar que a especialização da indústria automobilística brasileira pára nessa categoria, pois acima o cenário foi dominado por modelos do exterior. Tornou-se a categoria de prestígio no País. Porém, no ano passado, o Civic ultrapassou o Corolla, mesmo sem a produção do novo líder atender toda a demanda. E não foi por pouco: vendeu quase 40% a mais que o ex-dominador.

Japoneses costumam ser discretos, mas na hora de concorrer transformam-se em adversários duríssimos. Os fabricantes de veículos tratam seus rivais como inimigos, em especial se são tão nipônicos como eles. A Toyota a exemplo da Volkswagen montou no Brasil sua primeira fábrica fora do país de origem. Em 2008 completa 50 anos aqui, mas só acordou de verdade para o mercado ao começar a produzir justamente o Corolla em 1998.

A quarta geração vendida no País décima desde quando surgiu no Japão em 1966 tem a missão específica de reconquistar a liderança. O carro só manteve o motor e a mesma distância entre eixos. Surge aí a polêmica se a arquitetura é verdadeiramente nova. Claro que sim. Hoje, a cada geração, costuma-se aumentar o entreeixos para ampliar o espaço interno. Essa não é a única referência. No caso do Corolla, além da carroceria ter todas as peças diferentes, ficou 5,5 cm mais larga internamente ganhou 2 cm na distância entre ombros, o porta-malas aumentou de 437 para 470 litros embora só com 1 cm a mais no comprimento total do carro e o assoalho traseiro agora é quase plano igual ao Civic.

A Toyota preferiu manter o estilo discreto, sem grandes arrojos. Ainda assim o carro tem presença, um interior bem mais refinado e equipamentos dependendo da versão antes indisponíveis: regulagem elétrica de altura do banco do motorista, volante ajustável em distância, bolsas de ar laterais, faróis de xênon, ar-condicionado digital, sensor de estacionamento. Mecanicamente, recebeu direção eletroassistida, câmbio automático aperfeiçoado com lógica humana, acelerador eletrônico, mas o motor flex perdeu 4 cv de potência quando abastecido com gasolina a fábrica atribuiu à nova fase de emissões obrigatória a partir de janeiro de 2009.

Ao avaliar o novo Corolla, nota-se nítida melhora no silêncio a bordo. Suspensões recalibradas, juntamente com novas rodas e pneus, câmbio manual de engates mais precisos e curtos, quase fazem esquecer que o acréscimo de peso de até 100 kg diminuiu o desempenho. Imperdoável é a versão básica não oferecer freios ABS, nem mesmo opcional, enquanto se valorizam aspectos secundários como computador de bordo ou levantamento dos vidros por um toque.

É difícil prever se o Corolla vai, de fato, desbancar o Civic, mas a diferença em vendas, se existir, será bem pequena. O carro chega em boa hora porque aumentará a oferta nessa faixa de preço – Toyota estima em 50% o crescimento do modelo –, ajudando a controlar sobrepreços no Civic e no C4 Pallas.

RODA VIVA

EMBORA Volkswagen não confirme, fontes no exterior dão certeza que a Seat, subsidiária espanhola do grupo alemão, voltará ao Brasil. Os modelos virão do México, sem imposto de importação. Decisão, ainda por anunciar, sobre produzir na zona de influência direta do dólar já foi tomada. Outra vez os mexicanos são beneficiados por razões cambiais.

NUNCA o mundo automobilístico esteve tão agitado por movimentos de pequenos acossando gigantes. Tata, marca indiana quase inexpressiva até alguns anos, acaba de comprar, da Ford, os ícones ingleses Jaguar e Land Rover. E a Porsche já tem dinheiro em caixa para assumir o controle acionário da VW, logo que se afastem óbices jurídicos. Quem poderia antever um cenário desses?

CURIOSO como manter certas versões em produção tem significado apenas de mero voluntarismo. Esportivos nacionais estão em baixa, mas a Fiat continua oferecendo o Palio 1.8R. Apenas 2.558 unidades foram emplacadas em 2007, pouco mais de 1% das vendas do modelo. Mas o futuro Punto Abarth com motor turbo importado, aí sim, mesmo que venda pouco, trará prestígio de verdade.

APARELHO de medição de transmitância luminosa, para fiscalizar películas de vidros escuras em excesso, está na reta final de homologação junto ao Inmetro, garante a Ricci Eletrônica, empresa paranaense. Só faltam testes de compatibilidade eletromagnética e climática. Em dois meses o processo pode estar concluído. Até vir a licitação, além do período de treinamento dos policiais, outros quatro meses.

MAIS um navegador portátil por GPS de tela de larga 4,3 pol. contra o padrão de 3,5 pol. chegou ao mercado. Marca européia V7 oferece o modelo NAV740 pelo preço competitivo de R$ 1.200,00. Na Europa, maioria dos modelos atualmente tem tela larga, melhor para consultar.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra.

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