Manutenção invasiva

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Fernando Calmon
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- As oficinas estiveram bem cheias neste fim de ano com a proximidade das aguardadas viagens de férias. Muita gente, prevendo dificuldades nos aeroportos, tratou de providenciar revisões e manutenção corretiva de última hora. Nos últimos tempos o setor de reparação tem feito esforços para tentar convencer os motoristas da importância da manutenção preventiva, em geral mais barata do que a corretiva, e responsável por maior confiabilidade no uso do automóvel.

Infelizmente, o conceito da prevenção é com freqüência distorcido por quem deveria dar o bom exemplo. Velas, correias, filtros, óleos, fluidos são itens que as fábricas indicam para troca regular, segundo intervalo de tempo ou quilometragem percorrida detalhados nos manuais. Muitas oficinas e mecânicos, porém, teimam em oferecer serviços de limpeza de injetores bicos, descarbonização de partes altas do motor ou limpeza antecipada do radiador absolutamente desnecessários. Tudo em nome da falsa manutenção preventiva. A justificativa preferida é o combustível de má qualidade, nem sempre o vilão da história.

Essa atitude de empurrar correções desnecessárias também atinge fornecedores de autopeças. Pelo menos um grande fabricante de amortecedores continua a insistir na substituição a cada 40.000 km rodados. Na realidade, esses componentes não têm quilometragem de vencimento porque dependem das condições de uso do veículo. Exigem apenas um exame quando das revisões normais. É possível, hoje, amortecedores chegarem aos 80.000 km, ou mais, dependendo da pavimentação. Catalisadores também podem ir além dos 5 anos ou 80.000 km homologados, desde que estejam bons.

O fato é que os carros modernos apresentam maior confiabilidade, garantia por prazos maiores e menos manutenção obrigatória. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores Sindipeças, apenas 11% do faturamento dos associados vai para o setor de reposição. Existem ainda problemas com falsificações alarmantes 10% das peças, contrabando e importação predatória da China. Por outro lado, há cerca de 35.000 lojas de peças e 120.000 oficinas no país, níveis acima das necessidades atuais. Some-se a isso o hábito do brasileiro de adiar a ida ao mecânico e se chega ao cenário difícil do mercado de reparação.

Os motoristas se queixam dos preços. Mas também não se vê empenho da indústria em divulgar as vantagens das peças remanufaturadas, um passo muito adiante das recondicionadas e recuperadas. Aquelas chegam a custar metade de uma nova e com a mesma garantia. Embreagens, alternadores, motores de partidas e caixas de direção para automóveis e comerciais leves já são encontrados na base de troca. Acrescentando outros componentes para veículos pesados, os remanufaturados incluindo motores retificados representam apenas 7% do mercado, contra 70% na Europa e EUA, regiões sempre preocupadas com a reciclagem e o ambiente. Entre as dificuldades aqui há complicações logísticas, tributárias e até culturais.

Campanhas de esclarecimento e um pouco de esforço abririam caminho para o fim da manutenção invasiva no bolso da imensa maioria dos menos informados.

Roda viva

ACORDO de livre mercado do Mercosul com a África do Sul poderia abrir novas oportunidades de importação de modelos mais caros como Mercedes-Benz, BMW e Volvo. O imposto seria bem menor, embora regulado por cotas anuais decrescentes por um período de cinco a dez anos até ser zerado. Parece, no entanto, que a BMW tem pouco interesse neste acerto por razões de mercado.

DENTRO de 18 meses, a nacionalização dos freios antitravamento ABS, em inglês significará encomendas de pelo menos 200.000 unidades/ano. Bosch ganhou a concorrência de fornecimento ao pool Fiat, Ford, GM, Renault e Volkswagen. Assim, um quarto dos modelos vendidos no Brasil, em 2008, deverá incluir esse importante recurso de segurança ativa. No momento, apenas 15%.

INTERESSANTE recurso do câmbio automático do EcoSport: colocada a alavanca na posição “2”, o utilitário esporte arranca em segunda marcha. Em condições de piso escorregadio atenua patinagem das rodas dianteiras. Mesmo que se pise fundo no acelerador kick down o câmbio não reduz para primeira.

ENTRE as características do alarme Padlock, da Olimpus está a possibilidade de desabilitá-lo em caso de perda ou quebra do comando. Basta seguir uma seqüência de ligar e desligar a ignição indicada num cartão reservado que acompanha o acessório. Há outras quatro funções programáveis inéditas no Brasil nesta versão BR 404, transformando-o no mais completo disponível no mercado.

MÍNIMA trinca no pára-brisa deve ser consertada o mais rápido possível, lembra a Carglass. Em razão de temperaturas altas do verão e o choque térmico do ar-condicionado, a trinca pode se expandir por uma grande área em pouco tempo e obrigar a substituir o pára-brisa. Pedriscos arremessados por rodas de caminhão, principalmente em estradas, são a causa mais comum de danos nos vidros.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

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